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15 jun 2012

Alterações no estado de humor produzido pelas danças sociais. estudo com deficientes visuais

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A dança é considerada uma actividade rigorosa, um conjunto de movimentos que não requer grandes espaços e solicita escasso equipamento. Proporciona, quando devidamente pensada e organizada, uma série de experiências motoras, benefícios físicos, cognitivos, sociais e emocionais. Os benefícios físicos incluem, melhoria da percepção espacial e sensorial, desenvolvimento de várias vertentes da aptidão física, e domínio de várias habilidades motoras, ensinados de uma forma divertida e com elevada tensão motivacional.
Autor(es): Valente V, Rodrigues N, Rodrigues dos Santos JA
Entidades(es): Universidade do Porto – Portugal
Congreso: II Congreso Internacional de Ciencias del Deporte
Pontevedra 2008
ISBN:9788461235186
Palabras claves: Estado de Humor, Deficientes Visuais, Danças Sociais, POMS

Resumen alterações no estado de humor produzido pelas danças sociais.

A dança é considerada uma actividade rigorosa, um conjunto de movimentos que não requer grandes espaços e solicita escasso equipamento. Proporciona, quando devidamente pensada e organizada, uma série de experiências motoras, benefícios físicos, cognitivos, sociais e emocionais. Os benefícios físicos incluem, melhoria da percepção espacial e sensorial, desenvolvimento de várias vertentes da aptidão física, e domínio de várias habilidades motoras, ensinados de uma forma divertida e com elevada tensão motivacional. Socialmente, a dança pode funcionar como veículo de promoção do lazer, propiciando a ocupação dos tempos livres numa actividade com forte cunho comunitário. O exercício físico consubstancial à dança aparece como eficaz terapia para o combate aos problemas de tensão existencial, depressão, agressividade, angústia e défice de auto-estima. O indivíduo deficiente visual através da dança potencia a identificação do seu próprio corpo, melhorando o seu esquema corporal e adquirindo as noções necessárias de orientação e localização do espaço específico da dança. Este estudo pretendeu demonstrar a eficácia das danças sociais nas alterações do estado de humor nos indivíduos com deficiência visual, de ambos os sexos. Assim, foi nossa pretensão avaliar o impacto de uma só aula de Danças de Salão nos Estados de Humor dos praticantes através da aplicação do Questionário de Estados de Humor, versão reduzida e adaptada para a população portuguesa do “Profile of Mood States” – POMS. Os resultados permitiram encontrar alterações positivas na Perturbação Total de Humor dos praticantes. Assim, conclui-se que a dança parece constituir-se como um bom meio de alterar positivamente os Estados de Humor de sujeitos com deficiência visual.

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Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº8.

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INTRODUÇÃO

Nas sociedades modernas actuais assistimos hoje a uma tensão paradoxal entre a melhoria das condições de vida das populações e o advento de uma série de patologias funcionais. Este estado de coisas desemboca por um lado na sedentarização crescente dos hábitos de vida e por outro conduz à intensificação da procura de prática de actividade física, visando esta o combate à degenerescência física, funcional e relacional que caracterizam os modelos de desenvolvimento social actual. A procura da recuperação da homeostasia perdida ou afectada pelo perfil de vida marcadamente sedentário característico das sociedades hodiernas tem relevado a prática desportiva como elemento fundamental na procura desse equilíbrio perdido. O desporto torna-se assim o fenómeno social mais pregnante que toca de forma incontornável todo o viver colectivo. Entre as várias modalidades desportivas a dança, pelo seu carácter lúdico completado pela fruição estética da música, assume-se como um forma agradável e socialmente expandida de exercitação física. Eichstaed e Lavay (1992) observaram que durante a execução de movimentos expressivos e criativos, os indivíduos podem melhorar a auto-imagem, não só corporal mas também ao nível das ideias e emoções. A dança providencia oportunidades de explorar, criar, descobrir e divertir. O sentido de exploração, quando encorajado, faz da dança uma actividade particularmente vocacionada a descoberta individual passível de ser expressa nas ideias subjectivas de movimento. A dança promove a autocrítica seja na auto-expressão seja na comunicação com os outros. Apesar da maioria dos praticantes afirmarem que se sentem bem após a prática de exercício físico, estas afirmações são, além de subjectivas, difíceis de consubstanciar empiricamente. Calado (1998) indica que o exercício físico está positivamente associado com o bem-estar psicológico expresso por uma série de efeitos, entre os quais se salientam o antidepressivo, ansiolítico e a melhoria do estado de humor. Assim, o exercício parece estar associado à diminuição de ansiedade, stresse, tensão e ajuda na depressão. Pode ainda afectar favoravelmente o humor e a percepção de bem-estar e felicidade. No entanto, as relações entre o exercício físico e os benefícios psicológicos por ele induzidos ainda são algo confusas. Tal facto parece dever-se às várias formas e tipos de exercitação existentes (Berger e McInman, 1993):

a. Actividade de grupo ou individuais;

b. Desporto de competição e desporto ou actividade de lazer;

c. Actividades aeróbias ou anaeróbias;

d. Exercício crónico e agudo; e

e. Actividades realizadas por pessoas com diferenças ao nível das suas aptidões físicas e das suas competências (Cruz et al., 1996).

É possível que os benefícios psicológicos variem não só conforme os diferentes modos ou modalidades de exercício, mas também em função de factores como: a idade dos praticantes, as características da prática e do treino, o ambiente ou contexto em que se realiza, os instrumentos utilizados e os treinadores, professores, etc. Berger e McInman (1993) sugerem as seguintes conclusões relativamente à promoção e maximização dos benefícios psicológicos que resultam do exercício e de actividades físicas:

a) o exercício e actividade física deve ser agradável e geradora de prazer para os indivíduos envolvidos; b) o exercício deve ser aeróbio e deve facilitar e promover a respiração abdominal, sobretudo se se pretende reduzir o stresse;

c) a competição interpessoal deve estar ausente, por forma e evitar os efeitos negativos associados à derrota ou ao “perder”;

d) a actividade física deve ser “fechada” ou “previsível”, por forma a permitir aos indivíduos o controlo e sintonização com o meio ambiente (solidão, contemplação, reflexão e “retirado” das preocupações do quotidiano); e

e) a actividade física deverá ser de intensidade moderada, cerca de 20 a 30 minutos de duração e com uma frequência regular, por forma a promover um nível mínimo de aptidão física (além disso, os benefícios psicológicos parecem aumentar à medida que a exercitação se prolonga e aumenta no tempo).

Os mesmos autores referem que o exercício físico para poder promover benefícios, ao nível dos Estados de Humor, não deverá ser competitivo nem de natureza imprevisível. Acredita-se que uma das causas responsáveis pela elevada adesão a programas de actividade física regular seja, em grande medida, as alterações de humor ocorridas durante e após a realização de uma actividade física (Cruz et al., 1996). A redução de Estados de Humor negativos e o aumento de Estados de Humor positivos estão relacionados com o “sentir-se bem”, sensação esta que ocorre durante e, imediatamente, após o exercício o que leva os praticantes a procurarem-no cada vez mais (Calado, 1998). Parece que existe uma base bioquímica para o bem-estar induzido pelo exercício físico. Um dos objectivos essenciais da dança consiste em “exaltar o movimento em concordância com a música” (Clarkson, 1988 p.24). Todos precisamos de sentir os nossos corpos. Ajudar as pessoas a desfrutarem dos prazeres que podem usufruir através do movimento é talvez o maior benefício da dança. Actualmente podemos observar uma grande adesão à prática de Danças de Salão, por parte das diferentes faixas etárias da população portuguesa, tendo mesmo alcançado resultados bastantes importantes em competições internacionais, a nível dos escalões mais baixos. As Danças de Salão dividem-se em três grupos: Latino-Americanas, Clássicas e Sociais. As duas primeiras são regulamentadas, existindo competições sólidas e bem patenteadas por organismos nacionais com representação internacional. As Danças Sociais, estão ainda bastante relacionadas com a cultura dos países de origem, e apesar de existirem competições em alguns estilos de dança, não existe uma legislação semelhante às Latino-Americanas e Clássicas.

O indivíduo com Deficiência Visual pode explorar e usufruir das suas capacidades e potencialidades rítmicas, da coordenação motora, do equilíbrio, entre outras, numa vinculação directa com o espaço, com o tempo, com a expressão, com a arte e com outros aspectos que a dança pode proporcionar. Os modelos e padrões de dança são em grande parte estabelecidos a partir de uma realidade visual. Com a pessoa com Deficiência Visual é preciso dar-se ênfase aos outros órgãos dos sentidos, mostrando que a dança pode ser aprendida por várias formas que não a visualização e a imitação. O objectivo deste estudo é avaliar o impacto de uma sessão de Danças de Salão Sociais (Merengue) no Estado de Humor dos praticantes deficientes visuais de ambos os sexos. Parece-nos pertinente a realização deste estudo visto não existir qualquer estudo efectuado neste âmbito, realçando a relevância da dança como exercício físico eficaz na deficiência visual.

MATERIAL E MÉTODOS

A amostra foi constituída por seis sujeitos, sendo quatro do sexo feminino e dois do sexo masculino, com idades compreendidas entre os vinte e os quarenta e sete anos, praticantes de Danças de Salão há um ano, na Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal de Braga. A totalidade dos sujeitos pratica, numa vertente recreativa, esta modalidade 1 vez por semana com duração de 2 horas. Como o nosso objectivo é o de avaliar o impacto de uma só aula de Merengue nos Estados de Humor dos praticantes, optámos pela aplicação do Questionário de Estados de Humor, versão reduzida e adaptada para a população portuguesa do “Profile of Mood States – POMS” (Mc. Nair, Lorr & Droppleman, 1971, 1981) traduzida por Viana & Cruz (1993). Esta é uma versão reduzida do Perfil do Estado de Humor, uma escala de avaliação psicológica, utilizada na investigação em Psicologia do Desporto e da Actividade Física, que contempla 30 itens acompanhados de uma escala do tipo “Likert”, de cinco níveis, variando entre o “nada”, que corresponde a 1,e o “muitíssimo”, correspondendo a 5. Estes itens correspondem a um número equivalente de adjectivos que descrevem um estado de humor subjectivo e que pretendem identificar seis dimensões do estado de humor, que passamos a enunciar de seguida, descritos por Mota (1996, p.165):

1. Tensão – Ansiedade, que reflecte a elevada tensão dos músculos esqueléticos;

2. Depressão, que indica um estado de humor depressivo, bem como uma sensação de incapacidade pessoal e futilidade;

3. Irritação – Hostilidade, que reflecte um estado de humor de irritação e hostilidade face aos outros, assim como de rebeldia e mau temperamento;

4. Vigor – Actividade, indicando um estado de humor caracterizado pelo vigor psíquico e elevada energia;

5. Fadiga – Inércia, representando inércia, fadiga e baixo nível de energia;

6. Confusão, reflecte um estado de humor caracterizado pela confusão e falta de clareza mental.

O valor obtido de cada uma das dimensões realiza-se através do somatório da classificação de cada item dividido pelo número de itens que a compõem. Estas medidas quando agrupadas fornecem uma medida da Perturbação Total do Humor, sendo esta calculada pela soma das cinco dimensões de carácter negativo (Tensão, Depressão, Irritação, Confusão e Fadiga) subtraindo a dimensão positiva (Vigor) e adicionando a constante 100, com o objectivo de evitar valores negativos. Realizada a recolha de dados procedeu-se à introdução destes numa folha de cálculo do programa Excel para Windows. Depois de introduzidos, os dados foram agrupados relativamente às seis dimensões do POMS e calcularam-se as médias referentes a cada dimensão e sujeito, antes e após a aula de Merengue. Posteriormente, calcularam-se as diferenças de média dos sujeitos, relativas a cada dimensão, subtraindo-se a média da dimensão registada após a aula (2ª observação) à média da dimensão registada antes da aula (1ª observação). De seguida, o tratamento dos dados foi efectuado informaticamente com o programa Statistical Package for the Social Scienses (SPSS), versão 11.0 para Windows, permitindo um tratamento descritivo (média, desvio padrão) dos dados obtidos. Para o estudo comparativo, utilizámos o Teste t de Student, sendo o nível de significância mantido em 5%.

RESULTADOS

Nos Quadros I apresentamos a Média e o desvio Padrão dos dados obtido nas dimensões do questionário de Estados de Humor (POMS), relativos às duas observações (antes e depois) da aula e aos dois sexos.

Quadro I – estatísticas descritivas das dimensões de humor obtidas nas 1ª e 2ª observações da aula em relação aos dois sexos

Quadro I. Alterações no estado de humor produzido pelas danças sociais. estudo com deficientes visuais

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 8

Gráfico 1: Média das dimensões do POMS em relação ao sexo (1ª observação)

Gráfico I. Alterações no estado de humor produzido pelas danças sociais. estudo com deficientes visuais

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 8

Verificaram-se diferenças estatisticamente significativas (0,046) ao nível da dimensão Tensão, nomeadamente antes da sessão de Merengue, entre os sexos. As mulheres, antes de iniciarem a aula apresentam valores médios mais elevados de Tensão (1,816) do que os homens (1,511). Este facto pode dever-se à conjugação habitual da actividade profissional com a vida doméstica, aspecto bastante frequente na cultura do nosso país. Apesar de, nos dois sexos, as médias de Tensão baixarem, esta diminuição é mais acentuada na mulher (1,276) do que no homem (1,250), atingindo um valor mais baixo (ver Gráfico 1).

Analisando o Quadros I, a dimensão do Vigor é a que apresenta uma maior variação entre as duas observações. As mulheres, por exemplo nas Danças Latinas, passam de uma Média de 2,772 para 4,061, enquanto os homens, apesar de também aumentarem estes valores, passam de uma Média de 3,174 para 4,120. Ou seja, os homens apesar de iniciarem a sessão com mais vigor acabam também por aumentar os valores desta dimensão no final da sessão. Por sua vez, as mulheres iniciam a sessão com menos Vigor, facto que poderá estar relacionado com a razão referida anteriormente, mas no final da mesma apresentam valores idênticos aos dos homens (ver Gráfico 2).

Gráfico 2. Alterações no estado de humor produzido pelas danças sociais. estudo com deficientes visuais

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 8

Gráfico 2: Médias das dimensões POMS em relação ao sexo. (2ª observação)

A presente investigação, analisou os efeitos agudos do exercício físico efectuando uma avaliação antes e imediatamente após uma sessão de Merengue. Nesta avaliação, os resultados vêm confirmar o objectivo deste estudo, ou seja, após a realização da aula verificam-se alterações positivas na Perturbação Total de Humor dos praticantes. Assim apoiamos a noção de Thayer’s (1989, cit. por Calado, 1998) de que o exercício é um importante modulador do humor. Estes resultados são visíveis após a aula, quer para o sexo masculino (de 103,53 para 101,99) quer o feminino (de 104,45 para 102,3), como mostra o quadro 2.

Quadro 2. Alterações no estado de humor produzido pelas danças sociais. estudo com deficientes visuais

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 8

Quadro 2: Perturbação Total do Humor – Homens e Mulheres

CONCLUSÕES

Como grandes conclusões deste trabalho podemos afirmar que:

- As aulas de Danças Sociais provocam uma melhoria dos Estados de Humor nos praticantes com deficiência visual.

- A dança parece resultar como um bom meio de alterar positivamente os Estados de Humor dos seus praticantes.

Referencias

1. BERGER, B.; MCLNMAN, A. (1993): Exercise and quality of life. In Handbook of Reasearch on Sport Psychology. R. Singer; M. Murphey; L. Tennant (Eds). New York, Macmillan.

2. CALADO, P. (1998): Influência de uma sessão de Ginástica Aeróbica nos Estados de Humor. Dissertação de mestrado apresentada à Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física da Universidade do Porto. Porto.

3. CLARKSON, P. (1988): Science of dance training. Human Kinetics. Champaign, Illions.

4. CRUZ, J.F.; MACHADO, P. P.; MOTA, M. P. (1996): Efeitos e Benefícios Psicológicos do Exercício. In Manual de Psicologia do Desporto. . José Fernando Cruz (Editor) e outros. Ed. Sistemas Humanos e Organizacionais, Lda: 91-116. Braga.

5. EICHSTAEDT, C. ; LAVAY, B. (1992). Physical Activity for Individuals with mental retardation - Infancy trough Adulthood. Human Kinetics books Inc. Champaign Illions.

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