800 007 970 (Gratuito para españa)
658 598 996
·WhatsApp·

18 jun 2012

Auto-valorização dos conhecimentos e competências para o exercício da função de treinador de acordo com o nível de formação federativa

/
Enviado por
/
Comentarios0

Analisar a auto-valorização de conhecimentos e competências para o exercício da função de treinador em Portugal de acordo com o nível de formação federativa constituiu o objectivo deste estudo

Autor(es): Rui Resende; Isabel Mesquita; Felismina Pereira; Juan Fernández Romero
Entidades(es): Facultade de ciencias do desporto (Portugal)
Congreso:II Congreso Internacional de Ciencias del Deporte
Pontevedra, 8 – 10 mayo de 2008
ISBN: 978-84-612-3518-6
Palabras claves: Formação; Treinador; Voleibol;

Auto-valorização dos conhecimentos e competências para o exercício da função de treinador de acordo com o nível de formação federativa

Resumen

Analisar a auto-valorização de conhecimentos e competências para o exercício da função de treinador em Portugal de acordo com o nível de formação federativa constituiu o objectivo deste estudo. A amostra foi constituída por 231 treinadores de Voleibol representando 47,7% do universo de treinadores em Portugal nas épocas de 2004/2005 e 2006/2007. Foram considerados os 3 níveis de formação federativa (I, II, e III) determinados pela Federação Portuguesa de Voleibol. Para a recolha dos dados foi aplicado um questionário, tipo escala de Likert de 5 níveis, composto por 58 questões. Após uma Análise Factorial prévia pelo método das componentes principais em rotação obliqua consideraram-se 8 factores. A consistência dos factores extraídos foi determinada pelo Alpha de Cronbach. A comparação entre grupos de treinadores, em função da formação específica, foi determinada através da One Way ANOVA com um nível de significância de 5%. Para se determinar onde se situavam as diferenças entre os três grupos recorreu-se ao teste de Tukey. 
Os resultados evidenciaram que os treinadores com formação federativa mais avançada (nível III) valorizam significativamente mais Conhecimentos de metodologia do treino (p=0,029) e (3) osConhecimentos sobre os fundamentos do comportamento motor (p=0,020) relativamente aos treinadores com formação federativa menos avançada (nível I). 

Introdução
O Desporto tem crescido em importância, pelo que a qualidade de todos os agentes desportivos envolvidos neste fenómeno deve acompanhar este desenvolvimento. Constituindo a função de treinador uma profissão emergente (Woodman, 1993) a investigação realizada na actividade deste agente, surge assim como essencial, nomeadamente, o estudo sobre a sua formação, para que com este conhecimento, se possa contribuir para melhorar a qualidade do processo de treino. Neste sentido, e de acordo com Duffy (2005), que comenta existir um significativo movimento para a profissionalização do treino na Europa, é evidente a necessidade de desenvolver padrões de exigências comuns no que diz respeito à qualificação dos treinadores. 
O treinador é uma personagem que se destaca, socialmente, alcançando na actualidade uma notoriedade sem precedentes. Centraliza em si atenções mediáticas que aprovam a sua actuação ou a contestam, de acordo com o alcance dos resultados desportivos que as suas equipas obtêm. 
A diversificação da acção profissional do treinador exige a assimilação de dilatados conhecimentos e competências, ajustados às particularidades do contexto da sua actividade.
A expansão global da ciência do treino nos anos recentes estabeleceu, de forma óbvia, uma clara necessidade de providenciar uma descrição sistemática de desenvolvimento das representações e actividade do treinador. Gilbert & Trudel (1999) referem que a obtenção de sucesso na função de treinador pressupõe um corpo complexo e especializado de conhecimentos. Tentar elencar o completo perfil de conhecimentos que os treinadores devem possuir é uma tarefa árdua, pois o treino é um domínio mal definido (Côté et al., 1995). Para além dos conhecimentos, é necessário possuir as competências necessárias para exercer com eficácia a função de treinador (Feltz et al., 1999) constituindo esta a base da confiança entre treinador e atleta (Kozel, 1998; Laios, 2005).
Neste sentido, a identificação das concepções dos treinadores acerca dos conhecimentos e competências profissionais valorizadas para o exercício da função constitui um instrumento fundamental de apoio à avaliação dos modelos de formação vigentes, lançando pistas para a implementação de novas estratégias de formação. Estes programas de formação estão disponíveis em muitos países (Campbell, 1993) apesar de não existir uma larga tradição académica e científica; ou seja, de acordo com Ibáñez-Godoy & Medina (1999) não existe uma experiência dilatada que avalize ou explique a forma de melhor efectuar a formação do treinador desportivo.
Constitui objectivo deste estudo identificar o perfil de conhecimentos e competências que os treinadores de Voleibol reconhecem como mais importantes para desenvolver a sua actividade, em função do nível de formação federativa. A pertinência deste estudo fundamenta-se no facto do nível de formação, para além de determinar a intervenção em diferentes níveis de treino, constituir-se como influente na qualificação da intervenção do treinador (Savard, 2001).

Material e Métodos
Amostra
Da amostra deste estudo fizeram parte 231 treinadores que exerceram a sua actividade durante as épocas de 2004/2005 e 2006/2007. Os 231 questionários recolhidos correspondem a 47,7% dos treinadores de Portugal (continente e ilhas dos Açores e Madeira), provenientes de um universo de 484 treinadores activos em Portugal (fonte da FPV, 2005). Responderam ao questionário 176 treinadores do sexo masculino e 55 do género feminino.
O nível de formação federativa é certificado pela Federação Portuguesa de Voleibol em três níveis. Para a comparação entre grupos de treinadores, no nível de formação federativa, consideraram-se os treinadores que possuem certificação emitida pela Federação Portuguesa de Voleibol (FPV). Esta certificação corresponde a um nível de formação específica e possibilita orientar uma equipa de Voleibol em competições tuteladas pela FPV. Em Portugal existem três níveis de formação de treinadores. O nível I correspondente ao nível inicial de formação e possibilita a orientação de escalões de jovens atletas até aos juvenis. O nível II certifica para a orientação de todos os escalões até seniores na divisão A2 e o nível III permite treinar todas as categorias.

Variáveis e instrumento
O questionário de Simão & Rosado (2004) aplicado a treinadores de futebol sobre a sua representação em relação à sua própria formação foi adaptado à modalidade de Voleibol. Uma vez que se introduziu algumas questões recorreu-se à sua validação, pelo método de peritagem, tendo sido consultados quatro experts: dois com conhecimentos específicos elevados da modalidade, enquanto treinadores, e os outros dois com formação académica superior no domínio da investigação científica, à qual se associa uma vasta experiência no domínio da prática.
Após esta primeira apreciação, o questionário foi objecto de aplicação piloto onde foram discutidos e analisados os procedimentos de preenchimento e o conteúdo das respostas. Aplicou-se o questionário a quinze treinadores com diferentes formações académicas e graus de treinador. O objectivo deste procedimento foi a verificação da sua aplicabilidade, da existência de dúvidas quanto à interpretação, clareza e objectividade das questões. Solicitou-se, igualmente, aos treinadores que comentassem e questionassem a clareza e intenção das perguntas formuladas.
Após as alterações julgadas pertinentes decidiu-se adoptar o questionário como definitivo pois, verificou-se que este continha relevância, clareza e compreensão nas perguntas aplicadas. O procedimento de recolha de dados foi pessoal prestando-se todos os esclarecimentos quando necessário.
O questionário foi constituído por 58 questões. A importância das questões colocadas é avaliada através de uma escala de Likert de cinco itens (de sem importância até muito grande importância).

Procedimentos estatísticos
Realizou-se antecipadamente uma análise factorial onde se extraíram 8 factores. De forma a hierarquizar a importância dos factores obteve-se, através da média ponderada, os índices dos factores. Realizou-se o teste One Way Anova para verificar possíveis diferenças entre os três grupos de treinadores, em função do nível de formação. Foram estimados os Post-Hocs com recurso ao teste de Tukey para se identificar entre que grupos se encontram as diferenças significativas.

Resultados e Discussão
1. Análise descritiva dos inquiridos em função do nível de formação federativa
Os resultados do presente estudo, indicam que a maioria dos treinadores é jovem e inexperiente. A idade dos inquiridos varia entre os 16 e os 59 anos (média de 29,3 e um desvio-padrão de 9 anos). Destes, 61% (n=141) têm idade inferior a 31 anos. Estes resultados evidenciam a elevada heterogeneidade nas idades, já confirmada noutros estudos (Almeida, 2001; Costa, 2005). 
Responderam ao questionário 42,4% (n=98) dos treinadores com o nível I; 36,8% (n=85) com o nível II; e 20,8% (n=48) com o nível III. De acordo com a FPV existe um total de 2547 treinadores formados (FPV, 2005) e na época de 2005/2006 estiveram activos 484 treinadores dos quais, 181 (37%) com o curso de nível I, 247 (51%) com o nível II e 56 (12%) com o nível III.
A dispersão dos treinadores pelos cursos frequentados com saliência para o nível II contraria outras realidades como a Australiana (Dickson, 2001) onde uma concentração muito preponderante (89%) se situa no Nível I. Igualmente sobre esta temática Gilbert & Trudel (1999) comentam que menos de 1% dos treinadores registados no NCCP (National Coaching Certification Program) no Canadá completaram os três dos cinco cursos de formação de treinadores que existem. Contrariando estes resultados Larkin et al. (2005) num questionário a 129 treinadores Irlandeses registou que 64% dos treinadores alcançaram o 3º nível de formação.

2. Auto-valorização dos conhecimentos e competências para o exercício da função de treinador de acordo com o nível de formação federativa

No quadro 1 apresenta-se os oito factores obtidos pela análise factorial realizada previamente e os resultados da comparação entre grupos de treinadores com distintos níveis de formação federativa.
Numa análise descritiva é possível constatar que os conhecimentos mais valorizados pelos treinadores são do âmbito da metodologia do treino, sobre os fundamentos do comportamento motor e sobre a implementação de decisões dinâmicas

Quadro 1 – Comparação entre treinadores em função do nível de formação federativa nos factores considerados.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 8

1Nível de significância Teste de Tukey HSD 
aDiferença entre Nível I e Nível III;

Como se pode observar da leitura do quadro 1, com a excepção de dois factores, não se evidenciam grandes diferenças entre grupos de treinadores com nível da formação federativa distinta.
Registam-se diferenças na valorização da importância atribuída pelos treinadores com o nível III em que valorizam significativamente mais os Conhecimentos de Metodologia do treino (p=0,029) e os Conhecimentos sobre os fundamentos do comportamento motor (p=0,020) que os treinadores de nível I. 
Na globalidade dos factores presentes no estudo os Conhecimentos de Metodologia do Treinoaparecem como o factor melhor avaliado pelos treinadores colocando as respostas no nível de muito grande importância. Esta apreciação é comum a todos os grupos de treinadores. Outras investigações reiteram os nossos resultados (Jones et al., 2003; Lyle, 2002; Salmela, 1996). Este conhecimento expressa-se nomeadamente na capacidade planificação do treino. Jones et al. (1997) verificaram, numa investigação em que comparam 10 treinadores experientes com 10 treinadores inexperientes de basquetebol, que os treinadores experientes são uns planificadores diligentes, levando mais tempo a planificar expressando grande confiança na eficiência do seu plano. Analogamente Bloom (1997), numa investigação em que utilizou como metodologia entrevistas abertas a 16 treinadores experts Canadianos de desportos colectivos verificou que as tarefas de organização, treino e competição são centrais na profissão dos treinadores, sendo a primeira propedêutica das outras duas tarefas. Tendo em consideração estes resultados sugere-se que os treinadores com o nível inicial de formação federativa ainda não possuem o conhecimento e a experiência necessária para atribuírem tanta importância quantos os mais experientes a estes tipos de conhecimentos, que não assumem uma visibilidade directa nos conteúdos específicos da modalidade. Esta diferença também se pode dever ao facto de as suas preocupações se centrarem mais na formação técnica e táctica dos seus atletas.
Os Conhecimentos sobre os fundamentos do comportamento motor são considerados de grande importância (4,0) pelos treinadores em geral e fundamentais para o rendimento desportivo (Bompa, 1983). Todos os grupos valorizam como de grande importância este factor, embora com maior valorização pelos treinadores de nível III. Na sistematização de Douge & Hastie (1993 p.16), acerca das áreas que comportam usualmente os programas de formação, os autores situam o desenvolvimento motor nos módulos das ciências do desporto, onde estão incluídas também a biomecânica, psicologia, fisiologia do exercício, tratamento de lesões, crescimento e nutrição.
Todavia, no presente estudo os treinadores inquiridos sobrevalorizam esta dimensão do conhecimento relativamente aos resultados encontrados por Gould et al. (1990), num estudo em que foi aplicada a mesma escala.

Conclusões
Os treinadores que fazem parte desta amostra correspondem a 47,7% dos treinadores de Voleibol em Portugal e têm uma média de idades de 29, 3 anos. 
Os resultados obtidos na comparação entre grupos de treinadores com diferentes níveis não registam diferenças evidentes nos factores considerados. A excepção configura-se em dois factores entre os treinadores com o nível inicial de formação (nível I) e aqueles que possuem o nível mais elevado (nível III).
No factor 2 os treinadores com o nível III valorizam significativamente mais os Conhecimentos de Metodologia do treino (p=0,029) que os treinadores de nível I. Ambos os grupos, no entanto, atribuem muito grande importância a este conjunto de conhecimentos e competências. Tal como no factor anterior, no factor 3 os treinadores com o nível III conferem um maior valor aosConhecimentos sobre os fundamentos do comportamento motor (p=0,020) do que os treinadores de nível I. Regista-se, no entanto, que ambos os grupos atribuem grande importância a este factor.
Os resultados do estudo sugerem que o nível de formação académica dos treinadores  inquiridos não interfere substancialmente na auto-valorização dos conhecimentos e competências para o exercício da função de treinador.

 

 

Bibliografía

Almeida, C. (2001). O treinador em portugal: Perfil social, caracterização da actividade e
formação. Lisboa: Ministério da Juventude e do Desporto.
Bloom, G. (1997). Characteristics, knowledge, and strategies of expert team sport coaches.
Unpublished PhD, University of Ottawa (Canada).
Bompa, T. (1983). Theory and methodology of training: The key to athletic performance (3ª ed.).
Ontario: Kendall/Hunt Publishing Company.
Campbell, S. (1993). Coaching education around the world. Sport Science Review, 2(2), 62-74.
Costa, J. (2005). A formação do treinador de futebol: Análise de competências, modelos e
necessidades de formação. Unpublished Mestrado, FMH-UTL, Lisboa.
Côté, J., Salmela, J., Trudel, P., Baria, A., & Russel, S. (1995). The coaching model: A grounded
assessment of expert gymnastic coaches knowledge. Journal of Sport and Exercise
Psychology, 17(1), 1-17.
Dickson, S. (2001). Advancement in sport coaching and officiating accreditation: Australian Sports
Commission.
Douge, B., & Hastie, P. (1993). Coach effectiveness. Sport Science Review, 2(2), 14-29.
Duffy, P. (2005). Coaches training in europe: Implications for asians coutries. Paper presented at
the Asian Regional Coaching Conference of the Internacional Council for Coach Education,
Hong Kong.
Feltz, D. L., Chase, M., Moritz, S., & Sullivan, P. A. (1999). A conceptual model of coaching
efficacy: Preliminary investigation and instrument development. Journal of Educational
Psychology, 91(4), 765-776.
Gilbert, W., & Trudel, P. (1999). Framing the construction of coaching knowledge in experiential
learning theory. sosol sociology of sport online, 2(1).
Gould, D., Giannini, J., Krane, V., & Hodge, K. (1990). Educational needs of elite u.S. National
teams, pan american, and olympic coaches. Journal of Teaching in Physical Education,
9(4), 332-344.
Ibáñez-Godoy, S. J., & Medina, J. (1999). Relaciones entre la formación del entrenador deportivo y
la formación del professor de educación física. Apunts Educación Física y Deportes(56), 39-
45.
Jones, D., Housner, L., & Kornspan, A. (1997). Interactive decision making and behavior of
906
II CONGRESO INTERNACIONAL DE CIENCIAS DEL DEPORTE
IV Seminario Nacional de Nutrición, Medicina y Rendimiento en el Joven Deporitsta
PONTEVEDRA, 8, 9 y 10 de Mayo del 2008
experienced and inexperienced basketball coaches during practice. Journal of Teaching in
Physical Education, 16(4), 454-468.
Jones, R., Armour, K., & Potrac, P. (2003). Constructing expert knowledge: A case study of a toplevel
professional soccer coach. Sport Education and Society, 8(2), 213-229.
Kozel, J. (1998). Educating coaches for the twenty-first century – a german perspective. The Sport
Educator, 9(3), 41-44.
Laios, A. (2005). The educational system for training coaches in greece. International Journal of
Educational Management, 19(6), 500-504.
Larkin, F., Duffy, P., & O’leary, D. (2005). Tracing the development process and needs of iris
coaches. Paper presented at the ISSP 11th World Congress of Sport Psychology, Sydney.
Lyle, J. (2002). Sports coaching concepts: A framework for coaches’ behaviour. London: Taylor &
Francis Group.
Salmela, J. (1996). Great job coach! Getting the edge from proven winners. Ottawa, Canada: Ed.
Potentiun.
Savard, C. (2001). La reforme do programe canadien de certification des entraîneurs. In Former des
entraîneurs demain (pp. 137-153). Paris: Institut National du Sport et de L’Education
Physique.
Simão, J., & Rosado, A. (2004). A formação do treinador. Análise das representações dos
treinadores em relação ao perfil profissional e à sua auto-percepção de competência. In V.
Ferreira & P. Sarmento (Eds.), Formação desportiva: Perspectivas de estudo nos contextos
escolar e desportivo (pp. 293-310). Cruz Quebrada: Faculdade de Motricidade Humana.
Woodman. (1993). A science, an art, an emerging profession. Sport Science Review, 2(2), 1-13.

[banner_formacion]

Responder

Otras colaboraciones