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25 nov 2013

Indicadores da tomada de decisão na marcação da grande penalidade no futebol

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A marcação de uma grande penalidade no futebol é bastante delicada, colocando momentaneamente dois elementos de equipas adversárias, em confronto direto. Este momento pode ser interpretado como um acontecimento onde a tomada de decisão dos executantes despontando interações dinâmicas.
Autor(es): Costa, Paulo; Batista, Marco; Aroni, André; Honório, Samuel
Entidades(es): Escola Superior de Educação de Torres Novas
Congreso: XIV Congreso Internacional sobre la Psicología del deporte
Pontevedra, 14 al 16 de Noviembre de 2013
ISBN: 978-84-939424-6-5
Palabras Clave: Tomada de decisão; Guarda-Redes; Grande Penalidade; Futebol

Indicadores da tomada de decisão na marcação da grande penalidade no futebol

Resumen:

A marcação de uma grande penalidade no futebol é bastante delicada, colocando momentaneamente dois elementos de equipas adversárias, em confronto direto. Este momento pode ser interpretado como um acontecimento onde a tomada de decisão dos executantes despontando interações dinâmicas. Objetivos: O presente estudo visou avaliar indicadores de tomada de decisão do guarda-redes e do rematador durante a marcação da grande penalidade.  Perante a realização de entrevistas a marcadores de grandes penalidades e guarda-redes, procurámos fazer uma análise de conteúdo com incidência na avaliação de comportamentos valorizados pelo guarda-redes face ao marcador durante a marcação da grande penalidade. Para realizar a avaliação comportamental, baseámo-nos na captação em suporte de vídeo de 79 grandes penalidades, categorizadas e tratadas no WebQDA. Foi observado que a orientação do pé de apoio bem como a orientação e rotação do corpo do atleta que executa a marcação da grande penalidade são dois fatores determinantes para que o guarda redes possa antecipar a sua ação. Em relação à lateralidade do rematador da grande penalidade face ao lado escolhido para colocar o remate foi observada uma tendência de enviar a bola para o lado do pé que remata. Após estímulo do guarda-redes no momento do remate, sugere que sempre que os guarda-redes efetuavam o levantamento de um dos braços, a bola era colocada no lado contrário ao braço movimentado.  Foram observadas algumas tendências de opinião assim como comportamentais permitindo padrões de trabalho no processo de treino deste elemento técnico que é a grande penalidade. Como qualquer outro jogador, o guarda-redes recebe informação o tempo todo. Ele analisa a informação, toma decisões e põe-nas em prática. Ainda que possa pensar, que algumas das ações são executadas automaticamente, ainda assim elas seguem essas três fases. Todas as ações que executa são o resultado de uma decisão. Cometer menos erros e ser mais eficaz na ação, é decidir melhor. Durante a marcação de grandes penalidades a oportunidade de o guarda-redes brilhar é maior, visto que os marcadores são os únicos que têm algo a perder. A pressão recai toda no jogador e não no guarda-redes uma vez que depois de a bola ser colocada na marca de grande penalidade o resultado esperado é o golo. No entanto o guarda-redes também tem um papel decisivo e importante na forma como influência a tomada de decisão do marcador da grande penalidade. Uma das suas estratégias para defender a penalidade, centra-se na forma como pode influenciar a mente do marcador, preparando a sua (Silvério & Srebro, 2002). Atualmente é sugerido aos guarda-redes para terem a habilidade de decifrarem no marcador o lado provável onde a bola irá ser colocada por este, sendo que as decisões são efetuadas tendo como suporte informações distribuídas ao longo do corpo (Diaz, 2010). Para tomarem uma decisão mais acertada, suportam-se num leque de informações que permitem auxiliar na ação, se bem que nem sempre uma escolha acertada da direção da bola, se reverta numa defesa desta. Estão referenciados guarda-redes com elevadas taxas de defesa nas penalidades, porém estes guarda-redes também têm sucesso pela forma como influenciam a tomada de decisão de quem marca. Esta díade guarda-redes e marcador de penalidades têm sido objeto de alguns estudos e teorias sobre a sua marcação e defesa. Este é sem dúvida um dos momentos marcantes de qualquer desafio no futebol. Considerámos por isso, oportuno e interessante dissertar sobre este tema, abordando os indicadores da tomada de decisão na grande penalidade no futebol.

Método

Participantes Para a realização deste trabalho, incidimos em entrevistas a marcadores de grande penalidade, assim como em guarda-redes. Incidimos ainda a nossa análise na observação de setenta e nove (79) grandes penalidades gravadas em suporte de vídeo. As grandes penalidades foram registadas em três momentos, 69 em regime não competitivo divididas em duas análises. A primeira com registo de 39 remates e a segunda com 30. O terceiro momento foi monitorizado em regime competitivo tendo sido analisado 10 remates. Os registos em vídeo foram efetuados com 15 marcadores de grande penalidade que tinham uma média de idade de 25,3 anos e média de 12,7 anos de experiencia. Os guarda-redes em número 4 tinham uma média de idade de 26,9 anos e uma média de 11,4 anos de prática e experiência. Materiais/instrumentos Para a realização deste estudo foi utilizado o método de entrevista para colher opiniões dos marcadores de grandes penalidades e guarda-redes, quanto aos indicadores comportamentais e de captação da informação no momento da marcação da grande penalidade. Como instrumento observacional, na captação de filmagens foi utilizada uma camara de filmar digital (Canon 5D Mark II) com tripé, posicionada atrás da baliza e a uma altura de 1,60 metros do solo. Os remates foram efetuados com uma bola oficial (Adidas Jabulani) filmados na perspetiva do guarda-redes. Para a categorização e tratamento dos registos obtidos trabalhámos com o programa de análise e tratamento de dados qualitativos, WebQDA.                      Procedimento Este estudo está enquadrado nos estudos observacionais descritivos, de carácter transversal, com incidência em variáveis categóricas. Perante a realização de entrevistas a marcadores de grandes penalidades e guarda-redes, procurámos fazer uma análise de conteúdo incidência na avaliação de comportamentos valorizados pelo guarda-redes face ao marcador durante a marcação da grande penalidade; na determinação dos comportamentos do guarda-redes para destabilizar o marcador na altura do remate; na avaliação dos indicadores de comportamentos valorizados no guarda-redes na altura da marcação da grande penalidade; e na determinação dos indicadores de comportamento que o jogador induz ao guarda-redes para obter sucesso no remate. Para realizar a avaliação comportamental, baseámo-nos na captação em suporte de vídeo de grandes penalidades, onde numa fase inicial deste projeto procurámos catalogar a colocação dos remates em função da lateralidade dos marcadores da grande penalidade, assim como a colocação do remate em função da emissão de um estímulo pelo guarda-redes, concretamente: manter-se imóvel na linha de golo, deslocar-se lateralmente na linha de golo, emitir uma interação verbal de desestabilização face ao marcador da grande penalidade e levantar um braço lateralmente imediatamente antes do momento de remate. Os registos comportamentais gravados em vídeo foram efetuados ao longo de duas sessões alternadas de treino bem como uma análise registada em regime competitivo.

Resultados De acordo com os dados obtidos, apresentamos os resultados descritivos com base na análise percentual das variáveis em análise.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº23

Quadro 1 Quadro percentual da relação da lateralidade do rematador da grande penalidade face ao lado escolhido para efetuar o remate De todas as grandes penalidades analisadas apenas 21% entraram na zona central da baliza. As restantes dividiram-se com alguma equidade, entre o lado direito e esquerdo da baliza tendo-se verificado um ligeira tendência pela escolha na colocação da bola no lado esquerdo de quem efetua o remate (42%).

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº23

Quadro 2 Quadro percentual da relação na direção do remate do marcador da grande penalidade, após estímulo do guarda-redes no momento do remate Aparentemente, no quadro 2, tendencialmente os marcadores da grande penalidade, sempre que os guarda-redes tentavam influenciar o remate através do levantamento de um dos braços, a bola era colocada no lado contrário ao braço movimentado. O registo permite-os identificar também que sempre que o guarda-redes adotam comportamentos de extremos, ou seja, deslocamentos laterais constantes e permanentes na linha de baliza ou simplesmente não induzem nenhum estímulo ao marcador, as probabilidades de não acertar na baliza, tornam-se mais elevadas. Sem estímulo ao marcador, a taxa de erro na baliza centrou-se nos 24%, e com deslocamentos laterais 31%. Mais de metade dos remates que não acertaram na baliza derivou da adoção destes dois comportamentos por parte do guarda-redes.

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Discussão

O presente estudo procurou analisar os indicadores da tomada de decisão na marcação da grande penalidade no futebol, pretendendo avaliar comportamentos valorizados e induzidos pelo guarda-redes face ao marcador, assim como o inverso na marcação da grande penalidade no futebol. Analisando a probabilidade da escolha do lado para colocação da bola na baliza face à lateralidade do marcador, os resultados deste estudo corroboram a teoria de (Gonçalves, 2004) pois este defende que quem efetua o remate com o pé direito e se posicionar muito ao lado da bola, provavelmente irá enviar a bola para o lado esquerdo do guarda-redes. De todas as penalidades observadas e executadas com o pé direito, perto de metade (48%) foram colocadas nesse lado. Se seguirmos a mesma linha de raciocínio mas agora para as penalidades marcadas com o pé esquerdo, os resultados desta investigação reforçam o pensamento de Gonçalves (2004), pois os remates efetuados de pé esquerdo partindo de uma posição de angulo aberto foram preferencialmente (62%) para o lado direito do guarda-redes. De acordo com a informação recolhida junto dos guarda-redes participantes neste estudo, importa referir que em relação aos comportamentos que valorizam no marcador durante a marcação da grande penalidade, a orientação do pé de remate e do pé de apoio bem como a orientação e rotação do corpo, totalizam (55%) das respostas em relação aos comportamentos valorizados no rematador. A bibliografia disponível vem confirmar esta tendência, pois segundo vários autores (Franks, & Hanvey, 1997; Williams & Burwitz, 1993; Savelsbergh et al., 2002; Savelsbergh et al., 2005) a orientação do pé de apoio tem vindo a ser consensualmente a principal fonte de informação manifestada antes do instante do contacto do pé com a bola. Por outro lado a orientação e rotação do corpo (no qual se inclui a cintura pélvica), totaliza na perspetiva de Diaz (2010), o grupo onde estão incluídas as principais fontes visuais que predizem o desfecho do remate. Através dos resultados obtidos quando foi solicitado aos guarda-redes que no momento imediatamente após a partida para bola por parte do rematador, o guarda-redes efetivasse um estímulo, verificámos que quando o guarda-redes realizava deslocamentos laterais, a taxa de insucesso do rematador, ou seja o erro da baliza (31%), foi superior quando comparamos com os remates em função de outros estímulos produzidos pelo guarda-redes. Esta análise vai ao encontro da investigação desenvolvida por Kamp (2006) com marcadores de grandes penalidades. Os resultados do estudo concluíram que os guarda-redes que se movimentam durante a corrida de aproximação dos marcadores, podem influenciar negativamente a execução dos jogadores que marcam penaltis utilizando uma abordagem dependente do guarda-redes. A informação recolhida neste estudo, nas entrevistas efetuadas aos guarda-redes, sobre os comportamentos utilizados para desestabilizar o marcador na altura do remate, apontam a movimentação lateral na linha de golo como o segundo procedimento mais eficaz, sendo referenciado em (17%) das respostas. Outra conclusão importante foi a de Masters, Van der Kamp & Jackson (2007) pois defendem na sua investigação, que o posicionamento e a atitude individualmente assumida não é perceptualmente indiferente. Estes autores insinuam, que os marcadores ao tomarem conhecimento da postura do guarda-redes com os braços levantados, têm tendência para enviar a bola para uma zona mais distante deste, dificultando a defesa ao guarda-redes. Esta conclusão enquadra-se no resultado verificado no nosso estudo, que identifica a colocação do remate da grande penalidade no lado contrário ao braço que o guarda-redes oferece como estimulo, imediatamente após a partida para a bola por parte rematador. Da totalidade das grandes penalidades avaliadas, sempre que o guarda-redes levanta o braço direito, a bola foi enviada para o lado esquerdo do guarda-redes em 50% das vezes. As outras opções dividiram-se entre o remate à figura, o lado direito de quem defende a baliza e o não acerto na baliza. O guarda-redes ao levantar o braço esquerdo, a tendência dos marcadores foi de colocar a bola em (67%) dos remates no lado contrário ao braço levantado pelo guarda-redes ou seja no seu lado direito. Na perspetiva do marcador, segundo resposta às entrevistas efetuadas, avaliando os comportamentos que estes valorizavam no guarda-redes no momento da marcação da grande penalidade, destacamos o estado emocional (46%) de quem defende a baliza como o fator mais referido e valorizado. Este resultado sugere uma clara preocupação em analisar o estado emotivo e psicológico do guarda-redes em detrimento de deslocamentos na baliza ou movimentos corporais. Em 18% das respostas foi referido pelos marcadores de penalidades, não valorizarem sequer qualquer tipo de comportamento no guarda-redes. Os marcadores de grande penalidade, referiram ainda que quando confrontados nas entrevistas realizadas, relativamente ao comportamento mais adequado para induzir alguma desestabilização no guarda-redes, que as pistas visuais induzidas seriam a melhor atitude para provocar desconforto e por consequência obter sucesso no remate. As pistas visuais foram referidas em 50% das respostas dadas. As simulações corporais no momento de efetuar o remate foram evidenciadas em 13%.

Referencias

Alves, J. & Araújo, D. (1996). Processamento da informação e tomada de decisão no desporto. In J. Cruz (Ed.), Manual de psicologia aplicada ao desporto e à atividade física (p. 361-388). Braga: Sistemas Humanos. Araújo, D. (2005): O contexto da decisão na ação tática no desporto. Lisboa: Edição visão e Contextos. Diaz, G. (2010). Anticipation from biological motion: the goalkeeper problem. Doctoral Dissertation. Resselaer Polytchnic Institute: Troy, NY. Franks, I. & Hanvey, T. (1997). Cues for goalkeepers. High-tech methods used to measure penalty shot response. Soccer Journal, 42, 30 – 33. Kamp, J. (2006). A field simulation study of the effectiveness of penalty kick strategies in soccer: Late alterations of kick direction increase errors and accuracy. Journal of Sport Sciences, 24 (5) 467-477. Masters, R., Van der Kamp. J. & Jackson, R. (2007). Imperceptibility off-center goalkeeper influence penalty-kick direction in soccer. Psychological Science, 18, 22-223. Núñez, J. (2006). Efectos de la aplicacíon de un sistema automatizado de proyeccíon de preindices en la mejora de la efectividad del lanzamento de penalti en fútbol.Tesis Doctoral, Facultad deCiencias de la Actividad Fisica y del Deporte, Universidad de Granada. Savelsberg, G.; Van der Kamp, J. , Williams, A. & Ward, P. (2002). Visual search, anticipation and expertise in soccer goalkeepers. Journal of Sports Sciences, 20, 279-287. Savelsbergh, G.; Van der Kamp, J.; Williams, A. & Ward, P. (2005). Anticipated and visual search behavior in expert soccer goalkeepers. Ergonomics, 48, 1686-1697. Silvério, J. & Srebro, R. (2002). Como ganhar usando a cabeça. Um guia de treino mental para o futebol. Lisboa: Quarteto Williams, A. & Burwitz, L. (1993). Advance cue utilization in soccer. In T. Reilly, J. Clarys & A. Stibbe (Eds.), Science and Football II, (pp. 239- 243). London: E & FN Spon.

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