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3 nov 2009

O bairro e a prática de actividades físicas dos adolescentes portugueses

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Background: Este estudo analisa as associações entre as percepções sobre o bairro residencial e a prática de actividade física e desporto de adolescentes portugueses. Methods: A amostra consistiu em 4877 indivíduos, com uma média de idades de 14 anos de ambos os géneros.

 
Autor(es):Mestre Nuno Eduardo Marques de Loureiro 1, Doutora Margarida Gaspar de Matos 2
Entidades(es): 1 Escola Superior de Educação de Beja, FCT 2 Faculdade de Motricidade Humana
Congreso:VII Congreso Internacional Sobre la Enseñanza de la Educación Física y el Deporte Escolar
Ceuta- 3-6 de Noviembre de 2009
ISBN: 978-84-613-3640-1
Palabras claves:Educación Física, actividad física, adolescentes
 

Resumen

Background: Este estudo analisa as associações entre as percepções sobre o bairro residencial e a prática de actividade física e desporto de adolescentes portugueses. Methods: A amostra consistiu em 4877 indivíduos, com uma média de idades de 14 anos de ambos os géneros. O instrumento utilizado foi o questionário Health Behavior School-aged Children Results: A percepção de que o bairro é inseguro para as crianças brincarem (OR= 1.3; p<.005) e o não haver locais para passar os tempos livres (OR=1.3; p<.005) p<.005), Contribui para a probabilidade dos jovens praticarem exercício, contudo, a percepção destas mesmas variáveis está associada a uma menor probabilidade de prática de Actividade Física. A prática de desportos de exterior são mais influenciadas pelas características do bairro do que a prática de desportos de interior. Conclusion. Perceptions of the local neighborhood may influence adolescents physical activity and sports, but in different ways.

Introdução

O principal objectivo desta investigação é compreender a importância do bairro residencial na prática de diferentes tipos de actividade física (AF) e desporto dos adolescentes portugueses. As últimas décadas têm sido caracterizadas por profundas e diversificadas investigações na área da AF, podendo-se identificar quatro áreas (Sallis, Linton, & Kraft, 2005). A 1ª área, do período inferior a 1970,é caracterizada investigações de cariz fisiológico sobre o impacto dos padrões da AF na condição física dos indivíduos; a 2ª área, período de 1970 a 1990, reúne investigações epidemiológicas que conduziram a AF a ser analisada como um factor de saúde prioritário; a 3ª área, no mesmo período referido anteriormente, engloba investigações sobre as principais formas de promoção da AF e a 4ª área, inicio do sec. XXI, abrange investigações centradas nas políticas e nos factores ambientais que promovem a saúde. O modelo ecológico começa a ser evidenciado como importante na promoção da actividade e retrata as interacções das pessoas com o seu ambiente físico e sócio-cultural (Stokols, 1992). Este modelo distingue-se pela explícita inclusão do ambiente, variáveis políticas e as suas inferências no comportamento dos indivíduos. Os níveis das variáveis contidas no modelo ecológico da AF incluem o intra-pessoal (biológico e psicológico), interpessoal/cultural, organizacional, o ambiente físico (natural e construído) e a politica (leis, regras, regulamentos e códigos) (Sallis, et al., 2006). O ambiente físico, em particular, o local onde os indivíduos residem, apresenta um conjunto de particularidades e características que tem vindo a ser estudadas e discutidas como potenciais facilitadores e ou obstáculos à prática da actividade física e desportos dos adolescentes (Katzmarzyk, et al., 2008). O bairro é considerado por (Carver, Timperio, & Crawford, 2008) como um item fundamental na análise das práticas físicas de exterior, pois oferece a oportunidade de realizar formas inexpressivas de prática de AF como a caminhada e o andar de bicicleta. A possibilidade ou a dificuldade das crianças brincarem ou jogarem na rua começa a originar uma nova classificação do tipo de criança; as crianças que passam os seus tempos livres em espaços exteriores à sua residência, designadas por “crianças de exterior”, e aquelas que ocupam o seu tempo a ver televisão e a jogar computador, as “crianças de interior”. A casa representa para as crianças e jovens um local seguro dos perigos exteriores, proporcionando segurança e conforto. O que faz pressupor como sendo um local importante para a prática de AF. Assim uma criança que veja as suas práticas limitadas em sua casa poderá apresentar baixos índices de prática (Hume, Salmon, & Ball, 2005).

Metodologia

O presente estudo utilizou dados da amostra Portuguesa de 2006 da “Health Behaviour in School-Aged Children (HBSC) (Matos, et al., 2006). Trata-se de investigação internacional da qual, no ano de 2006, faziam parte 44 países e que os grandes objectivos consistem em estudar e monitorizar os estilos de vida dos adolescentes e os seus comportamentos nos diferentes contextos sociais.

Amostra

A amostra é constituída por 4877 indivíduos, de 136 escolas seleccionadas aleatoriamente de uma lista nacional estratificada por região. A unidade de análise escolhida foi a turma. Trata-se de uma amostra significativa para alunos destes níveis de ensino a frequentar o ensino regular em Portugal Continental. Assim, 50,4% (2460) dos participantes pertencem ao género feminino e 49,6% (2417) pertencem ao género masculino, apresentando valores médios de idade de 14 anos (  1.89 para a idade), variando entre o mínimo de 10 anos e o máximo de 20 anos. No que se refere ao ano de escolaridade, 31.7% (1546) frequentavam o 6º ano, 35.7% (1740) frequentavam o 8º ano e 32.6% (1591) frequentavam o 10º ano.

Instrumento

O instrumento utilizado foi o questionário “Comportamento e Saúde em jovens em idade escolar”. Os países participantes no estudo HBSC incluíram todos os itens obrigatórios do questionário, que abrangem diferem aspectos da saúde: ao nível demográfico, comportamental e psicossocial. Todas as questões seguiram o formato indicado no protocolo (Currie, Samdal, & Boyce, 2001), englobando questões demográficas (idade, género, estatuto socio-económico), questões relativas à saúde positiva, consumo de álcool, tabaco e drogas, actividade física, comportamentos sexuais, lesões e violência, família, grupo de pares e lazer, cultura de grupo e atitudes e conhecimentos face ao VIH/SIDA.

Resultados e discussão

A distribuição por frequências das variáveis em análise. Pode-se verificar que 42% dos alunos portugueses refere praticar de 3 a 5 vezes por semana actividade física. No que se refere à realização de exercício, a categoria mais referida é a de 1 a 3 vezes por semana (47,2%). È de salientar que existem 17,1% de indivíduos que praticam exercício 1 vez ou menos por mês. No que refere à prática de desportos, 42,6% afirma praticar em instalações desportivas cobertas (“indoor”) e 50,1% refere praticar desportos ao ar livre (“outdoor”). Os jovens foram inqueridos sobre as particularidades dos locais onde residem e a maioria dos indivíduos referiu a existência de características “positivas”. Já os aspectos “negativos” do local, como o existir muitas vezes violência e roubos (19%) e a zona ser isolada demais (21%), foram mencionados por poucos. No que se refere à prática de actividade física na semana e à prática de exercício, os jovens que afirmam praticar com menor regularidade são as raparigas e mais velhos (alunos do 10º ano). A especificidade da prática em contexto “Indoor” parece agradar mais às raparigas e aos alunos do 6º ano. A prática de desportos no exterior é evidenciada pelos rapazes e alunos do 8º ano. A tabela 1 apresenta os valores de odds ratio ajustados da estatística regressão logística para as variáveis género, ano de escolaridade e as características do local e as suas influências na prática de diferentes tipos de AF. A probabilidade dos adolescentes realizarem AF parece estar associada ao ser do género Masculino (OR=3; p<.005), frequentar o 6º (OR= 1.7; p<.005) ou o 8º ano (OR= 1.3; p<.005) e o sentimento não que se pode confiar nas pessoas (OR= 1.2; p<.005). O local não ser seguro (OR= 0.8; p<.005), o não haver locais para passar os tempos livres (OR= 0.8; p<.005) assim como o bairro não ter bons serviços públicos(OR= 0.8; p<.005) condiciona a realização da prática da AF. A análise da prática do exercício, evidências variáveis diferentes das referenciadas na prática de AF. Assim, para a realização de exercício ser do género masculino (OR=0.3; p<.005), e frequentar anos de escolaridades mais baixos (6º ano – OR=0.4; p<.005; 8º ano – OR=0.6; p<.005), conduz a uma menor probabilidade de praticar. A percepção de que o bairro é inseguro induz a prática de exercício (OR= 1.3; p<.005), o não haver locais para passar os tempos livres (OR=1.3; p<.005) e o não haver muitos locais de divertimentos nocturnos (OR=1.2; p<.005), contribui para a probabilidade de prática do exercício . A percepção de que no bairro existe muita violência e roubos inibe a realização da prática (OR= 0.8; p<.005). Os desportos “Indoor” são menos praticados pelos rapazes (OR= 0.7; p<.005) mas ser do 6º ano (OR= 2.2; p<.005) está associado com a pratica destes desportos. No que confere às características do bairro, a única variável significativa encontrada é a não existência de bons serviços públicos (OR= 0.8; p<.005) que limita a possibilidade de prática.

Tabela 1- Regressão logística para género, ano de escolaridade e características do bairro residencial em função de cada tipo de prática.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 1

1.

 

A opção por desportos de “Outdoor” parece ser mais do interesse dos rapazes (OR= 4.7; p<.005) e dos adolescentes mais novos (6º ano – OR= 2.5; p<.005; 8º ano – OR= 2.1; p<.005). A prática deste tipo de desportos parece ser mais sensível às características do bairro. As variáveis relacionadas com a segurança, como o não ser seguro (OR= 0.8; p<.005), haver violência e roubos (OR= 1.2; p<.005) condicionam a prática. A questão estética do bairro revela-se importante, em particular, quando os jovens avaliam o local como feio, o que contribui para a diminuição da prática (OR= 0.8; p<.005). A falta de muitos locais de divertimentos nocturnos (OR= 0.8; p<.005) e a falta de locais para passar os tempos livres (OR= 0.8; p<.005) condiciona a possibilidade de prática de desportos ao ar livre. A conclusão deste estudo faz pressupor que alguns característicos do meio são importantes para a prática de actividades físicas e desportivas. As questões de segurança do bairro e a existência e qualidade dos espaços são os factores mais congruentes com a prática. A especificidade do tipo de prática e as variáveis ambientais associadas devem continuar a ser investigadas de forma a possibilitar a definição de orientações específicas para cada contexto.

Bibliografía

  • Carver, A., Timperio, A., & Crawford, D. (2008). Playing it safe: The influence of neighbourhood safety on children’s physical activity-A review. Health & Place, 14, 217-227.
  • Currie, C., Samdal, O., & Boyce, W. (2001). HBSC, a WHO cross national study: research protocol for the 2001/2002 survey. Copenhagen: WHO.
  • Hume, C., Salmon, J., & Ball, K. (2005). Children’s perceptions of their home and neighborhood environments, and their association with objectively measured physical activity: a qualitative and quantitative study. Health Educ. Res., 20(1), 1-13.
  • Katzmarzyk, P. T., Baur, L. A., Blair, S. N., Lambert, E. V., Oppert, J.-M., Riddoch, C., et al. (2008). International Conference on Physical Activity and Obesity in Children: Summary Statement and Recommendations. International Journal of Pediatric Obesity, 3(1), 3 – 21.
  • Matos, M., Simões, C., Tomé, G., Gaspar, T., Camacho, I., Diniz, J., et al. (2006). A Saúde dos Adolescentes Portugueses – Hoje e em 8 anos – Relatório Preliminar do Estudo HBSC 2006
  • Sallis, J., Cervero, R., Ascher, W., Henderson, K., Kraft, M., & Kerr, J. (2006). An ecological approach to creating active living communities. Annual Review of Public Health, 27(1), 297-322.
  • Sallis, J., Linton, L., & Kraft, M. (2005). The first Active Living Research conference: Growth of a transdisciplinary field. American Journal of Preventive Medicine, 28(2), 93-95.
  • Stokols, D. (1992). Establishing and maintaining healthy environments: toward a social ecology of health promotion. American Psychologist, 47, 6-22.

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