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15 jun 2012

Participation of elderly in programs of physical activity: a case study

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Demographic data points to a change in the population distribution. According to Garcia (2000), the twenty-first century may be considered as the century of the elderly.
Autor(es): Priscila Ellen Pinto Marconcin
Entidades(es): Universidade do Porto
Congreso: II Congreso Internacional de Ciencias del Deporte
Pontevedra 2008
ISBN:9788461235186
Palabras claves: Elderly, Physical Activities, Social Support
 

Participation of elderly in programs of physical activity: a case study

Abstract

Demographic data points to a change in the population distribution. According to Garcia (2000), the twenty-first century may be considered as the century of the elderly. In this context, the physical education is understood as a fundamental field of knowledge able to provide a new way to face life in this population by the practice of physical activities, such as sports. The present study aims to describe the proposed theoretical methodology of the project Sem Fronteiras, that means No Frontiers, which is characterized by being a program of sports for the elderly that occurs in the facilities of the Federal University of Parana, and it, shows clearly the importance of social support between the participants. The methodology of the study, qualitative in nature, occurred at two points: first, through the analysis of the documents containing the proposed project and annual reports for assessment of it, and a second time through interview applied to the elderly enrolled in the project. The results demonstrate that the project is supported theoretically on the principle of continuing education. Thus, the methodological procedures of the project do not support a program with leisure activities, which in most cases does not lead to greater reflection by the participants. So, too, away from the biomedical perspective, more widespread in physical education, and return to the reflection of how important we make, creative and meaningful, the years ahead. There is also that the project is considered a place where the elderly can enhance their network of relationships, which can lead to the well being of social support, as they have opportunity to share good and bad experiences and feelings.

Introdução

A estrutura demográfica no Brasil apresenta um contingente da população idosa em crescimento, segundo Berquuó (1999), este fato torna-se mais relevante porque já supera o crescimento da população total, provocando mudanças na estrutura política, econômica e social. Com esse aumento da população idosa aliada ao aumento da longevidade, surgem novas demandas de conhecimento, para atender as necessidades especificas dessa população, em diversos campos de atuação. Para Moragas (1997), o campo das ciências sociais é um instrumento imprescindível na caracterização da diversidade de situações vividas pelos mais velhos e na legitimação de suas demandas. Segundo Beauvoir (1990) a velhice é o que acontece às pessoas que ficam velhas; impossível encerrar essa pluralidade de experiências num só conceito, ou mesmo numa noção. O idoso sofre uma série de transformações com a chegada da idade avançada. Algumas dessas positivas, como: ter tempo livre para realizar tarefas até então adiadas pela falta de tempo, ter uma vida mais tranqüila livre das preocupações do mundo do trabalho, trocas de experiências com as pessoas que os cercam, entre tantas outras. Entretanto passa também por algumas negativas: o corpo começa a dar sinal de que está envelhecendo e não garante mais a mesma mobilidade e segurança, a família parece reconhecer que o idoso não representa mais o que era antes, não pode mais ser o “chefe da família”, e a própria sociedade trata de “desativar” a pessoa, garante a ela uma aposentadoria irrisória, e condições de vida indignas a toda sua trajetória.

Esses breves fatos acompanham o processo do envelhecimento e caracterizam um pouco a realidade da pessoa idosa na sociedade brasileira. Se partirmos do passar dos anos, contando desde quando nascemos até chegar o dia da morte, percebemos que os anos, cronologicamente, passam democraticamente para todos, porém a forma com que as pessoas lidam com esse tempo vai definir como será a sua velhice. Dessa forma, os idosos têm maneiras diferentes de enfrentar algumas modificações semelhantes entre eles. Muitos vêem de forma positiva as mudanças provocadas pelo envelhecimento, encaram seus problemas de forma mais natural, mais amena tendo um envelhecer com mais esperança e alegria. Outros não vêem da mesma forma, desenvolvendo sentimentos de incapacidade, solidão, preocupação com a saúde, muitas vezes debilitada, buscando assim, o isolamento social, que só agrava mais esses sintomas, refletindo na identidade pessoal e social da pessoa idosa. No sentido oposto ao apontado verificamos que os programas para idosos surgem marcados pelas necessidades atuais dos idosos em assumir novos papéis, participar da vida social, enfim consolidar um novo estilo de vida. (Marques Filho, 1998). Analisando a literatura; Okuma (1998 e 2002), Marques Filho (1998), Cachioni (1999, 2003), Neri (1999), podemos perceber que quando o idoso participa de grupos de pessoas com a mesma idade e que passam muitas vezes por situações semelhantes, em que tem a oportunidade de expor sua opinião, de conversar, de interagir, ele se sente melhor, sente-se vivo e atuante na sociedade. A esse respeito, Okuma (1998), nos diz que a experiência em grupo constitui uma fonte de significados tanto por oportunizar o suporte social como a interação, designando ao grupo uma qualidade motivacional para a superação de problemas mais comuns nessa fase da vida.

Dessa forma procuramos contextualizar o trabalho desenvolvido pela Universidade Federal do Paraná, departamento de Educação física, no projeto intitulado ‘‘Sem Fronteiras: ações pedagógicas para idosos’’. Destacando as relações sociais que existem entre alunos e entre alunos professores, como estes encaram seu próprio envelhecimento nos aspectos físicos, referentes a seu corpo e sua saúde, nos aspectos sociais, as relações familiares e com amigos, e psicológicos, auto estima, auto conceito.

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Materiais e Método

O estudo é descritivo, que, como aponta Baruffi (2002) tem como objetivo descrever, registrar, analisar, interpretar e correlacionar fatos e fenômenos, sem manipular variáveis, aponta os fatos como ele aparece na natureza, procurando descobrir a freqüência com que o fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros fenômenos, sua natureza e características. Apresenta caráter de análise qualitativo, pois segundo (Minayo, 1994) a pesquisa nessa área lida com seres humanos que, por razões culturais, de classe, de faixa etária, ou por qualquer outro motivo têm um substrato comum de identidade com o investigador, tornando-os imbricados e comprometidos.

Sujeitos

Idosos participantes do projeto Sem Fronteiras, um dos programas de Extensão para a comunidade, realizado pela da Universidade Federal do Paraná, no departamento de Educação física. O projeto conta hoje com duas turmas em funcionamento, uma iniciou em 1997, e apresenta 60 inscritos, porém comparecem as aulas regularmente aproximadamente 30 idosos, e a outra teve inicio em julho de 2006 e conta com 30 inscritos, comparecendo as aulas regularmente em média 25 idosos. O projeto ocorre 2 vezes por semana, as terças e quintas, das 14hrs ás 16hrs. Os sujeitos dessa pesquisa são idosos que fazem parte do projeto há pelo menos um ano, ou seja, a turma mais recente foi excluída da pesquisa por entendermos que não houve tempo necessário para que os idosos conheçam realmente o significado do projeto e suas contribuições, que são de curto a longo prazo.

O projeto tem como eixo norteador a busca constante pelo bem estar e a manutenção da autonomia física e social. Entendendo como bem-estar vários aspectos que trazem satisfação pessoal nessa fase, como a importância de um significado para a existência (Deps, 1993). E por autonomia o indivíduo realizar suas atividades diárias sem depender de alguém, esse conceito é amplo quando se considera que essa autonomia não é só física, como tomar banho sozinho, amarrar o cadarço, ir ao supermercado, tarefas simples que quando enfrente a alguma limitação física tornam-se incapazes de serem realizadas. Mas com a chegada da idade perde-se também a autonomia social, o idoso deixa de ter vontade própria na sua relação familiar e isso reflete na sociedade. Assim o projeto procura resgatar a autonomia, física e social, de seus integrantes. O projeto tem caráter de educação permanente que segundo Goldman (1977), procura formar uma consciência crítica no sentido de despertar a reflexão, através de uma interpretação cientifica e crítica da realidade. A proposta do projeto compreende em grande parte do tempo atividades corporais, que compreendem: alongamento, ginástica, atividades recreativas, danças, caminhadas, relaxamento, esportes, musculação, hidroginástica. Além de atividades culturais, como palestras, dinâmicas de grupo com propósito de estimular a memória, o autoconhecimento, a auto-estima e a cultura geral, cantos, música, passeios e festas em datas comemorativas. É importante ressaltar que durante as aulas é levada em consideração a limitação de cada um, respeitando seus limites e durante a execução dos exercícios é explicado seus benefícios e a maneira correta de realiza-lo, são feitas reflexões e avaliações diárias das atividades praticadas. Destacamos como características pedagógicas fundamentais: atitude de carinho, compreensão e diálogo dos professores com os idosos. Nas atividades grupais o idoso pode encontrar, não só satisfação pessoal, como também suporte social, que se constitui na presença do outro e ou dos recursos materiais fornecidos por parentes e amigos para lidar com um evento da vida estressante (Deps, 1993).

Instrumentos

Para a estruturação do trabalho, foi realizada uma entrevista semi-estruturada, com perguntas abertas, aplicada aos idosos participantes do projeto Sem Fronteiras. Para elaboração das entrevistas foram ulitizadas as referências encontradas na literatura sobre envelhecimento, velhice, terceira idade, atividade física, educação, entre outros, pretendendo responder os objetivos propostos. Formando dessa forma 3 categorias maiores cada uma com suas subdivisões. Foram assim estruturadas as categorias: Identificação (com nome, idade e sexo), Relações Psico – Sociais (contendo questões referentes à vida dos idosos, aposentadoria, dependência financeira, convívio diário, visão da família, perdas com a idade e como se sentem bio psico socialmente) e por último a Participação no Projeto (com perguntas sobre o tempo de participação e as razões de participar do projeto, sentimento de compromisso, relação com os colegas e professores, opinião a respeito da atividade física, dificuldades encontradas no inicio da prática e que agora forma superadas, pensamento durante as aulas, dificuldades da vida diária que o projeto pode colaborar, e finalmente o que o projeto representa na vida dos idosos). A partir das entrevistas semi-estruturadas criam-se grupos de categorias para a orientação das análises dos dados coletados, estabelecendo vínculo com a revisão de literatura realizada ao longo da pesquisa, tendo como base teórica principal: Neri (1999), Barbosa (2003), Okuma (1998, 1999) e Kachar (2001).

Resultados e discussão

Identificação

Dos idosos entrevistados 8 eram do sexo masculino e 22 do sexo feminino, totalizando 30 idosos. A idade entre os homens variou de 60 a 76 anos, e entre as mulheres de 54 a 71 anos. Relações psico – sociais Aposentadoria e suas conseqüências: A média da idade para obter a aposentadoria variou entre 43 e 67 anos. Quando questionados sobre como reagiram com essa mudança em suas vidas, a grande maioria dos idosos colocou de forma positiva a aposentadoria, com exceção de um idoso, que relatou ter se aposentado muito novo, com 43 anos, por invalides. “Fiquei arrasado, minha vida piorou, tive que fazer bicos para não ficar parado”. A quantidade de pessoas que estão se aposentando ainda em pleno vigor mental e físico, com relativo poder econômico e interessadas em se manter ativas mentalmente, está crescendo (Kachar, 2001), o que faz com que os idosos busquem uma outra alternativa para ocupar o tempo que antes era destinado ao trabalho remunerado: “No princípio senti muita falta, logo comecei a procurar vários grupos e me senti útil, principalmente no projeto Sem Fronteiras”.

Dependência financeira e convívio diário.

De todos os entrevistados, praticamente a metade, 12 idosos, são dependentes financeiros de alguém, entre eles 3 dependem de filhos e o restante são mulheres que dependem do marido. A rede de convívio dos idosos gira em torno da família: marido, netos, filhos, amigos e o projeto. O que representa que os idosos participantes não apresentam um isolamento social, pois se encontram em constante envolvimento inter pessoal, o que é muito positivo, pois além de poderem trocar experiências com outras pessoas, sentem-se valorizados, com amigos, pessoas com quem podem contar quando for preciso, compartilhar situações de vida assemelhadas favorecer a integração pessoal dando ao grupo um papel libertador, expressivo e criativo (Kachar, 2001). Isso faz com que o idoso sinta-se mais feliz e afaste uma das principais causas e/ou conseqüências da depressão, o isolamento social. O grupo social lhes dá dignidade, vida, significado e, especialmente a possibilidade do convívio. (Kachar, 2001) Visão da família em relação aos idosos Todos os idosos entrevistados relataram serem tratados com muito amor e principalmente respeito pelos seus familiares: “Como um ídolo, Graças a Deus”. “Minha família me trata com muito respeito e me valoriza”. Essa valorização familiar faz com que o idoso sinta-se bem, valorizado, e mantenha sua condição de quando era mais jovem, chefe da família, e tinha responsabilidades sobre ela. O que vai de encontro com a literatura que aponta o afastamento das relações familiares com a chegada da idade, em que a relação de dependência seria invertida, os filhos deixariam de depender dos pais e esses passariam a depender dos filhos, provocando, muitas vezes, o desrespeito para com o familiar de idade. Principais perdas com a chegada da idade e como se sentem hoje. Quando questionados para citar as principais perdas com a idade, mesmo que a pergunta indicasse que existiam perdas e apenas solicitasse quais seriam elas, 11 idosos relataram que não sofreram perdas, que obtiveram somente melhoras com a idade, principalmente com a conquista do tempo livre; “Eu não perdi, ganhei o prazer de viver, meus conhecimentos aumentaram, minha experiência está crescendo cada vez mais. Valorizo cada vez mais minha auto-estima e a dos outros.”

Todavia, 19 idosos indicaram que tiveram perdas com a idade, entre essas perdas podemos dividi-las em físicas e psico sociais. Dessa forma, 3 idosos relataram terem perdas psico sociais, como: falecimento de parentes, ter adquirido depressão e a própria idade. Por exemplo: “Perdi todas as coisas boas da minha vida, principalmente minha mocidade”. Entre os idosos que relataram terem perdas físicas estão 12 integrantes, essas perdas devemse principalmente a doenças adquiridas com a idade, como artrite, problemas cárdio vasculares, reumatismo, derrame, desses, 3 idosos o maior problema foi a falta de agilidade. Os outros 4 integrantes relataram sentir as perdas tanto físicas como psico sociais, como exemplo: “Perdas financeiras, forma física, agilidade e o meu trabalho fora.” Em relação a como se sentem hoje, se se sentem jovens e são pessoas felizes, a grande maioria do grupo apresentou sentimentos positivos, sentindo-se mais jovem do que sua idade cronológica e muito feliz com as conquistas que obteve, como aponta Kachar (2001), os próprios idosos estão rejeitando as representações negativas a respeito da idade e vencendo os preconceitos, os estereótipos e as barreiras que cercam a sua condição. Descartando os falsos pudores e falsos moralismos estabelecidos por normas sociais hipócritas e valores farisaicos, que procuram impor aquilo que podem ou não fazer, como devem se comportar, se vestir ou onde podem ou não ir, eles estão buscando novos espaços e novas formas de participação social: “Apesar dos 71 anos me sinto com se tivesse mais ou menos com 40, 50 anos. Sou muito feliz, pois sou amada e respeitada pela minha família.” Em contrapartida 5 idosos relataram que não se sentem felizes, principalmente devido a modificações físicas e doenças, ou simplesmente por acreditarem que não é possível ser completamente feliz, por exemplo: “Envelhecido. Observo que estou em decadência física. Não (feliz), também não infeliz, apenas vivo os melhores momentos.”

Participação no projeto

Tempo de Participação

Os entrevistados apresentaram tempo de participação no projeto variando entre o ano de 2000 e 2007. Principais razões de participar do projeto e principais motivos de faltas. Dentre as principais razões apontadas para participar do Projeto encontramos: a melhoria da saúde e o relacionamento inter pessoal. Como afirma Neri (1999), a oportunidade de participar desse tipo de atividade é apontada como importantes antecedente de ganhos evolutivos na velhice, porque acredita-se intensificar os contato sociais, as trocas de vivências e de conhecimentos e o aperfeiçoamento pessoal: “Para encontrar com pessoas amigas e para cuidar da minha saúde”.

Alguns participantes relataram também participar do projeto por: recomendação médica, melhorar a auto – estima, sair do sedentarismo e ter mais qualidade de vida. Relação de compromisso com a atividade Os motivos pelos quais os idosos não comparecem no projeto poderiam ser resumidos em três principais: casos de doença ou consultas médicas, problemas familiares (como cuidar de um neto, entre outros) e por alguma viajem realizada no mesmo dia dos encontros. Complementando a pergunta relataram sentir muita falta do projeto quando não podem comparecer, sentem-se tristes, aborrecidos e insatisfeitos, alguns casos também relataram sentir dor física, e saudades dos amigos: “Sinto falta do relacionamento com o pessoal do projeto, aqui me sinto bem física e psicologicamente” Dessa forma a atividade física mostra-se como uma oportunidade para novos relacionamentos e compromisso social, que como afirma Okuma (1998) ao se sentirem comprometidos com algo, com objetivos a serem alcançados, surge uma qualidade de envolvimento que leva a uma maior valorização da vida, de si mesmos e daquilo que fazem.

Relações sociais

Obtivemos respostas bem positivas, como amizade, companheirismo, amor, principalmente na relação deles com os professores: “Percebo acolhimento sincero entre os participantes, parecendo-me que todos buscam os mesmos objetivos que eu, quanto aos professores acho-os compreensivos em relação a nossa idade e as nossas necessidades, como também capacitados para tanto”. Essa relação entre os idosos e os professores pode ser considerada como aponta Okuma (1998), por ter o foco das atenções dos professores, centrados nos alunos e nunca nas atividades ou nos conteúdos, as atividades é que se foram transformadas para estar a serviço dos alunos, de modo que eles não tivessem que se adaptar a elas, mas elas a eles, tal preocupação pode ser compreendida pelos alunos como demonstração de respeito e de carinho dos professores para com eles. Significado da atividade física Os idosos relataram em sua totalidade reconhecer que a atividade física é muito importante e necessária. Acrescentando ainda que esta proporciona melhoria na saúde (agilidade, capacita para fazer as atividades domesticas com mais facilidade, alívio das dores), além de contribuir para alívios dos problemas psicológicos; “Muito bom, ajuda em tudo, até no emocional”. “Descubro que estou vivo, Saudável!!!!”. Conforme afirma Okuma (1998), essas expressões mostram um novo modo de ser dos idosos, referem-se a percepção de que estão vivos. Esta surge a partir das sensações que passaram a experienciar, das vibrações do corpo e dos sentimentos de que a vida estava se iniciando a partir desta experiência.

Capacitação para realizar atividade que tinham dificuldades. As novas realizações e aquisições estimulam a auto estima, a consecução de projetos frustrados ao longo da vida, em outras etapas, permitindo uma plenitude humana e uma velhice bem sucedida. (Kachar, 2001): “Me sinto muito melhor, tinha medo e me sentia incapaz, hoje estou mais confiante. Antes, não ia nem ao supermercado”. Muitos apontaram para mudanças físicas, o que foi também um motivo apresentado por ingressarem no projeto, mostrando que alguns dos objetivos dos idosos são atingidos no decorrer do projeto, como percebemos na fala: “Em todas as atividades do dia-a-dia me senti mais capacitado. Consigo arcar meu corpo com maior facilidade.” Apenas um idoso relatou não ter apresentado mudanças físicas com a sua participação no projeto, relatando: “Continuo com a dificuldade que tinha. Não tenho obtido melhora. Minha doença só se agrava”.

O projeto e as dificuldades diárias

Quando questionados sobre como enfrentam suas dificuldades diárias e como o projeto pode auxiliar nas mesmas, obtivemos respostas no sentido de enfrentar com otimismo, bom humos, esperança, e em grande parte das falas o projeto foi citado por ser um espaço em que os idosos não precisam se preocupar com os problemas, podem relaxar, esquecer suas dificuldades: “As dificuldades estão sempre presentes na minha vida, eu as encaro de frente e procuro soluciona-las. O projeto me ajuda, quando estamos nele esquecemos os problemas.” Encontramos também algumas, respostas em que o projeto não tinha nenhuma relação para auxiliar a solucionar os problemas pessoais dos idosos, isso podem ser observadas nas seguintes falas: “Enfrento com conformismo. Não acho que o projeto tenha a ver com isso.”

Significado do Projeto

Essa questão pretende abordar o que o projeto representa para cada idoso, nessa representatividade estaria também alguns objetivos, pretensões, que eles conseguem atingir através do projeto. Todos entrevistados acreditam ser o projeto uma “coisa” muito boa, positiva, essas são algumas palavras que representam isso: vida nova, amizade, saúde, uma coisa boa, auto ajuda, ótimo, qualidade de vida, maravilha, companheirismo, conhecimento. Em alguns casos é também um lugar de “fuga” dos problemas externos, onde o idoso sente-se protegido, amparado, feliz: “Representa muito na minha vida, pois encontro pessoas, converso mais, diferentemente da minha casa.” Ao viverem novas experiências corporais, através de atividades motoras inéditas ou há muito tempo deixadas de lado, os idosos tem a oportunidade de experimentar mudanças no seu corpo e no modo de se movimentarem. O corpo assume novas formas, na medida em que foi submetido a novas exigências. Viram-se, portanto, com novas possibilidades de ser e de estar no mundo, na medida em que foram se compreendendo e se percebendo. (Okuma, 1998). Algumas frases breve parecem atingir a grandeza de significados que o projeto almeja, como: “Vida nova” e “Significa tudo”.

Conclusão

Com o aumento da população idosa, aumenta também as demandas necessárias para atender as diversas particularidades dessa população. Deste modo a Educação Física tem como função estudar o envelhecimento por diversas perspectivas, biológica, psicológica e social, foco principal desse estudo. Assim almejamos descrever algumas modificações que ocorre com o envelhecimento, e entender particularmente o caso do projeto Sem fronteiras, buscando responder como os idosos participantes desse projeto encaram as modificações existentes com a chegada da idade e qual o significado do projeto para os mesmos. Através das entrevistas e com base em alguns autores como, Okuma (1998 e 1999), Neri (1999), Cachar (2001), entre outros, pudemos responder algumas dessas questões. De uma maneira geral os idosos do projeto têm um modo positivo de enfrentar suas dificuldades, isso pode ser devido à própria personalidade de cada um, ou também como apontam os autores, ser reflexo da participação de uma atividade em grupo.

Esta acarreta uma série de transformações positivas para essa população, por estar em contato com pessoas da mesma idade aonde podem compartilhar seus sentimentos e formar um circulo de amizade, que funciona como um suporte social, além de se manterem ativos, participantes e atuantes. Essa participação garante ao idoso ter autonomia física, que se reflete em seus atos diários, como por exemplo, para realização de atividades do cotidiano como, amarrar o sapato, tomar banho com maior segurança (ações que a primeira vista parecem simples mas que necessitam muito da agilidade e mobilidade), essa autonomia física viabiliza também uma maior autonomia social, uma vez que o idoso pode realizar suas atividades sem depender de ninguém. O projeto mostrou-se dessa forma como um local em que o idoso tem a possibilidade de se manter ativo, realizar atividade física, o que melhora sua saúde além de se sentirem amparados, incluídos em um grupo, em contato com pessoas que mais do que colegas de classe tornam-se verdadeiros amigos.

 

Referencias

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