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21 sep 2006

Pedagogia do Esporte: Ensino, Vivência e Aprendizagem dos Jogos Esportivos Coletivos

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Discutir e promover reflexões sobre o ensino e aprendizagem dos Jogos Esportivos Coletivos é uma tarefa que pode ser realizada levando-se em conta diferentes abordagens. Optou-se, neste ensaio, pela dimensão pedagógica.
 
Autor(es): Roberto Rodrigues Paes
Entidades(es):
Congreso: II Congreso Internacional de Deportes de Equipo
Pontevedra: 21-23 de Septiembre de 2006
ISBN: 978-84-613-1660-1
Palabras claves: pedagogía, deporte, aprendizaje, colectívo

RESUMO

Discutir e promover reflexões sobre o ensino e aprendizagem dos Jogos Esportivos Coletivos é uma tarefa que pode ser realizada levando-se em conta diferentes abordagens. Optou-se, neste ensaio, pela dimensão pedagógica. Os indicativos da proposta aplicada ao ensino dos jogos coletivos foram construídos levando-se dois pontos em consideração: a) o momento atual da iniciação esportiva no Brasil e os ambientes de educação formal e não-formal; e b) mudanças de regra e suas influências na estrutura técnico-tática do jogo coletivo. Além dos pontos balizadores, considerou-se também, como pressuposto, a importância do esporte no processo de educação e formação integral dos alunos. Cinco aspectos foram destacados: o movimento, princípios filosóficos, psicologia, inteligências múltiplas e o social. As situações de jogo e o próprio jogo, em suas diferentes formas, tornam-se facilitadores do processo de ensino dos jogos coletivos. Tal afirmação é justificada levando-se em conta a imprevisibilidade como característica do jogo, a possibilidade de criação presente nos jogos, e, por fim, a complexidade inerente às situações de jogo e ao jogo propriamente dito.

O esporte contemporâneo apresenta características que evidenciam sua evolução. Entre outras, a pluralidade, o fascínio exercido entre os cidadãos, o aumento da oferta e da procura, bem como a ampliação de ambientes para o consumo em suas diferentes possibilidades. Neste início de século tem havido um crescimento significativo de praticantes: crianças, jovens, adolescentes, adultos, idosos. Esse aumento de demanda verifica-se também nos diversos segmentos da sociedade (PAES, BALBINO, 2009). Diante desse contexto, torna-se necessário discutir permanentemente a iniciação ao esporte. Este texto pretende contribuir com as discussões, tendo como objeto de estudo os jogos esportivos coletivos. As reflexões aqui propostas serão construídas a partir de dois indicativos:

  1. Momento atual da iniciação esportiva no Brasil e os ambientes de educação formal e não-formal, e
  2. Mudanças de regras e suas influências na estrutura técnica e tática do jogo coletivo.

Além desses indicativos, pretende-se defender como idéia central a importância do esporte no processo de educação e formação integral dos alunos. Para melhor convivência com o fenômeno esporte de forma geral e, em especial tratando da iniciação esportiva, torna-se prudente conhecer e considerar seus aspectos negativos e positivos. Entre seus aspectos negativos, aqui compreendidos como problemas, destacam-se: iniciação pautada pela repetição de gestos, especialização esportiva precoce, fragmentação de conteúdos, e a exclusão de alunos. Entre os aspectos positivos destacam-se: surgimento de novas modalidades e de novos ambientes para práticas esportivas, diversificação de personagens e aumento da demanda. Visando melhor discutir a iniciação esportiva é preciso levar em conta as múltiplas dimensões do fenômeno esporte. A não ser assim, pode-se restringir o processo de ensino, vivência e aprendizagem esportiva a práticas descontextualizadas do mais nobre significado do esporte: a Educação (FREIRE, 1997). Assim, a iniciação esportiva limita-se à minimização de tempo, maximização da força e da precisão, apresenta como foco principal o resultado do jogo e as idéias são organizadas com ênfase nos aspectos físicos, técnicos e táticos. Este procedimento gera pouco interesse nos alunos e acabam contribuindo para a evasão dos mesmos da prática esportiva. Certamente os aspectos técnicos são importantes na convivência com o esporte no processo educacional, entretanto não são únicos. O esporte contemporâneo exige que a relação ensino, vivência e aprendizagem ultrapassem os limites do movimento, agregando aspectos fundamentais tanto do pensamento quanto do sentimento. Para tanto, faz-se necessário um novo olhar para o ensino dos Jogos Esportivos Coletivos. É preciso buscar, de forma continuada, novos procedimentos visando proporcionar aos alunos uma iniciação esportiva mais competente (FERREIRA, 2009). No Brasil , a iniciação esportiva, em especial dos Jogos Esportivos Coletivos, ocorre preferencialmente, em dois cenários: Educação formal (escola) e educação não formal (clubes, academias, ONGs, Sistema S, entre outros). Em cada cenário verificam-se situações-problema específicos. No caso da escola, o ensino do esporte apresenta-se de forma fragmentada, com aulas repetitivas e desvinculadas do projeto pedagógico (PAES, BALBINO, 2009). Quanto aos ambientes de educação não-formal, as situações-problema concentram-se na iniciação esportiva priorizando “formação de atletas” com resultado em curto prazo, bem como ênfase às habilidades específicas. Diante dessa situação, a pedagogia do esporte resume-se a seqüências pedagógicas de gestos e movimentos, e valoriza a repetição de forma especializada com foco principal à aprendizagem da técnica. Essa situação revela um procedimento inadequado, uma vez que o gesto técnico não deve ser trabalhado isoladamente, deve estar sempre associado ao contexto do jogo e às características do aluno (BUNKER e THORP, 1986). A problematização inicial revela preocupações quanto aos cenários, no entanto também são identificados problemas relativos aos procedimentos pedagógicos adotados na iniciação esportiva, em especial na iniciação aos Jogos Esportivos Coletivos. Neste momento, o foco das reflexões desloca-se para questões inerentes às regras dos jogos. Uma característica bem definida e importante do esporte contemporâneo refere-se às mudanças de regras. Estudos atribuem tais mudanças à profissionalização e mercantilização do esporte (PAES, 2000). A mídia exerce um papel de protagonista, cada vez maior, nesse processo de modificações nas regras institucionais do jogo. Obviamente, tais mudanças ocorrem visando atender as exigências da mídia (tempo, espaço, imprevisibilidade, etc.). Algumas modalidades, como por exemplo o voleibol, o basquetebol, o futsal, sofreram mudanças significativas, tornando os jogos coletivos, que são jogos de transição, em jogos com decisões mais rápidas. É possível verificar esta afirmação na modalidade basquetebol na qual a posse de bola passou de 30’ para 24’.  Os jogos coletivos, que são jogos de precisão, apresentaram modificações que buscam tornar esta precisão mais rigorosa. Pode-se verificar esta afirmação na modalidade voleibol que passou a usar o sistema de pontuação direta. Entre as modalidades que mais sofreram modificação destaca-se o futsal. Nela, até mesmo o nome foi mudado, pois antes era chamado de Futebol de Salão. Nessa modalidade as modificações passaram pelo tamanho e peso da bola até as funções e posicionamentos táticos (como por exemplo o do goleiro) (SANTANA, 2008). Enfim, abordar a temática de mudança de regras nos Jogos Esportivos Coletivos implica numa tarefa pontual de discussões e reflexões específicas, ou seja, mudanças de regras nos Jogos Esportivos Coletivos pode ser objeto de estudo que merece uma abordagem exclusiva. Seguramente, trata-se de um tema absolutamente fértil para estudos e pesquisas. Não é este o objetivo almejado por este ensaio. Pretende-se sim analisar e refletir sobre as implicações de tais modificações no processo de ensino, vivência e aprendizagem dos Jogos Esportivos Coletivos. As modificações impostas têm sido tão significativas que deveriam ser levadas em consideração na organização, planejamento, sistematização, aplicação e avaliação dos procedimentos pedagógicos no processo de ensino dos jogos coletivos. Seus fundamentos técnicos são realizados com maior velocidade e desequilíbrio, e os sistemas táticos (defensivos, de transição e ofensivos) dever ser organizados mais rapidamente. Sendo assim, acentua-se a necessidade de proporcionar aos alunos iniciantes vivências similares às situações de jogo e ao jogo propriamente dito. Reforça-se, portanto, a importância em oferecer aos alunos iniciantes situações-problema semelhantes às situações encontradas no tempo, na forma e no espaço do jogo. Após tais considerações iniciais acerca da iniciação/ambiente e iniciação/regras, discussões e reflexões serão direcionadas à defesa do esporte no processo de formação integral do aluno. Dessa forma, busca-se alicerçar o pensamento em cinco pontos:

  1. Movimento. A iniciação esportiva deve estar sempre atenta ao desenvolvimento das capacidades físicas e à aquisição das habilidades motoras básicas e específicas;
  2. Princípios filosóficos. É de suma importância estabelecer valores, princípios e modos de comportamento fundamentais para o processo sócio-educacional. Portanto, é preciso estimular a cooperação, participação e co-educação;  além de proporcionar diversificação e autonomia para a convivência com o esporte;
  3. Psicologia. A iniciação esportiva nos jogos coletivos deve preocupar-se com aspectos relativos à motivação, ansiedade e auto-estima;
  4. Inteligências Múltiplas. Diante da complexidade do jogo coletivo, é importante proporcionar aos alunos o desenvolvimento das inteligências. Considerando estudos de Balbino e Paes (2007), citamos as inteligências cinestésio-corporal, espacial, intra-pessoal, inter-pessoal, lógico-matemática, verbal lingüística, rítmica e naturalística. ; e
  5. Social. Os jogos coletivos são ricos em situações que envolvem a convivência com diferentes pessoas e situações. Neste sentido, a iniciação esportiva deve também priorizar as relações de amizade.

Com a perspectiva de apresentar indicadores para a construção de uma proposta de aplicação para o ensino, vivência e aprendizagem dos jogos esportivos coletivos, tanto na educação formal quanto na não-formal, destacam-se aspectos relevantes que podem contribuir com o processo. É preciso considerar a imprevisibilidade causada pelas constantes mudanças de regras do jogo. O jogo coletivo requer, cada vez mais, a execução de movimentos de forma aberta, portanto estimular a criatividade dos alunos é fundamental. É preciso considerar ainda que o jogo coletivo, em seus aspectos técnicos e táticos, apresenta múltiplas possibilidades, caracterizando situações-problema complexas, sendo necessário, para solucioná-los, múltiplas competências. Diante do exposto, novamente as situações de jogo, em suas diferentes formas (cooperativo, reduzido, adaptado, possível, etc.) tornam-se facilitadores imprescindíveis ao processo de ensino, vivência e aprendizagem dos Jogos Esportivos Coletivos (GALATTI, PAES, 2007). A pedagogia do esporte, tanto em nível de iniciação quanto de treinamento, constitui-se em assunto obrigatório em congressos que abordam a educação física e o esporte. A iniciação esportiva busca, cada vez mais, embasamento científico. Uma das evidências científicas refere-se à necessidade de elaboração de diagnósticos. Não há hipótese de planejar e, sobretudo, de dar ao esporte um tratamento pedagógico sem diagnóstico. Com base nessa evidência, cabe à pedagogia do esporte a responsabilidade de organizar a complexidade do ambiente, seja na educação formal ou não-formal (SANTANA, 2005). Outra evidência que deve ser considerada refere-se às mudanças de regras. Tais mudanças interferem na estrutura técnico-tática dos jogos coletivos, devendo portanto levar em conta tais mudanças no processo de iniciação esportiva. O objetivo primeiro da iniciação esportiva é dar ao aluno a oportunidade de conhecer o esporte, vivenciar sua prática com prazer e alegria, proporcionando-lhes posteriormente autonomia para conviver com o esporte enquanto fenômeno. Para tanto, a pedagogia do esporte, especialmente ao tratar da iniciação aos jogos coletivos, deve preocupar-se com procedimentos pedagógicos centrados em quem executa o gesto, proporcionando a identificação e resolução de problemas, estimulando a criação de novos gestos, transformando a iniciação esportiva dos jogos coletivos em aprendizagem social.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

  • BALBINO, H. F.; PAES, R. R. Jogos Desportivos Coletivos e as Inteligências Múltiplas: bases para uma proposta em pedagogia do esporte. (2007). Hortolândia: Unasp
  • BUNKER; THORPE. The curriculum model. Rethinking Games Teaching. Loughborough University of Technology, n. , p.7-10, 05 out. 1986. Disponível em: http://www.educ.uvic.ca/Faculty/thopper/index.htm. Acesso em: 25 maio 2008
  • FERREIRA, H. B. Pedagogia do esporte: identificação, discussão e aplicação de procedimentos pedagógicos no processo de ensino-vivência e aprendizagem da modalidade basquetebol. 2009. 240f. Dissertação (Mestrado em Educação Física)-Faculdade de Educação Física. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2009.
  • FREIRE, J.B. Esporte Educacional (1997). In: BARBIERI, C. A. S. Esporte Educacional. Brasília: M.E., 77-83.
  • GALATTI, L. R.; PAES, R. R. Pedagogia do Esporte: iniciação em basquetebol (2007). Hortolândia: Unasp
  • PAES, R. R. (2000). Esporte Competitivo e Espetáculo Esportivo. In: MOREIRA, W.W.; SIMÕES, R. (Org.) Fenômeno Esportivo no Início de Um Novo Milênio. pp 33-39. Piracicaba: Editora Unimep.
  • PAES, R. R.; BALBINO H. F. A Pedagogia do Esporte e os Jogos Coletivos. (2009) In: De Rose Jr., D. (Org.) Esporte e atividade física na infância e na adolescência: uma abordagem multidisciplinar. 2ª Ed.  pp.73-83. Porto Alegre: Artmed
  • SANTANA, W. C. Pedagogia do esporte na infância e complexidade. In: PAES, R. R; BALBINO, H. F. Pedagogia do esporte: contextos e perspectivas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.
  • SANTANA, W.C. A Visão Estratégico-Tática de Técnicos Campeões da Liga Nacional de Futsal. 2008. Tese de Doutorado – Faculdade de Educação Física. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2008.

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