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15 jun 2012

Percepção de atletas seniores sobre o comportamento do treinador

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A questão sobre o que é um bom treinador motivoua aplicação do instrumento Escala de Liderança no Desporto (ELD) versão percepção a atletas seniores de diversos desportos.

Autor(es): Sara Almeida & Rui Resende
Entidades(es): Instituto Superior da Maia; Portugal
Congreso: I Congreso Internacional de Deportes de Equipo
Universidade da Coruña, 7, 8 y 9 de mayo de 2009
ISBN: 978-84-613-1659-5
Palabras claves: Liderança; Treinador e Atletas

Percepção de atletas seniores sobre o comportamento do treinador

Resumen

A questão sobre o que é um bom treinador motivoua aplicação do instrumento Escala de Liderança no Desporto (ELD) versão percepção a atletas seniores de diversos desportos. Estabeleceu-se a comparação entre grupos distintos de atletas (idade, género, escolaridade, modalidade praticada, anos de prática como atleta e anos de prática com o treinador actual) relativamente às 5 dimensões de comportamento: Treino-Instrução, Suporte Social, Reforço, Autocrático e Democrático. Em relação ao género existem diferenças no que concerne aos comportamentos de Reforço, Suporte Social e Treino-Instrução; Entre modalidades (colectivas e individuais) existem diferenças em todos os comportamentos; Entre anos de experiência como atletas existem diferenças nos comportamentos do treinador Democrático e de Treino-Instrução; De acordo com o tempo com o treinador actual existem diferenças em todas as dimensões excepto no comportamento democrático; Relativamente à idade verificaram-se diferenças nos comportamentos Autocrático e de Treino-Instrução; Quanto à formação académica existem diferenças nos comportamentos de Reforço, Suporte Social e Treino-Instrução.

INTRODUÇÃO

O ser treinador exige conhecimentos e requer experiências que transcendem as aquisições de uma carreira desportiva como atleta, por mais destacado que ele tenha sido. Segundo Bruceta (1996), os treinadores pensam e decidem os objectivos a alcançar pelos atletas a seu cargo, planificam o trabalho a realizar, decidem o tempo de treino e a estratégia a seguir na competição, dão instruções, aprovam ou recriminam acções, animam, criticam, etc. Têm, definitivamente, uma grande responsabilidade global sobre o rendimento dos seus atletas e, por isso, o seu próprio comportamento incide consideravelmente sobre o esse rendimento. Ainda de acordo com o mesmo autor, apesar de ser importante o conhecimento que o treinador possui, é a sua competência na sua aplicação que distingue a intervenção de excelência da mera intervenção comum. Está inerente à função do treinador a responsabilidade da direcção do processo de treino pelo qual os atletas se preparam para a performance, por conseguinte a análise do seu comportamento assume-se como uma preocupação fundamental na actualidade desportiva.
Em Portugal ser treinador ainda não é uma actividade reconhecida a nível social como uma profissão. Ainda impera socialmente que para ser treinador basta ter sido um antigo atleta que com boa vontade orienta um grupo num determinado desporto. Estas ideias vêm progressivamente a ser alteradas pela emergência de personalidades que incorporam um saber específico com resultados evidentes a nível desportivo. Assim, a profissão como um todo tende a ter certas características, incluindo um conhecimento de base, uma prática profissional, habilidades únicas, uma carreira estruturada, uma filosofia, ética e um código de prática, requerimentos para exercer, avaliação de eficiência, e uma associação profissional (Woodman, 1993). Assumindo, desta forma, como agente de ensino e condutor de comportamentos uma responsabilidade inegável em termos educativos (Sarmento, 1992).
Segundo Damásio & Serpa (2000), a questão em torno do “bom” treinador é determinante, sendo actualmente tema de grande discussão, uma vez que os comportamentos adequados dos treinadores são específicos de cada situação, resultando de quatro ordens de factores: (1) Características da actividade desportiva; (2) Características dos jogadores; (3) Características dos treinadores e; (4) Do enquadramento situacional. Para estes autores, não existem treinadores excelentes, homem sem defeitos com comportamentos modelares, no entanto o treinador expert tem provavelmente que ter experiência significativa e uma prática de sucesso (Dodds et al, 1994). De acordo com Mclallister et al, (2000), existe alguma inconsistência no que diz respeito à filosofia que os treinadores dizem seguir e o comportamento que eles adoptam perante os atletas. Segundo Sternberg Horn & Lox, (1993) os comportamentos dos treinadores dependem das expectativas que os mesmos possuem dos atletas.
De acordo com Weimin (1991) um treinador deve ser um educador, um director do treino e um manager quotidiano das coisas da vida. Um treinador deve ser ambicioso e auto disciplinado, deve fazer face aos seus jogadores, um colectivo que exige competências de líder.
No nível expert, o treinador deve ter adquirido conhecimentos de liderança perspicaz e possuir habilidades consideráveis. Espera-se que execute optimamente numa variabilidade de situações complexas para as quais não existiam necessariamente soluções prévias. A competência pode ser pensada como a habilidade para reproduzir respostas avançadas, e criar respostas a problemas complexos ou situações de treino, Bagnell (1998).
Para Douge & Hastie (1993), os treinadores experts em geral, frequentemente: (1) Providenciam feedbacks e incorporam numerosos incitamentos e pressões; (2) Providenciam elevados níveis de correcção e re-instrução; (3) Usam grandes níveis de questões e esclarecimentos; (4) Estão predominantemente comprometidos na instrução e; (5) Orientam o ambiente de treino para terem uma ordem considerável.
Com base em estudos descritivos da relação pedagógica entre o treinador e os atletas Gonçalves (1987) refere que, de modo a conferir eficácia à sua actuação, um “bom” treinador é aquele que integra no seu grupo de trabalho os seguintes factores: (1) Organização do treino: (2) Definição clara dos objectivos a perseguir; (3) Escolha rigorosa das actividades; (4) Previsão da duração dos exercícios e do número de repetições; (5) Boa utilização do material disponível; (6) Plano da sequência de treino, de forma a diminuir os tempos de transição; (7) Apresentação das actividades (informação clara e precisa); (8) Maximização do tempo de empenhamento motor dos atletas (para que a actividade seja significativa); (9) A observação e a reacção à prestação motora dos atletas (feedback pedagógico) e; (10) A criação de um clima positivo (reforços positivos).

Modelo multidimensional de liderança no desporto
Embora no senso comum se envolvam uma série de características para se estabelecer uma concepção teórica deste processo, a definição de liderança não é tarefa fácil (Dosil, 2004). Segundo Murray (1991), alguns autores definem a liderança, como um processo de condutas, pelo meio do qual, um indivíduo influencia outros para que se realize o que ele quer. Na opinião do mesmo autor, ao contrário desta visão redutora, a liderança deve ser percepcionada como uma espécie de um contrato psicológico que é estabelecido entre os treinadores e os atletas, onde os primeiros são autorizados, quer no plano formal ou informal, a decidir pelos segundos.
O modelo multidimensional de liderança desenvolvido por Chelladurai (1984) gerou inúmeros estudos que examinaram o comportamento de liderança dos treinadores. Para além do comportamento do líder, os seus antecedentes e as suas consequências, constituem os elementos principais desde modelo de liderança no desporto.
A componente central deste modelo assenta em três estados do comportamento do líder/treinador:

  • Comportamento actual;
  • Comportamento do treinador preferido pelos atletas;
  • Comportamento requerido (exigido).

Escala de Liderança no Desporto
A Leadership Scale for sport (LSS), foi desenvolvida por Chelladurai & Saleh (1978), e traduzida e adaptada para a população portuguesa por Serpa et al., (1988) citado por Rosado, A. (2005), passando a ser conhecida no nosso país por Escala de Liderança no Desporto (ELD). Este instrumento de avaliação é composto por 3 versões: Auto percepção (que nos revela a percepção do treinador do seu próprio comportamento), percepção (que se refere à percepção que os atletas têm do comportamento do seu treinador) e preferência (que diz respeito às preferências dos atletas pelo comportamento do treinador).
A Escala de Liderança no Desporto é composta por 5 dimensões de comportamento: Treino-Instrução, Suporte Social, Reforço (feedback positivo), Autocrático e Democrático. Este questionário é composto por 40 itens nas quais a categoria das respostas está quantificada em 5 respostas possíveis, dadas em uma escala tipo Likert em que 5 corresponde a “sempre”, 4 a “frequentemente, 3 a “ocasionalmente”, 2 a “raramente” e 1 a “nunca”.

METODOLOGIA

Participantes
Para a realização deste estudo caracterizamos os participantes, no que diz respeito à idade, género, escolaridade (ensino superior ou não superior), modalidade que pratica, anos de prática como atleta e anos de prática com o treinador actual.
De forma a darmos resposta aos nossos objectivos específicos utilizamos um questionário em 205 atletas seniores de várias modalidades (Atletismo, Andebol Basquetebol, Futebol, Hóquei em patins, Natação e Voleibol) A média da idade dos atletas é de 21.3 (±3.8) registando-se que a maioria dos inquiridos se situa entre os 17 e os 22 anos. Responderam ao questionário um total de 205 atletas residentes no distrito do Porto, 72.2% do sexo masculino (n=148) e 27.8% do sexo feminino (n=57). A propósito da desigualdade quanto ao género, Potrac & Jones (1999), notam que o recrutamento é influenciado pela cultura prevalecente construída sobre a posição do homem e da mulher na sociedade.
No presente estudo, as habilitações académicas revelam que 144 dos atletas não possuem ensino superior e com ensino superior ou em via de o obter contamos 60 atletas.
A maioria dos inquiridos do nosso estudo, 52 atletas (25.4%) praticam a modalidade de Futebol, em segundo lugar surge o Voleibol e o Atletismo com 40 atletas (19.5%) respectivamente. Com uma percentagem menor de inquiridos temos a Natação e o Andebol com 25 (12.2%) e 23 (11.2%). Para finalizar surge o Hóquei em patins com 13 atletas (6.3%) e o Basquetebol com 12 (5.9%).
Ao agrupar os atletas em modalidades individuais e colectivas registamos uma maioria de atletas a praticar desportos colectivos com 68.3% (n=140) e nos desportos individuais 31.7% (n=65).
Relativamente aos anos de prática desportiva, dividimos a amostra em dois grupos distintos: O grupo de atletas que tem um tempo de prática entre um a nove anos de actividade, 46.3% (n=95), e o grupo de atletas com mais de dez anos de actividade, 53.7% (n=110).
Em relação aos anos de prática desportiva com o treinador actual também dividimos a amostra em dois grupos distintos: O grupo de atletas que pratica actividade desportiva sob a direcção do mesmo treinador entre um e quatros anos (78.5%; n=161) e os atletas que estão junto ao mesmo treinador à mais de cinco anos (21.5%; n=44).
Relativamente à formação académica 29.5% (n=60) dos atletas possuem ensino superior e os restantes 70.5% (n=144) possuem o ensino secundário.

Instrumento
O questionário utilizado no nosso estudo foi a escala de liderança no desporto adaptado por Serpa et al., (1988) citado por Rosado, A. (2005).
A importância das questões colocadas é avaliada através de uma escala de Likert de cinco itens (Nunca, Raramente, Ocasionalmente, Frequentemente e Sempre). Pretende-se obter um conhecimento global dos comportamentos que estão inerentes ao “bom” treinador de acordo com a percepção dos atletas.
A Escala de liderança no desporto é constituída por 40 itens que se distribuem por 5 dimensões do comportamento do líder/treinador. A versão escolhida para a realização deste estudo foi a versão percepção. A razão pela qual escolhemos esta versão foi devido ao facto de queremos conhecer melhor a opinião de atletas seniores de diferentes modalidades sobre o comportamento que um “bom” treinador deve ter.
A pontuação de cada dimensão obtém-se através do cálculo da média aritmética dos valores atribuídos aos vários itens que as compõem.
Nos respectivos questionários serão analisadas as seguintes dimensões: (1) Treino-Instrução (2); Comportamento Democrático; (3) Comportamento Autocrático; (4) Suporte Social e; (5) Reforço (feedback positivo)

Procedimento

A recolha de dados decorreu entre os meses de Fevereiro, Março e Abril de 2007. Optámos pela entrega e recolha do questionário por mão própria, uma vez que esta estratégia nos parecia ser a mais segura na obtenção de uma taxa e retorno elevada. Foram distribuídos os questionários a vários atletas das modalidades citadas. A utilização desta técnica foi possível graças a condições humanas (equipas), organizacionais (treinadores) o que contribui para explicar os motivos e objectivos do estudo, motivar os inquiridos para o preenchimento dos questionários e prestar todo o esclarecimento sobre eventuais dúvidas. Após a entrega dos questionários, o preenchimento dos mesmos demorava cerca de 10 minutos.

APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Comparação das dimensões em estudo em função do género
Considerando a variável género importante para indagar sobre o comportamento percepcionado sobre o que é um “bom” treinador podemos verificar que existem diferenças significativas entre género relativamente às suas percepções no que concerne aos comportamentos de Reforço (P=0.00), Suporte Social (P=0.00) e Treino-Instrução (P=0.00). Relativamente ao comportamento de Reforço, os atletas acham que um “bom” treinador deve adoptar sempre (4.5) este tipo de comportamento enquanto que as atletas acham que um “bom” treinador deve adoptar este tipo de comportamento frequentemente (3.83). Os atletas (n=148) comparativamente às atletas (n=57) acham que um “bom” treinador deve adoptar mais frequentemente o comportamento de Suporte Social. Relativamente ao comportamento de Treino-Instrução os atletas percepcionam que um “bom” treinador adopte este comportamento sempre (4.49), já os atletas do sexo feminino acham que um “bom” treinador deve adoptar esse comportamento frequentemente (4.00).
Se analisarmos as dimensões na sua generalidade podemos verificar que, o comportamento mais percepcionado pelos atletas do sexo masculino é o de Reforço, contrariamente ao sexo feminino que percepciona o comportamento de Treino-Instrução como o mais utilizado.
Estes resultados são coincidentes com os estudos desenvolvidos por Chelladurai, col., (1984) e Chelladurai & Riemer (1999) onde existe uma predominância dos comportamentos de Reforço. Já nos estudos de Pinard & Lacoste (1987) este comportamento surge em segundo lugar no qual o Treino-Instrução é percepcionado como o mais verificado. 

Comparação das dimensões em estudo em função das modalidades colectivas e individuais
Existem diferenças significativas entre modalidades (colectivas e individuais) relativamente às percepções dos atletas em todas as dimensões estudadas (P=0.00). Relativamente ao comportamento Democrático os atletas dos desportos individuais acham que o treinador deve adoptar este comportamento frequentemente (3.62), já os atletas das modalidades colectivas acham que este comportamento deve ser adoptado em média ocasionalmente (3.23).
Ao analisarmos as percepções dos atletas das modalidades individuais em relação ao comportamento Autocrático, podemos verificar que nestas os atletas acham que um “bom” treinador deve adoptar este comportamento raramente (2.34), já os atletas das modalidades colectivas acham que este tipo de comportamento deve ser utilizado em média frequentemente (2.85). Estes dados podem-se constatar igualmente em Salminen & Liukkonen (1996) que reconhecem que, as relações treinador-atleta são mais próximas nos desportos individuais.
No que concerne ao comportamento de Reforço podemos verificar que em média, os atletas dos desportos individuais revelam que este comportamento deve ser adoptado mais frequentemente (4.44) do que os atletas dos desportos colectivos (3.82). Se debruçarmos a nossa análise sobre o comportamento de Suporte Social podemos verificar que, nas modalidades individuais os atletas acham que um “bom” treinador deve adoptar este comportamento mais frequentemente (3.87) do que os atletas das modalidades colectivas (3.49). Por fim, ao analisarmos a percepção dos atletas relativamente ao comportamento de Treino-Instrução, podemos verificar que, os atletas das modalidades individuais acham que, este comportamento deve ser adoptado mais frequentemente (4.36) do que os atletas das modalidades colectivas (4.03).
Como podemos verificar o comportamento mais percepcionado pelos atletas tanto das modalidades individuais como das colectivas é o de Reforço. O mesmo se verifica em estudos desenvolvidos por Chelladurai (1993) que apontam para a predominância do comportamento de Reforço. Estes resultados confirmam a emissão de feedbacks por parte do treinador dirigido aos atletas. Contrariamente a este estudo podemos tecer uma comparação com um estudo referido por Chelladurai (1984) realizado em 1983 por Fry, Kerr & Lee no qual comparam a percepção do técnico com sucessos em desportos colectivos e desportos individuais sugerindo que no primeiro caso os treinadores são mais voltados para a tarefa enquanto que no segundo são mais voltados para relações humanas.

 

Comparação das dimensões em estudo em função da experiência como atleta
Existem diferenças significativas entre as classes de atletas com mais ou menos anos de experiência de actividade física, no que concerne aos comportamentos do treinador, Democrático (P=0.12) e de Treino-Instrução (P=0.00). Relativamente aos atletas que estão compreendidos na classe com mais de dez anos de experiência (n=110), no que concerne ao comportamento Democrático, acham que, o “bom” treinador deve adoptar este comportamento mais ocasionalmente (3.44) do que os atletas que estão compreendidos entre um a nove anos de experiência (3.25).
No que diz respeito ao comportamento de Treino-Instrução, os atletas com mais de dez anos de experiência acham que, um “bom” treinador deve adoptar este tipo de comportamento mais frequentemente do que os atletas que possuem entre um a nove anos (n=95) de experiência. O que se verifica também para Douge & Hastie (1993), que nos dizem que, os treinadores experts em geral estão predominantemente comprometidos no Treino-Instrução. Podemos também sugerir que quanto maior for o tempo de experiência dos atletas maior é a importância dada aos comportamentos de Treino-Instrução.
Alguns estudos realizados por Smoll & Smith (1984) revelam que, a opinião dos jovens acerca dos seus treinadores pode não ser muito precisa, no entanto, as suas opiniões vão estar fortemente dependentes da experiência que eles próprios viveram e do relacionamento que os treinadores com eles estabeleceram.

Comparação das dimensões em estudo em função da experiência com o treinador actual
Existem diferenças significativas, entre os atletas que possuem mais anos de treino com o treinador actual, relativamente às suas percepções dos comportamentos Autocrático (P=0.00), Reforço (P=0.00), Suporte Social (P=0.00) e Treino-Instrução (P=0.00). Sendo que, relativamente ao comportamento Autocrático os atletas que treinam entre um a quatro anos (n=161) com o treinador actual, acham que o comportamento de um “bom” treinador deve ser ocasionalmente (2.77) Autocrático, já os atletas que treinam à mais de 5 anos (n=44) com o seu treinador actual, acham que este comportamento deve ser adoptado raramente (2.41).
Relativamente ao comportamento de Reforço, os atletas que treinam à mais de 5 anos com o treinador actual, acham em média, que este comportamento deve ser adoptado mais frequentemente (4.35) comparativamente com os atletas que apenas treinam com o treinador actual entre um a quatro anos (3.92). Estes resultados vão de encontro às considerações de Douge & Hastie (1993), que afirmam que, os treinadores experts em geral frequentemente providenciam feedbacks e incorporam numerosos incitamentos e pressões.
No que concerne ao comportamento de Suporte Social, os atletas que treinam à mais de 5 anos com o treinador actual, acham em média, que este comportamento deve ser adoptado mais frequentemente (3.90) comparativamente com os atletas que apenas treinam com o treinador actual entre um a quatro anos (3.53).
Por fim, analisando o comportamento de Treino-Instrução, podemos verificar que, os atletas que treinam à mais de 5 anos com o treinador actual, acham em média, que este comportamento deve ser adoptado mais frequentemente (4.35) comparando com os atletas que apenas treinam com o treinador actual entre um a quatro anos (4.08).
Podemos sugerir que com a convivência que os atletas possuem com o treinador actual, os mesmos vão dando uma maior importância a comportamentos de Treino-Instrução, Reforço e Suporte Social, pois segundo Chelladurai & Saleh (1978) o comportamento do treinador caracteriza-se pelo interesse acerca dos atletas e do seu bem-estar, que procura um bom ambiente de grupo e um bom relacionamento pessoal com os atletas.

Comparação das dimensões em estudo em função das idades dos atletas
Existem diferenças significativas entre as duas classes nos comportamentos Autocrático (P=0.00) e de Treino-Instrução (P=0.03). Relativamente ao comportamento Autocrático, os atletas compreendidos entre os 17 e os 22 anos (n=135) acham que, este comportamento deve ser adoptado por um “bom” treinador mais ocasionalmente (2.80) do que os atletas com idades superiores a 23 anos (n=70) (2.48). Este tipo de comportamento não é muito apreciado pelos atletas visto que cria um distanciamento muito grande entre as duas partes, acentuando a autoridade pessoal na forma como o treinador trata os atletas (Manso, 1996).
Relativamente ao comportamento de Treino-Instrução os atletas que se incluem na escala de 17 a 22 anos acham que este comportamento deve ser adoptado por um “bom” treinador menos frequentemente (4.08) do que os atletas com idades superiores a 23 anos (4.25).
Analisando os resultados podemos verificar mais uma vez que quanto maior a idade do atleta maior a sua percepção relativamente aos comportamentos direccionados para a tarefa (Treino-Instrução).

Comparação das dimensões em estudo em função da formação académica
Existem diferenças significativas entre as duas classes de formação académica nos comportamentos de Reforço (P=0.24), Suporte Social (P=0.36) e Treino-Instrução (P=0.00). Relativamente ao comportamento de Reforço, os atletas que possuem ensino superior (n=60) acham que, este comportamento deve ser adoptado por um “bom” treinador mais frequentemente (4.18) do que os atletas com o ensino secundário (n=144) (3.95). Segundo Leith (1992), todo o comportamento que seja devidamente recompensado ou elogiado, tem mais probabilidade de ser repetido no futuro (Reforço).
No que concerne ao comportamento de Suporte Social os atletas com uma formação académica ao nível do ensino superior, percepcionam que este comportamento deve ser adoptado por um “bom” treinador mais frequentemente (3.74) do que os atletas com ensino secundário (3.56). Por fim, relativamente à percepção que os atletas possuem acerca do comportamento de Treino-Instrução, os dados demonstram que os atletas com ensino superior acham que um “bom” treinador deve adoptar este comportamento em média mais frequentemente (4.38) do que os atletas com o ensino secundário (4.03).
Como a maioria dos inquiridos com formação académica ao nível do ensino superior pertenciam ao curso de Educação Física e Desporto podemos sugerir que estes já possuíam uma visão holística acerca desta temática mais alargada do que os outros atletas em questão, por isso mesmo, deram maior ênfase aos três comportamentos em questão.

CONCLUSÃO

Cada vez mais na actualidade os treinadores assumem uma responsabilidade inegável em termos educativos. Possuem uma grande influência sobre os jovens com quem trabalham, através da forma como expõem as suas matérias, como se comportam perante os atletas e como assumem o seu papel perante os mesmos.
Relativamente ao comportamento ideal de um “bom” treinador será difícil encontrar um consenso generalizado sobre este tema. Como podemos constatar ao longo do nosso estudo, este factor é influenciado por inúmeras variáveis como, a idade dos atletas, a experiência, o género, a modalidade, e outras.
Por conseguinte, através do estudo que se apresenta, sobre o que é ser um “bom” treinador de acordo com a percepção dos atletas seniores de modalidades diversas, podemos concluir o seguinte:
(1) Existem diferenças significativas entre géneros relativamente às suas percepções no que concerne aos comportamentos de Reforço, Suporte Social e Treino-Instrução;
(2) Existem diferenças significativas entre modalidades (colectivas e individuais) relativamente às percepções dos atletas em todos os comportamentos (Democrático, Autocrático, Reforço, Suporte Social e Treino-Instrução);
(3) Existem diferenças significativas entre as classes de atletas com mais ou menos anos de experiência de actividade física, no que concerne aos comportamentos do treinador Democrático e de Treino-Instrução;
(4) Existem diferenças significativas, entre os atletas que possuem mais anos de treino com o treinador actual, relativamente às suas percepções dos comportamentos Autocrático, Reforço, Suporte Social e Treino-Instrução;
(5) Existem diferenças significativas nos atletas com mais de 23 anos nos comportamentos Autocrático e de Treino-Instrução;
(6) Existem diferenças significativas entre as duas classes de formação académica nos comportamentos de Reforço, Suporte Social e Treino-Instrução.

 

 

Bibliografía

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