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23 sep 2006

Teste de wingate realizado com membros superiores e inferiores em crianças pré-adolescentes futebolistas

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O teste de Wingate (WAnT) é um procedimento laboratorial de referência na avaliação anaeróbia pediátrica. Uma das vantagens deste procedimento é que permite a sua aplicação tanto para os membros inferiores como membros superiores, tendo sido largamente utilizado em crianças de diferentes faixas etárias mas pouco aplicado simultaneamente.

Autor(es): Fernandes, Renato 1 & Brito, João 1
Entidades(es): 1 Escola Superior de Desporto, Instituto Politécnico de Santarém, Portugal
Congreso: II Congreso Internacional de Deportes de Equipo
Pontevedra: 21-23 de Septiembre de 2006
ISBN:978-84-613-1659-5
Palabras claves: Potência Anaeróbia; Capacidade Anaeróbia; Wingate Test; Futebol. Anaerobic Power; Anaerobic Capacity; Wingate Test; Football.

Resumo

O teste de Wingate (WAnT) é um procedimento laboratorial de referência na avaliação anaeróbia pediátrica. Uma das vantagens deste procedimento é que permite a sua aplicação tanto para os membros inferiores como membros superiores, tendo sido largamente utilizado em crianças de diferentes faixas etárias mas pouco aplicado simultaneamente. Este estudo, pretende avaliar e relacionar a capacidade anaeróbia máxima com os membros superiores e inferiores de crianças pré-adolescentes futebolistas com o objectivo de identificar uma possível adaptação inerente à prática da modalidade. A amostra foi constituída por 11 sujeitos, com três anos de prática de futebol (idade: 11,27 anos ± 0,47; peso: 37,82 ± 4,14; IMC: 17,22 ± 1,84; VO2max/kg: 57,61 ± 7,29). Para avaliar a performance anaeróbia fizeram-se duas aplicações do WAnT num cicloergómetro Monark 894 E para os membros inferiores e superiores, seguindo os procedimentos protocolados. Foram avaliados 3 parâmetros relativos por teste: o Peak Power, Average Power e Power Drop. Os resultados das duas aplicações foram correlacionados através do coeficiente de correlação de Pearson (SPSS, ver. 15.0). Não se detectaram relações entre a capacidade anaeróbia máxima avaliada com o membros inferiores e a avaliada com os membros superiores para o grupo definido. Os resultados sugerem que não existe adaptação inerente à prática da modalidade. Comparando com estudos similares, estas crianças apresentam valores de capacidade anaeróbia superiores, não sendo no entanto, possíveis de explicar através dos testes laboratoriais aplicados.

ABSTRACT

The Wingate Anaerobic Test (WAnT) is a reference laboratorial procedure in the scope of paediatric anaerobic evaluation. One of the advantages of this procedure is that it allows a practical assessment for both lower and upper limbs, and it has been largely applied to children of different ages but less applied simultaneously. This study aims to evaluate and relate the Maximal Anaerobic Capacity (MAC) with the lower and upper limbs of pre-adolescent football players, with the purpose of identifying a possible adaptation inherent to the practice of the specific sport. The sample consisted in 11 football players, with 3 years of practice (age: 11,27 years-old ± 0,47; weight: 37,82 Kg ± 4,14; BMI: 17,22 Kg/m2 ± 1,84; VO2max/kg: 57,61 ± 7,29). To evaluate the anaerobic performance, 2 applications of the WAnT were made in a Monark 894 E cicloergometer to the lower and upper limbs, following the normative procedures. 3 relative parameters were assessed by each test: Peak Power, Average Power and Power Drop. The results of the 2 applications were correlated through Pearson’s r (SPSS, ver. 15.0). No relationships were found between the MAC evaluated with the lower and the upper limbs for the defined group. The results suggest that no physiological adaptations exist inherent to the practice of the specific sport. Comparing with similar studies, these children show superior anaerobic capacity values. However, these results were not possible to explain through the applied laboratorial tests.

INTRODUCCIÓN.

As respostas ao exercício, nomeadamente as respostas fisiológicas, são, desde que se iniciou a investigação em desporto e actividade física, uma das principais preocupações dos investigadores. Este tipo de investigação reportou-se desde cedo a uma faixa etária muito específica, a das crianças e jovens adolescentes. Com os resultados destes estudos foi possível analisar, prever e conhecer diversas variáveis as quais se mostraram muito importantes no conhecimento das características das crianças e dos jovens adolescentes. Parte importante da investigação nesta área com crianças e que continua a constituir um desafio é a avaliação da capacidade funcional anaeróbia. O teste de Wingate (WAnT) é um procedimento laboratorial de referência na avaliação anaeróbia pediátrica (Armstrong & Welsman, 2000; Bar-Or, 1996; Chia et al., 1997; Van Praagh, 1998). Uma das vantagens deste procedimento é que permite a sua aplicação tanto para os membros inferiores (trem inferior) como membros superiores (trem superior), tendo sido largamente utilizado em crianças de diferentes faixas etárias mas pouco aplicado simultaneamente (Inbar et al., 1996). Este estudo, pretende avaliar e relacionar a capacidade anaeróbia máxima com os membros superiores e inferiores de crianças pré-adolescentes futebolistas com o objectivo de caracterizar a performance anaeróbia de crianças pré-adolescentes no WAnT e identificar uma possível adaptação, ou como nos refere Bar-Or (1983), uma especialização metabólica, inerente à prática da modalidade, aqui evidente se as crianças possuam uma supremacia clara da performance na capacidade anaeróbia de um dos trens, superior ou inferior.

METODOLOGIA

A amostra do estudo é composta por um grupo de 11 crianças pré-adolescentes com idades compreendidas entre os 11 e os 12 anos pertencentes a uma equipa de Futebol das Caldas da Rainha. A amostra inclui cerca de 60% dos alunos desta equipa. São atletas que têm 3 treinos por semana orientados por um técnico licenciado em Educação Física e que praticam Futebol há pelo menos 3 anos neste clube. Para além do Futebol, são crianças que praticam desporto somente nas aulas de Educação Física ou então em actividades físicas ditas informais.

Tabela 1 – Idade, Peso, Altura e Índice Massa Corporal (IMC) da amostra.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

Para a avaliação do VO2max, variável importante na caracterização fisiológica da amostra, foi utilizado um Protocolo de Balke adaptado a crianças (Figura 1), comprovado por Rowland (1996) como sendo extremamente apropriado para crianças activas com mais de 10 anos de idade com base na fiabilidade obtida em estudos realizados anteriormente. Na realização deste teste foi utilizado o programa Quark b2 da Cosmed, versão 7.3 com base no espirómetro de gases expirados.

Figura 1 – Realização do Protocolo de Balke adaptado.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

Tabela 2 – Resultados da amostra no teste de VO2max.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

Para realizar os Testes de Wingate, o cicloergómetro utilizado foi o Monark 894 E. Nele foram realizados os testes com os membros inferiores (Figura 2) e com os membros superiores (Figura 3), sendo que nestes últimos foi necessário adaptar o cicloergómetro para que a sua utilização fosse de acordo com o protocolado na bibliografia (Inbar et al., 1996), para isso, foi colocado o cicloergómetro em cima de uma mesa estável e procedeu-se à mudança dos pedais para punhos manuais adaptados ao exercício de membros superiores. Adicionalmente, durante o teste, era necessário que a articulação gleno-umeral estivesse em linha com o fulcro dos pedais e que os elementos da amostra estivessem sentados numa cadeira, mas de maneira a que pudessem movimentar o tronco e os membros superiores nas melhores condições possíveis. A resistência adoptada na realização do WAnT com os membros inferiores foi de 0,075/kg e nos membros superiores foi de 0,05/kg, valores que, para as características da amostra em estudo, reuniam o consenso da literatura estudada. O programa de computador utilizado na recolha dos dados das variáveis do WAnT foi o Monark Anaerobic Test Software.

Figura 2 – Realização do Teste de Wingate (WanT) com os membros inferiores.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

Figura 3 – Realização do Teste de Wingate (WanT) com os membros superiores. Nota para a colocação de punhos especializados e a posição do indivíduo da amostra.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

O WAnT possui a capacidade de nos dar três variáveis de extrema importância: Peak Power (PP), Mean ou Average Power (AP) e Power Drop (PD). O primeiro reflecte o pico máximo de potência mecânica gerado no teste. É normalmente conseguido por volta dos 5 segundos e reflecte a capacidade do músculo para gerar a máxima potência num curto espaço de tempo. O AP reflecte a potência média e é medida pela média dos valores conseguidos no teste e reflecte a capacidade anaeróbia (Bar-Or, 1987; Van Praagh, 1998). O PD reflecte a perda de potência ao longo do teste, o que nos dá o índice de fadiga que se acumula, ou seja, representa o decréscimo da potência máxima para o valor mais baixo registado (Bar-Or, 1987). Para tratamento dos dados recorremos aos programas informáticos Excel 2000 e SPSS (Statistical Package for Social Sciences) para Windows – versão 12.0. A descrição dos dados foi a primeira análise realizada, para isso, foram utilizados os variáveis de tendência central (média), de dispersão (desvio padrão) e os valores mínimos e máximos. Foi testada a normalidade das amostras através do teste Kolmogorov-Smirnov. A fase seguinte consistiu na realização de correlações dos resultados obtidos, de forma a estudar as relações entre os membros superiores e inferiores. Para esse efeito, foi utilizado o Coeficiente de Correlação Pearson. Para efeitos de interpretação e análise dos dados, o grau de significância adoptado foi de p=0,05 para todas as hipóteses.

RESULTADOS

Nas tabelas seguintes apresentam-se os resultados dos testes aplicados aos membros inferiores (tabela 3) e superiores (tabela 4) e as relações entre eles estabelecidas (tabela 5).

Tabela 3 – Resultados obtidos no WAnT com os membros inferiores.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

Tabela 4 – Resultados obtidos no WAnT com os membros superiores.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

Tabela 5 – Relação entre a performance anaeróbia no WAnT com os membros inferiores e a performance anaeróbia no WAnT com os membros superiores (Correlação de Pearson).

** Correlation is significant at the 0.01 level (2-tailed). * Correlation is significant at the 0.05 level (2-tailed).

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

DISCUSSÃO

Pelo que pudemos verificar na análise da literatura, os resultados expressos estão de acordo com os resultantes dos estudos de Rotstein et al. (1986) e de Prasad et al. (1995) no que se refere às variáveis PPper/kg e APper/kg. Estes autores, com crianças entre os 8 e os 11 anos obtiveram valores na primeira variável entre os 7,7 e os 9,1 W/kg e na segunda de 6,79 W/kg, valor este obtido somente no estudo de Rotstein et al. (1986). Quanto às variáveis PPper e APper verificamos existirem estudos que não estão de acordo com os resultados obtidos, como é exemplo Chia et al. (1997) que com 25 crianças de ±12 anos de idade obteve valores muito inferiores e Falk & Bar-Or (1993) num estudo com 11 crianças com uma média de idades de 11 anos obteve valores de PP de 399W (±97W) e APper de 285W (±53W), valores muito mais elevados aos registados no presente estudo. Com esta análise podemos constatar que os resultados obtidos no WAnT com o trem inferior para a amostra em estudo estão, na sua maioria, de acordo com o que se encontra na literatura em crianças pré-adolescentes da mesma idade cronológica. Comparando com a literatura analisada, podemos verificar que quando se relacionam os resultados absolutos das variáveis PPbra e APbra do presente estudo com os estudos de Blimkie et al. (1988) e Bar-Or (1996), estes apresentam valores significativamente menores. Blimkie et al. (1988) numa amostra de adolescentes sedentários com uma média de idades de 14 anos, obteve valores médios de PPbra de ±150W e de APbra de ±100W. Bar-Or (1996) numa amostra de média de idades de 10 anos obteve valores de PPbra ±140W e de APbra de ±110W. Quando se relacionam com valores relativos, ou seja, considerando o peso do indivíduo, os valores apresentam-se já mais próximos, sendo no entanto, novamente mais baixos: Inbar & Bar-Or (1986) com crianças com uma média de idades de 10 e 11 anos obtiveram valores médios de PPbra/kg de ±4 W/kg e de APbra/kg de ±3,4W/kg.

Pela análise da tabela 5, podemos observar que não existem relações estabelecidas entre as variáveis obtidas a partir do WAnT com o trem inferior e as obtidas com o trem superior.

Conclusões

Com as comparações anteriormente estabelecidas com a literatura analisada podemos concluir que a amostra em estudo evidenciou valores médios superiores de potência anaeróbia máxima (PP) e capacidade anaeróbia. Podemos tentar explicar este aspecto pelo facto da amostra do presente estudo ser de atletas que praticam uma actividade desportiva formal e que por esse motivo mobilizam muito mais a sua musculatura e por consequência têm tendência a obter valores das variáveis anaeróbias mais elevadas. Não foi possível comparar os resultados de PDper e PDbra pois não foram encontrados estudos possíveis de comparação. Pode-se concluir também que o WanT é um teste fiável na concretização do objectivo de avaliar a performance anaeróbia de atletas pré-adolescentes. Pelas relações estabelecidas entre os resultados obtidos pelos membros inferiores e superiores vêm pôr em evidência o seguinte aspecto: as crianças nadadoras, não evidenciam uma supremacia clara das performances na capacidade anaeróbia em qualquer um dos trens analisados, nem mesmo com os dois trens em simultâneo, ou seja, não são especialistas metabolicamente em qualquer um dos trens (membros superiores ou inferiores), mas também não são considerados bons na utilização dos dois trens para produzir trabalho.

Bibliografía

  • Armstrong, N., & Welsman, J. R. (2000). Anaerobic performance. In N. Armstrong & W. Van Mechelen (Eds.), Paediatric Exercise Science and Medicine (pp. 37-44).
  • Oxford: Oxford Medical Publications. Bar-Or, O. (1983). Physiologic responses to exercise of the healthy child. In S. Verlag (Ed.), Pediatric Sports Medicine for the Practionier. New-York. USA.
  • Bar-Or, O. (1987). The Wingate anaerobic test: an update on methodology, reliability and validity. Sports Medicine, 4, 381-394.
  • Bar-Or, O. (1996). Anaerobic performance. In D. Docherty (Ed.), Measurement Pediatric Exercise Science. Champaign: Human Kinetics.
  • Blimkie, C. J. R., Roache, P., Hay, J. T., & Bar-Or, O. (1988). Anaerobic Power of arms in teenage boys and girls: relationship to lean tissue. European Journal of Applied Physiology, 57, 677-683.
  • Chia, M., Armstrong, N., & Childs, D. (1997). The assessment of children’s anaerobic performance using modifications of the Wingate Anaerobic Test. Pediatric Exercise Science, 9, 80-89.
  • Falk, B., & Bar-Or, O. (1993). Longitudinal changes in peak aerobic and anaerobic mechanical power of circumpubertal boys. Pediatric Exercise Science, 5, 318-331. Inbar, O., Bar-Or, O., & Skinner, J. (1996). The Wingate Anaerobic Test. Champaign:Human Kinetics.
  • Prasad, N., Coutts, K., Jespersen, D., Wolski, L., Cooper, T., Sheel, W., Lama, I., Mckenzie, D.C. (1995). Relationshipbetween aerobic and anaerobic exercise capacities in pre-pubertal children. Medicine and Science in Sports and Exercise, 25, 5, S113.
  • Rotstein, A., Dotan, R., Bar-Or, O., & Tenenbaum, G. (1986). Effect of training o anaerobic threshold, maximal aerobic power and anaerobic performance of preadolescent boys. International Journal of Sports Medicine, 7, 281-286.
  • Rowland, T. (1996). Exercise Testing. In T. Rowland (Ed.), Developmental Exercise Physiology (pp. 193-213). Champaign: Human Kinetics.
  • Van Praagh, E. (1998). Pediatric anaerobic performance. Champaign: Human Kinetics.

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