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21 sep 2006

Análise da competência percebida de treinadores de crianças e jovens de portugal em função da formação acadêmica

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No processo de ensino-aprendizagem, no contexto do treino desportivo, o treinador assume um papel determinante, sendo fundamental para o exercicio eficaz da função, o dominio de um corpo de conhecimentos simultaneamente eclético e especifico.

Autor(es):Cunha, G¹.; Mesquita, I¹.
Entidades(es): ¹Universidade do Porto – Faculdade de Desporto, Porto, Portugal
Congreso:II Congreso Internacional de Deportes de Equipo
Pontevedra: 21-23 de Septiembre de 2006
ISBN: 978-84-613-1659-5
Palabras claves: Treinador desportivo; Formação acadêmica, Conhecimentos

RESUMEN

No processo de ensino-aprendizagem, no contexto do treino desportivo, o treinador assume um papel determinante, sendo fundamental para o exercicio eficaz da função, o dominio de um corpo de conhecimentos simultaneamente eclético e especifico. Particularmente no desporto para crianças e jovens, o aspecto pedagógico assume um lugar de destaque, podendo a formação acadêmica em Educação Física e Desporto exercer um efeito diferenciador no corpo de conhecimento que o treinador possui ou que, pelo menos, percepciona como sendo possuidor dos mesmos. O objetivo do estudo foi identificar, através da auto-percepção dos treinadores, o nível de conhecimento nas diversas áreas relacionadas com a profissão de treinador, bem como identificar se existem diferenças entre treinadores com e sem formação acadêmica em Educação Física e Desporto. A amostra foi constituída por 81 treinadores de futebol que exerciam funções em clubes portugueses, na época de 2007/2008. Os participantes do estudo foram submetidos a um questionário construído com base na literatura e validado pelo método de peritagem. Da análise de dados constou o recurso à estatistica descritiva, média e desvio.padrão e à inferencial, pelo teste Ona-Way Anova para a comparação dos treinadores em função da formação académica em Educação Física e Desporto. Em termos gerais, os treinadores apresentaram maior competência percebida nos itens relacionados com os conhecimentos directamente rekacionados com o Treino. Os resultados da análise comparativa indicaram que os treinadores com formação acadêmica em Educação Física e Desporto demonstram possuir maior competância percebida nos conhecimentos de ambityo pedagógico-didactivo para o exercício da função.

 

Introdução

A prática desportiva é uma oportunidade de desenvolvimento integral de crianças e jovens, tendo em conta os valores sócio-afetivos, psicológicos e motores que podem ser desenvolvidos através do desporto (Conroy & Coastworth, 2006). Uma vez que se assiste a um aumento crescente do número de praticantes. no âmbito do desporto organizado (Vargas-Tonsing, 2007; McCallister, Blinde & Weiss, 2000), o papel do treinador desportivo surge com maior importância para o desenvolvimento pessoal de crianças e jovens

De fato, dentro do ambiente desportivo, os treinadores possuem a oportunidade de influenciar positivamente a natureza e a qualidade das experiências desportivas. As suas escolhas, comportamentos, atitudes que adotam e preconizam, bem como os valores que procuram transmitir e a natureza de sua interação com os atletas podem, notadamente, influenciar os efeitos da participação desportiva de crianças e jovens (Smith, Smoll & Cumming, 2007).

Diferentemente da opinião geral do senso comum (Vargas-Tonsing, 2007; McCallister et al., 2000), o trabalho desenvolvido pelo treinador desportivo possui uma enorme complexidade (Rosado & Mesquita, 2007), ficando evidente na definição de desporto como “um fenômeno polissêmico e realidade polifórmica, múltipla e não singular” (Bento, 2004, pp. 3). O autor ratifica afirmando que “o desporto é o construto que se alicerça num entendimento plural e num conceito representativo, agregador, sintetizador e unificador de dimensões biológicas, físicas, motoras, lúdicas, corporais, técnicas e táticas, culturais, mentais, espirituais, psicológicas, sociais e afetivas” (Bento, 2004, pp.3)

Nesse contexto, os conhecimentos relacionados com as Ciências do Desporto adquirem enorme relevância, sendo determinantes devido à complexidade do processo de treino, bem como da importância que requer a sua contextualização. Sendo assim, o nível de conhecimento dos treinadores desportivos tem ganho destaque entre os pesquisadores (Rosado & Mesquita, 2007; Rupert & Buschner, 1989; Abraham, Collins & Martindale, 2006; Côté, Salmela, Russel & Trudel, 1995; Jones et al., 2003; Resende, Mesquita, Fernandéz & Graça 2007) da área do desporto. Há uma preocupação com o corpo de conhecimentos apresentado pelos treinadores desportivos, sendo reconhecido sua relevância para o exercício da função.

Preocupados com a necessidade de existir uma formação superior alinhada no espaço europeu, diferentes entidades europeias agregaram esforços, expressos num Projeto designado de Aligning a European Higher Education Structure (AEHESIS), onde ressalta entre outras profissiões, a de Treinador Desporticvo. Neste âmbito, é enumerado um conjunto de conhecimentos que servirão como base teórica para o aprendizado das competências relacionadas com a atividade profissional do treinador. Os conhecimentos das ciências do desporto indicados como primordiais são: (a) aspectos técnicos, táticos, físicos e mentais do desporto; (b) medicina, primeiros socorros, nutrição e prevenção de lesões; (c) metodologia e didática; (d) biomecânica; (e) periodização e planejamento; (f) teoria do treino; (g) estilo de vida; (h) modelo do desporto específico e desenvolvimento do atleta.

Dessa forma, é importante que os treinadores possuam uma base de conhecimentos que sustente suas ações e pensamentos. Essa base de conhecimentos é oferecida pelas diferentes áreas das ciências do desporto como as Biológicas, Pedagógicas, Psicológicas, Sociológicas, Treino Desportivo e Gestão Desportiva (Nascimento, Graça & Ramos, 2007).

No âmbito do desporto para crianças e jovens, o aspecto pedagógico é de fundamental importância. Dentro dessa perspectiva, a formação acadêmica em Educação Fisica e Desporto, assume particular relevância particularmente pelo cunho pedagógico e didático que é conferido às matérias leccionadas (Rosado & Mesquita, 2007; Rupert & Buschner, 1989). A formação acadêmica proporciona uma aquisição de cultura alargada, permitindo ao futuro treinador perceber e refletir o seu papel enquanto profissional (Rosado & Mesquita, 2007). Esses aspectos adquiridos no meio acadêmico, associados aos conhecimentos específicos da modalidade, potenciam a aquisição de um corpo de conhecimentos robusto, por parte do treinador.

Tendo em conta a pertinência dos conhecimentos para o melhor exercício da função, parece-nos pertinente colocar as seguintes questões como problemas centrais de estudo: (1) em que áreas de conhecimentos os treinadores demonstram possuir maior segurança para exercer a função com eficácia? (2) quais são as áreas de conhecimentos que os treinadores apresentam maiores limitações? (3) será que os treinadores com formação em Educação Física se distinguem dos outros em relação às áreas de conhecimentos em que se consideram mais ou menos competentes?

Com base neste conjunto de questões, os objetivos do presente estudo assentam (1) na identificação da competência percebida dos treinadores ao nível dos conhecimentos necessários para exercer a função de treinador no âmbito do treino de crianças e jovens (2) e se a formação acadêmica na área da Educação Física e Desporto diferencia a competância percebida dos treinadores nas variáveis em estudo.

Metodologia

A amostra do presente estudo foi composta por 81 treinadores de Futebol, sendo 20 da região centro de Portugal (Aveiro e Viseu) e o restante da região norte (Porto e Braga).

Quadro 1:Análise descritiva da auto-percepção dos treinadores em relação as competências relacionadas a Competição.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

A formação acadêmica é a variável independente do presente estudo, sendo distribuída em treinadores com formação acadêmica na área de Educação Física de Desporto (n = 65) e treinadores com outras formações literárias (n = 16). A escolha da formação acadêmica em Educação Física ganha suporte na relevância da formação profissional e dos conhecimentos que podem ser adquiridos no ambiente acadêmico, servindo esses como bases teóricas e práticas para a formação especializada dos treinadores. Já as variáveis dependentes referem-se à competência percebida dos conhecimentos e dos treinadores representada nas respostas dos treinadores ao inquérito.

O questionário aplicado foi construido a partir de outros instrumentos e ldisponiveis na literatura e de artigos de referência teórica sobre a temática (Rosado, 2000; Simão, 1998; Costa, 2005; Demers, Woodburn & Savard, 2006; Abraham et al., 2006; Vargas-Tonsing, 2007; Gould, Chung, Smith & White, 1990) e nos conhecimentos referenciados pelo relatório do Projeto AEHESIS (2006) como indispensáveis para o desenvolvimento profissional de um treinador desportivo. Para a validação de conteúdo, recorreu-se ao método de peritagem, tendo sido consultado três professores doutores especialistas na área. O instrumento avalia a auto-percepção dos treinadores em relação aos seus conhecimentos O questionário ficou dividido por áreas, sendo que os conhecimentos foram categorizados como: (a) Conhecimentos relacionados ao Treino; (b) Conhecimentos relacionados a Competição; (c) Conhecimentos relacionados a Gestão Desportiva; (d) Conhecimentos relacionados ao Papel de Formador.

A recolha de dados foi feita de maneira presencial nos programas de formação de treinadores organizado pelas Associações de Futebol, com exceção do Porto, onde foi realizado no dia de um seminário de treinadores de futebol organizado por uma entidade privada. Os questionários foram entregues aos treinadores e devolvido ao pesquisador durante os intervalos dos cursos de formação, acontecendo do mesmo modo no seminário. Na entrega do questionário, houve uma breve explicação sobre o inquérito por parte do pesquisador, sendo aberto período para responder a possíveis dúvidas dos treinadores.

Para a análise estatística das variáveis deste estudo, utilizou-se o programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 15.0. Recorreu-se a análise descritiva para verifircar as médias, o desvio padrão e os valores mínimos e máximos. Recorremos também ao estudo de normalidade com o teste de Komolgorov-Smirnov, e com o estudo da homogeneidade das variâncias através do teste de Levene, tendo ambos preenchido os pressupostos exigidos para aplicação da estatística paramétrica. Para a comparação entre grupos recorremos ao teste paramétrico One-Way ANOVA (Análise de Variância). Para efeitos da interpretação e análise dos dados o nível de confiança assumido foi de 0.05 (p≤0.05).

Apresentação dos Resultados

A primeira parte da apresentação dos resultados é destinada a análise descritiva dos resultados referentes a auto-percepção dos conhecimentos dos treinadores. Na segunda etapa realizamos a análise dos resultados tendo em conta a formação académica.

A maior parte dos conhecimentos foram classificadas pelos treinadores com valores próximos do nível 4,0, o que corresponde “Muito Competente”. Os demais conhecimentos e encontram-se próximos ao nível 3,0, sendo classificado como “Competente”.

Quadro 2:Análise descritiva da auto-percepção dos treinadores em relação aos conhecimentos relacionados ao Treino

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

Os treinadores referenciaram uma maior segurança nos conhecimentos relacionados ao Treino, com maior destaque para os Conhecimentos sobre a gestão do treino (4,03), Conhecimentos sobre os fundamentos teóricos do treino (4,02) e Conhecimentos sobre a estruturação da sessão, sobre os conteúdos, as progressões metodológicas e os métodos do treino (4,01). Já os Conhecimentos sobre intervenções de emergência e 1ºs socorros foram aqueles que apresentam a menor média (3,35).

Quadro 3:Análise descritiva da auto-percepção dos treinadores em relação aos conhecimentos relacionados a Competição.

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Nos conhecimentos relacionados com a Competição, verificamos os Conhecimentos sobre planificação e organização de competições foram aqueles que os treinadores entenderam possuir maior conhecimento (3,90). Com auto-percepções um pouco inferiores, os Conhecimentos necessários ao planejamento de competições “fora de casa”, nomeadamente, no domínio da nutrição, recuperação e psicologia (3,51); os Conhecimentos sobre planeamento, e avaliação das competições, no que se refere às infra-estruturas necessárias, à segurança e aos sistemas de competição (3,44) e os Conhecimentos sobre a implementação e avaliação das competições, no que se refere às infra-estruturas necessárias, à segurança e aos sistemas de competição (3,40.

Quadro 4:Análise descritiva da auto-percepção dos treinadores em relação aos conhecimentos relacionados a Gestão Desportiva.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

Já os conhecimentos relacionados com a Gestão Desportiva foram indicados pelos treinadores como sendo aqueles que acreditam possuir menor conhecimento, sendo os Conhecimentos acerca da implementação da gestão das carreiras de atletas de competição – contratos, patrocínios, etc. (2,88) e os Conhecimentos acerca de planejamento e avaliação da gestão das carreiras de atletas de competição – contratos, patrocínios, etc. (2,96) aqueles que apresentam menores médias. No entanto, os Conhecimentos sobre a liderança de grupos recorrendo a estilos de liderança adaptados às circunstâncias (3,82) e os Conhecimentos sobre a gestão de equipamentos, materiais e organização de grupos de trabalho (3,72), apresentam médias superiores.

Quadro 5:Análise descritiva da auto-percepção dos treinadores em relação aos conhecimentos relacionados ao Papel de Formador.

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Nas questões referentes ao Papel de Formador, os treinadores entenderam que possuem maiores níveis de conhecimento quando as tarefas envolvem a formação dos atletas, nomeadamente os Conhecimentos de planejamento e avaliação de atividades com objetivos de formação pessoal e social dos atletas (3,60) e Conhecimentos de planejamento e avaliação de atividades com objetivos de formação pessoal e social dos atletas (3,54). Por outro lado, quando envolvem processo de formação e avaliação de outros treinadores, os níveis de percepção de conhecimento diminuem, como por exemplo nos Conhecimentos sobre avaliação do desempenho de outros treinadores (3,03).

Resultado em função da Formação Acadêmica

Observando os quadros abaixo, podemos verificar que os treinadores que possuem formação acadêmica na área da Educação Física e Desporto apresentaram sempre os valores superiores quando houve diferenças significativas.

Nos conhecimentos relacionados ao Treino, dois conhecimentos apresentaram diferenças estatisticamente significativas, as Estratégias instrucionais ao nível do ensino de conteúdos (p = 0,011) e as Intervenções de emergência e 1º socorros (p = 0,036).

Como é possível verificar no quadro 6, nos conhecimentos relacionados com a Competição, a única diferença estatisticamente significativa encontrada foi na Planificação e organização das competições (p = 0,004).

Quadro 6:Resultados da Auto-percepção dos Conhecimentos dos Treinadores em função da Formação Acadêmica.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

Nosconhecimentos relacionados com a Gestão Desportiva, Implementar e avaliar programas que envolvam a integração de especialistas em CD mostrou valores com significado estatístico (p = 0,029).

Por fim, nos conhecimentos relacionados ao Papel de Formador, a Implementação de atividades com treinadores principiantes (p = 0,006) e oPlanejamento e avaliação de atividades com treinadores principiantes (p = 0,008) apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos de treinadores, tendo em conta sua formação acadêmica.

Quadro 7:Resultados da Auto-percepção dos Conhecimentos dos Treinadores em função da Formação Acadêmica em Educação Física

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

Discussão

Ao analisarmos a auto-percepção dos treinadores sobre os seus conhecimentos, pode-se verificar que em três itens relacionados com o treino, os treinadores apresentaram médias iguais ou acima de 4,0, o que significa que se consideram como “Muito Competente”; sendo eles, os Conhecimentos sobre a estruturação da sessão, sobre os conteúdos, as progressões metodológicas e os métodos de ensino, os Conhecimentos sobre os fundamentos teóricos do treino e os Conhecimentos sobre a gestão do treino, (tempo de treino e de organização das atividades).

Os resultados nos conduzem a supor que os treinadores possuem maior competência percebida em conhecimentos que são adquiridos em experiências de cunho mais prática, reforçando a posição de vários autores (Rosado & Mesquita, 2007; Demers et al., 2006) sobre a fragilidade apresentada pelos processos de formação dos treinadores desportivos.

No estudo de Simão (1998) o “Conhecimento para exercer funções de treinador”, obteve a média de 3,92. No atual estudo, o “Conhecimento sobre gestão de treino (tempo de treino e de organização de atividades)” atingiu uma média de percepção entre os treinadores de 4,03, tendo um resultado muito semelhante ao estudo de Simão (1998). É natural haver um elevado nível de auto-percepção nos conhecimentos acima mencionados, visto que são conhecimentos exigidos diariamente na atividade profissional dos treinadores desportivos, estando relacionados diretamente com os conteúdos específicos de cada modalidade. Sendo assim, os conhecimentos relacionados ao treino permanecem sendo o setor de atuação onde os treinadores acreditam possuir maiores créditos. Essa situação pode explicar o motivo pelo qual os treinadores seguem valorizando os conhecimentos e competências relacionados ao treino (Resende et al., 2007).

Nos conhecimentos relacionados ao treino, destaca-se a diferença estatítisca nas Estratégias instrucionais ao nível do ensino de conteúdos, ficando assim evidente a diferença no corpo de conhecimentos a nível pedagógico e didático dos treinadores que são licenciados em Educação Física.

Também é possível observar diferenças estatisticamente significativas nos conhecimentos relacionados com a Gestão Desportiva e a Competição. No caso específico da Competição, onde a diferença foi na “Planificação e organização das competições”, podemos notar que ela envolve o processo de planejamento, organização e estruturação das ações. Tal pode dever-se ao facto dos programas de formação, não raramente, negligenciarem, não apenas os conteúdos pedagógicos e didáticos, como também não fornecerem suporte para ações de planejamento, tendo como característica marcante o cunho tecnocrático (Rosado & Mesquita, 2007).

Na Gestão Desportiva, os treinadores sem formação acadêmica na área de Educação Física e Desporto demonstraram percepcionar maior dificuldade em Implementar e avaliar programas que envolvam a integração de especialistas em CD”, que os treinadores licenciados em Educação Física e Desporto.

Por fim, as diferenças encontradas nos conhecimentos relacionados ao Papel de Formador, também se podem justificar, com as decidas reservas, pela maior aporte de conhecimentos adquiridos pelos treinadores licenciados em Educação Física e Desporto, onde tradicionalmente existe formação de professores. De facto, os treinadores apenas com formação federativa, podem não possuir conhecimentos didáticos e pedagógicos necessários para orientar treinadores principiantes, dada a menor importância que os programas de formação federativo atribuem a esses aspectos.

Conclusões

No que se refere à auto-percepção dos treinadores, em relação ao domínio de conhecimentos em diferentes áreas, foi possível verificar que estes apresentam maior competência percebida nos conhecimentos relacionados com o Treino, o que significa que é nos conhecimentos que fazem parte do seu cotidiano profissional que se sentem mais competentes. Contrariamente, percepcionam dominar menos os conhecimentos sobre a Gestão Desportiva. A formação acadêmica em Educação Física e Desporto interferiu na auto-percepção dos conhecimentos, sendo que os treinadores com formação acadêmica percepcionam possuir um maior corpo de conhecimentos pedagógicos e didáticos quando comparados aos treinadores sem formação acadêmica. Também ao nível da gestão desportiva e nos conhecimentos relacionados com o Papel exercido pelo treinador, enquanto Formador, os treinadores licenciados em Educação Física e Desporto mostraram ter consciência que dominam melhor este tipo de conhecimentos.

Os resultados do presente estudo confirmam a importância da formação em Educação Física no domínio de conhecimentos relacionados com a função do treinador desportivo no âmbito do treino de crianças e jovens.

 

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