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29 mar 2007

Simple and two-choice reaction time in blind goalball and football players

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The aim of this study was to analyse simple and two-choice reaction time for both hands and feet in visually handicapped Goalball and Football players, according to the years of practice and the age of the athletes. The sample comprises 23 male athletes, 13 Goalball players and 10 Football players, between 23 and 52 years old (36,04±9,17).
Autor(es): Moreira, Carlos; Vasconcelos, Olga; Silva, Adília; Botelho, Manuel
Entidades(es): Faculdade de Desporto da Universidade do Porto - Portugal
Congreso: III Congreso Nacional Ciencias del Deporte
Pontevedra- 29-31 de Marzo de 2007
ISBN: 84-978-84-611-6031-0
Palabras claves: Blind; Goalball; Football; Reaction Time

Abstract Simple and two-choice reaction time

The aim of this study was to analyse simple and two-choice reaction time for both hands and feet in visually handicapped Goalball and Football players, according to the years of practice and the age of the athletes. The sample comprises 23 male athletes, 13 Goalball players and 10 Football players, between 23 and 52 years old (36,04±9,17). All athletes have a minimum experience of 3 years and a maximum of 30 years in national championships. Simple and two-choice reaction time and decision time, as well as the number of missed answers for both manual and pedal components, were collected by means of the Electronic Polireactionometer. Main results: (i) Goalball players revealed significantly better results than Football players in manual choice reaction time test (p=0,009); (ii) More experienced athletes revealed poor results in manual simple reaction time test and pedal choice reaction time test, when compared with less experienced athletes (p=0,02 and p=0,009 respectively); (iii) Older athletes react significantly more slowly to stimulus in pedal choice reaction time test than younger athletes (p=0,039). Our results suggest an advantage of Goalball players compared to Football players regarding reaction time speed. According to competitive experience, the more experienced athletes respond more quickly. Regarding the age of the athletes, the younger presented better results than the older.

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Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº3.

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1. Introdução

A interacção constante do ser humano com o meio envolvente propicia a captação de inúmeros estímulos, em relação aos quais é necessário seleccionar e tratar a informação pertinente, de forma a dar uma resposta adequada. O ”tempo que decorre desde o início de uma excitação até ao desencadear da respectiva resposta” é designado por tempo de reacção (Alves, 1982 p. 34) e é uma componente importante de inúmeras actividades do ser humano. Representa a velocidade de processamento de informação, da tomada de decisão e do início da acção (Duarte et al., 2003). No campo desportivo, o tempo de reacção constitui-se como factor essencial para o êxito desportivo, principalmente no que se refere aos desportos colectivos (Alves & Costa, 1990), sendo inclusivamente identificado como um bom indicador do índice de rendimento dos atletas (Tavares, 1991). São vários os estudos que apontam para uma melhoria significativa de centésimos ou mesmo décimos de segundo, no tempo de reacção, por influência do treino desportivo. Este facto é extremamente importante para os indivíduos portadores de deficiência visual, na medida em que o tempo de reacção é crucial para a orientação e mobilidade da pessoa cega, pelo que a sua melhoria promove a sua segurança e autonomia, melhorando a sua qualidade de vida (Duarte et al., 2003). Entre as diversas modalidades desportivas colectivas praticadas por deficientes visuais, o Goalball caracteriza-se como uma modalidade especificamente orientada para esta população, respeitando as suas particularidades, ao contrário de outros desportos, que sofreram algumas adaptações, para permitir a sua prática, como é o caso do Futebol de 5. Foi Exner em 1973 que pela primeira vez referiu o termo “tempo de reacção” para classificar o intervalo de tempo que separa uma estimulação de uma reacção voluntária, que Donders tinha designado em 1869 por tempo fisiológico. Outros autores como Posner (1978), definiram o tempo de reacção, como a medida de tempo entre dois acontecimentos, sendo o primeiro o estímulo e o segundo a respectiva resposta. Bacquaert (1977) e Welford (1980) consideram o tempo de reacção como o intervalo de tempo que decorre entre o aparecimento de um estímulo e o início de uma resposta voluntária, que o sujeito pode modificar conforme as circunstâncias fazendo apelo aos centros de decisão do sistema nervoso central, os quais determinam a resposta adequada ao estímulo presente. Embora todas as definições apresentem em comum o binário estímulo-resposta, Alves (1982) e Tavares (1993) incluem no tempo de reacção a resposta motora, definindo-o como o tempo que decorre desde o aparecimento do estímulo até à execução da resposta motora apropriada.

2.Material e métodos

2.1. Amostra

A amostra do presente estudo é constituída por vinte e três (23) atletas, treze (13) são praticantes de Goalball e dez (10) são atletas de Futebol de 5, com idades compreendidas entre os vinte e três (23) e os cinquenta e dois (52) anos de idade (36,04±9,17). Todos os elementos são do sexo masculino e competem nos campeonatos nacionais há pelo menos três anos, com uma percentagem elevada de atletas (48%) a competir há mais de vinte e um anos. Os que possuem menos de dez anos de experiência competitiva correspondem a 30% e entre os onze e os vinte anos de prática competitiva, encontram-se os restantes 22%.

2.2. Metodologia

A velocidade de reacção foi avaliada na vertente do Tempo de Reacção Simples, tempo de reacção de escolha e tempo de decisão, através da utilização do Polirreacciómetro Electrónico (PRG 02) da EAP, que permite avaliar a resposta a 32 estímulos auditivos consecutivos (Costa e Alves, 1990). O polirreacciómetro é um aparelho totalmente transistorizado, que possui programas em memória e uma matriz de programação para utilização pessoal. O dispositivo é constituído por (Costa e Alves, 1990): Um painel com várias lâmpadas e duas colunas, onde o sujeito detecta os estímulos (neste caso, os estímulos surgiam das colunas); Uma unidade central computorizada a partir da qual se programam as diferentes e provas e que, durante a prova, indica ao observador o estímulo a ser emitido, a qualidade da resposta do sujeito (certa ou errada) e o respectivo tempo de reacção; Quatro periféricos de resposta, dos quais dois manípulos e dois pedais para respostas efectuadas com as mãos e com os pés, respectivamente, onde estão implantados microswitches que, quando pressionados, interrompem a contagem do tempo. A prova foi realizada de forma individual pelos sujeitos da amostra. Para a sua execução assumiam a posição de sentado numa cadeira, de modo a ficarem de frente para o painel, a uma distância de cerca de 50 cm. A todos era pedida uma execução rápida e exacta, procurando responder o mais rápido e acertadamente o possível ao estímulo apresentado. Teste de velocidade de reacção simples A prova do tempo de reacção simples (estímulo único), é constituída pela apresentação de uma sequência de estímulos auditivos, emitidos pelas colunas centrais e sempre com a mesma duração. Os estímulos auditivos são emitidos sob a forma de um som agudo, ao qual o sujeito teria de responder com a mão ou pé preferido. O tempo de reacção simples corresponde ao intervalo de tempo que decorre entre a apresentação do estímulo auditivo até à resposta motora, que no nosso caso, consiste em pressionar o botão do manípulo, quando se trate do tempo de reacção manual ou pressionando o pedal quando se trate do tempo de reacção pedal. O tempo de reacção simples, quer manual quer pedal, é apurado pela média aritmética do tempo registado nas respostas dadas pelo sujeito, subtraído do melhor e do pior resultado. Teste de velocidade de reacção de escolha A prova do tempo de reacção de escolha (dois estímulos), é constituída pela apresentação de uma sequência de estímulos auditivos emitidos pelas colunas centrais, sempre com a mesma duração. Os estímulos auditivos emitidos são de dois tipos: um som mais grave, ao qual o indivíduo tinha de responder com a mão ou pé direito e outro som mais agudo, ao qual teria de responder com a mão ou pé esquerdo. O tempo de reacção de escolha corresponde ao intervalo de tempo que decorre entre a apresentação de determinado estímulo auditivo (de dois possíveis) até à resposta motora adequada. Esta resposta consiste na acção de carregar no botão do manípulo com o polegar da mão esquerda ou direita para o tempo de reacção manual ou pressionar o pedal do pé direito ou esquerdo quando se trate do tempo de reacção pedal. O tempo de reacção de escolha, quer manual quer pedal, é apurado pela média aritmética do tempo registado nas respostas dadas pelo sujeito. O número de respostas erradas é obtido pelo somatório das respostas em que o indivíduo seleccionou o manípulo ou pedal errado. O tempo de decisão é determinado pela diferença entre o tempo de reacção simples e o tempo de reacção de escolha.

2.3. Procedimentos estatísticos

Recorremos à estatística descritiva (média e desvio padrão) e à estatística inferencial (testes não paramétricos para amostras independentes: Mann – Whitney e Kruskal-Wallis Test). O nível de significância fixado em todos os testes foi p < 0,05.

3. Apresentação dos resultados



Quadro 1 – Resultados da avaliação das componentes manual e pedal do tempo de reacção simples, tempo de reacção de escolha, tempo de decisão e número de respostas erradas em função da modalidade. (Média, desvio-padrão, valores de mean-rank, de z e de p). Resultado em milésimos de segundo (* resultados em nº de respostas erradas).

quadro1



Quadro 2 – Tempo Resultados da avaliação das componentes manual e pedal do tempo de reacção simples, tempo de reacção de escolha, tempo de decisão e número de respostas erradas em função dos anos de prática desportiva. (Média, desvio-padrão, valores de mean-rank, de Chi-Square e de p). Resultado em milésimos de segundo (* resultados em nº de respostas erradas).

quadro2



Quadro 3 – Resultados da avaliação das componentes manual e pedal do tempo de reacção simples, tempo de reacção de escolha, tempo de decisão e número de respostas erradas em função da idade dos atletas. (Média, desvio-padrão, valores de mean-rank, de z e de p). Resultado em milésimos de segundo (* resultados em nº de respostas erradas).

quadro3



3. Discussão dos resultados

3.1. Modalidade praticada

Os atletas de Goalball apresentam melhores performances no que se refere ao tempo de reacção e tempo de decisão em todas as formas de expressão analisadas. Destas, o tempo de reacção de escolha manual é o único que apresenta diferenças estatisticamente significativas (p=0,009). Apesar da literatura relacionada com a deficiência visual e o tempo de reacção ser escassa, entre os estudos que pudemos consultar, constatamos o facto de que a prática desportiva tem efeitos positivos no tempo de reacção simples e no tempo de reacção de escolha (Pereira, 1998, Rodrigues, 2002, Duarte et al., 2003). Pereira (1998), no seu estudo, compara o tempo de reacção em deficientes visuais praticantes de várias modalidades desportivas. Apesar de fazer a distinção entre desportos individuais e colectivos, refere que os praticantes de Goalball obtiveram melhores resultados no tempo de reacção simples e no tempo de reacção de escolha, quando comparados com praticantes de Atletismo, Futebol, Natação, Ginástica, Ciclismo e Halterofilismo, corroborando os resultados do nosso trabalho. No que se refere à diferença de valores obtida para a componente manual e pedal, verificamos que tanto para o tempo de reacção simples como para o tempo de reacção de escolha e ainda para o tempo de decisão, a componente manual apresenta sempre valores inferiores à pedal, em ambas as modalidades. Resultados similares foram obtidos por Rodrigues (2002) com atletas de Goalball em relação ao tempo de reacção simples. O mesmo autor adianta que a utilização das mãos nas actividades da vida diária terá influência nessa diferença de resultados. Potter (1978) reforça esta ideia, referindo que os deficientes visuais apresentam diferenças significativas nos membros superiores quando treinados. A mesma tendência foi identificada por Misra et al., (1985) em populações normais, encontrando diferenças estatisticamente significativas favoráveis ao tempo de reacção manual em indivíduos normovisuais. O facto dos atletas de Goalball realizarem vários movimentos com os membros superiores e uma vez que as extremidades superiores se adequam à realização de movimentos mais finos, enquanto que as extremidades inferiores se adequam à realização de movimentos mais globais e não refinados, poderá ter alguma influência ao nível do processo metodológico de medição dos tempos. No que se refere ao número de respostas erradas, verificamos que as diferenças entre os dois grupos são residuais, apresentando os atletas de Goalball uma média de respostas erradas ligeiramente superior na componente manual, enquanto que na componente pedal, a média de respostas erradas é ligeiramente inferior à dos atletas de Futebol de 5. Pereira (1998) e Rodrigues (2002), verificaram resultados semelhantes nos seus trabalhos. Alves (1995), Jensen (1985) e Pachella sugerem que quanto mais rápido um indivíduo responde, maior é a probabilidade de cometer erros. Não podemos no entanto corroborar esta ideia em função da diferença residual de respostas erradas entre os dois grupos. Somos da opinião que os resultados obtidos estão relacionados com as características específicas e exigências desportivas que o Goalball coloca aos seus atletas, opinião partilhada por outros autores (Pereira, 1998, Rodrigues, 2002, Duarte et al., 2003). A concentração, a discriminação auditiva e a capacidade de reagir tão rápido quanto possível ao som dos guizos emitidos pela bola, são aspectos essenciais para a prática do Goalball, que devem ser complementados com deslocamentos rápidos e precisos para bloquear a sua trajectória. Estas particularidades fazem um forte apelo à capacidade de reacção, assim como às restantes habilidades motoras do atleta.

3.2. Anos de prática competitiva

A análise do tempo de reacção em função da experiência dos atletas apresenta resultados muito interessantes. Para todas as vertentes do tempo de reacção estudadas e para ambas as componentes manual e pedal, encontramos uma relação linear positiva com os anos de prática, apresentando significado estatístico as diferenças de desempenho referentes ao tempo de reacção simples manual (p=0,02) e ao tempo de reacção de escolha pedal (p=0,009). À medida que aumenta a experiência desportiva dos atletas, aumenta também o tempo de resposta ao estímulo. Também Pereira (1998) obteve resultados similares para o tempo de reacção simples e para o tempo de reacção de escolha ao comparar atletas com menos de um ano de prática desportiva, entre um e quatro anos de prática desportiva e com mais de cinco anos de prática desportiva. Os praticantes menos experientes demonstraram tempos de reacção simples e tempos de reacção de escolha mais reduzidos em relação aos praticantes mais experientes. Estes resultados podem estar relacionados com a idade dos atletas. Uma análise aos indivíduos que integram os diferentes grupos da nossa amostra, identificou que os atletas menos experientes são também os atletas mais jovens que, como verificaremos mais adiante neste trabalho, são os atletas que respondem mais rapidamente ao estímulo, quer para o tempo de reacção simples, quer para o tempo de reacção de escolha. O desempenho dos atletas referente ao número de respostas erradas para a componente manual atribui aos atletas mais jovens um valor superior de erros, seguido dos atletas mais experientes e por último, dos atletas com experiência intermédia ao nível competitivo. No que se refere à componente pedal, verificamos que as diferenças entre os três grupos são residuais, com valores quase semelhantes. Estes resultados poderão estar relacionados com as estratégias adoptadas por cada grupo. Se o atleta valorizar fundamentalmente o tempo que demora a responder ao estímulo, pode tentar antecipar a sua resposta, colocando em risco a exactidão da mesma. Por outro lado, se o atleta der ênfase à exactidão da sua resposta, sacrificará algum tempo para se certificar de que a resposta é correcta. Outro factor passível de influenciar os resultados, poderá estar relacionado com a modalidade praticada pelos atletas com mais experiência desportiva. No caso da nossa amostra, os atletas de idade superior são maioritariamente praticantes de Futebol de 5, os quais apresentam um maior número de respostas erradas na componente pedal. Pelo contrário, os atletas mais jovens são em maior número praticantes de Goalball, mais propícios a errar quando comparados com os atletas de Futebol de 5 para a componente manual. Quando analisamos o tempo de decisão manual e pedal em função dos anos de prática desportiva dos atletas, constatamos que os atletas mais experientes demoram menos tempo na formulação da resposta ao nível dos mecanismos centrais, seguidos dos atletas com menos experiência e, com um tempo de formulação da resposta mais demorado, surge o grupo de atletas com experiência intermédia. Ferreira (1990) obteve resultados similares ao comparar praticantes de ginástica artística de diferentes níveis, verificando correlações significativas para o tempo de decisão no nível de prática mais elevado. Estes resultados estão de acordo com a literatura, ao constatar que os atletas mais experientes apresentam tempos de reacção mais longos e tempos de decisão mais curtos. Sendo o tempo de decisão, o tempo necessário para que o sistema nervoso central possa escolher e organizar uma resposta adequada ao estímulo, a experiência anterior do indivíduo representa um factor que condiciona fortemente a duração desse processo (Alves, 1990). Quanto maior for a vivência e experiência do atleta, mais rápida será a tomada de decisão da resposta.

3.3. Idade dos atletas

No que diz respeito ao estudo do tempo de reacção em função da idade dos atletas obtivemos, no tempo de reacção simples e tempo de reacção de escolha, manual e pedal, resultados inferiores nos atletas mais jovens, obtendo diferenças com significado estatístico no tempo de reacção de escolha pedal (p=0,039). Ao comparar os nossos resultados com outros estudos para a mesma população, verificamos que Rodrigues (2002) corrobora estes resultados para o tempo de reacção simples pedal, mas chegou a resultados contrários no que diz respeito ao tempo de reacção simples manual e para o tempo de reacção de escolha, com os indivíduos mais velhos a alcançarem melhores desempenhos. Pereira (1998) e Duarte et al. (2003) confirmam os nossos resultados obtendo valores idênticos para o tempo de reacção simples e para o tempo de reacção de escolha. Estes estudos estão de acordo com a literatura clássica referente ao desenvolvimento dos tempos de reacção em populações normais (Welford, 1980; Jensen, 1985). A análise referente ao número de respostas erradas dadas em função da idade dos atletas, atribui aos atletas mais jovens um número mais elevado de respostas erradas para a componente manual. Estes resultados estão de acordo com aqueles obtidos por Pereira (1998), Jensen (1985) e Alves (1995) em estudos com populações normais, referindo estes autores que quanto mais rápido um indivíduo responde, maior será a probabilidade de errar a resposta ao estímulo. Em relação à componente pedal e ao número de respostas erradas em função da idade dos atletas, apesar da diferença de valores ser ínfima, verificamos a tendência oposta, isto é, o grupo que errou mais foi o dos atletas mais velhos. Estes resultados não deixam de ser interessantes, uma vez que o grupo que apresenta um tempo mais demorado de reacção simples pedal e de escolha, é também aquele que comete um maior número de erros de resposta, muito embora a diferença de resultados, como foi já referido, seja muito reduzida e não significativa. Ao analisarmos o tempo de decisão manual e pedal em função da idade verificamos que, para a componente manual do tempo de decisão, os atletas mais jovens demoraram mais tempo na formulação da resposta ao estímulo. Estes resultados vão de encontro às conclusões de Rodrigues (2002). No entanto, quando analisamos o tempo de decisão pedal, verificamos a tendência oposta, com o grupo mais jovem a obter um tempo de decisão menor quando comparado com o grupo de atletas mais velhos. Embora o número de erros na componente pedal do tempo de reacção de escolha seja similar, os atletas mais jovens foram não só mais rápidos a responder, como também formularam a resposta ao estímulo nos órgão centrais mais rapidamente e ainda, conseguiram errar menos respostas em relação ao grupo de atletas mais velhos.

4. Conclusões

Os resultados evidenciados pela nossa amostra sugerem uma vantagem de desempenho dos atletas de Goalball face aos atletas de Futebol de 5, no que diz respeito à velocidade de reacção. Para além do objectivo geral, propusemo-nos analisar o tempo de reacção nas vertentes referidas anteriormente, relacionando-as com o grau de deficiência, com a experiência competitiva e com a idade dos atletas. No que se refere ao grau de deficiência, os resultados obtidos não nos permitem identificar nenhuma tendência ou vantagem clara entre os dois grupos de atletas. Em relação à experiência competitiva dos atletas, os resultados do nosso trabalho identificam uma relação linear positiva, aumentando o tempo de reacção à medida que aumentam os anos de prática dos atletas assim como a idade dos mesmos, parecendo ser também os atletas mais experientes, aqueles que elaboram mais rapidamente a resposta mental ao estímulo apresentado. Por último, na análise relativa à idade dos atletas, os resultados da nossa amostra sugerem uma vantagem de desempenho dos atletas mais jovens em relação aos atletas de idade superior no tempo de reacção. Contudo, em virtude do número de indivíduos que integra a amostra utilizada neste estudo ser reduzido, não nos foi possível realizar uma análise diferenciada das variáveis de grau de deficiência, experiência competitiva e idade em função da modalidade desportiva praticada, pelo que recomendamos uma elevada precaução na generalização dos nossos resultados.

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