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21 sep 2006

A Intervenção Pedagógica sobre o conteúdo do Treinador de Voleibol em Escalões de Formação

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O presente estudo teve como objectivo analisar a intervenção pedagógica do treinador de Voleibol, no Desporto de jovens. A amostra foi composta por vinte e oito treinadores dos escalões de formação de Iniciados (n=14), e Juniores (n=14).
Autor(es): Ribeiro, Joana,Mesquita, Isabel,Pereira, Felismina
Entidades(es): Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, Portugal
Congreso: II Congreso Internacional de Deportes de Equipo
Pontevedra: 21-23 de Septiembre de 2006
ISBN: 978-84-613-1659-5
Palabras claves: Intervenção Pedagógica sobre o Conteúdo; Treinador; Processo de Treino; Voleibol. Pedagogical Content Intervention; Coach; Training Process; Volleyball.

RESUMO

O presente estudo teve como objectivo analisar a intervenção pedagógica do treinador de Voleibol, no Desporto de jovens. A amostra foi composta por vinte e oito treinadores dos escalões de formação de Iniciados (n=14), e Juniores (n=14). A caracterização das variáveis do conteúdo pedagógico da intervenção foi efectuada através do recurso aos instrumentos: “The Systematic Analysis of Pedagogical Content Interventions”(SAPCI), de Gilbert et al (1999), e pelo instrumento desenvolvido por Moreno (2001, cit. Botelho et al., 2005) “Análisis y optimización de la conducta verbal del entrenador de Voleibol durante la dirección de equipo en competición”, os quais foram sujeitos a uma validação de conteúdo. A fiabilidade intra-observador (97%) e inter-observador (94%) legitimaram o uso dos dados recolhidos.

Este estudo mostrou que: 1) A habilidade técnica de “passe”, a táctica individual de “suporte” e o “dispositivo de protecção ao próprio ataque” (táctica colectiva) são os aspectos mais referidos. 2) Os treinadores do escalão de Iniciados emitem mais intervenção de conteúdo pedagógico do que os treinadores do escalão de Juniores. 3) Os treinadores do escalão de Iniciados intervêm mais sobre a táctica individual de “transição”, “retorno”, “suporte” e táctica colectiva de “dispositivo de protecção ao próprio ataque”.

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Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº9.

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ABSTRACT

The aim of the present study was to analyse the pedagogical intervention of volleyball coach in Youth Sport.

The sample was composed of twenty-eight building up level coaches: beginners (n=14) and juniors (n=14). The characterization of the variables of pedagogical content was made through the instruments: “TheSystematic Analysis of Pedagogical Content Interventions” (SAPCI), developed by Gilbert et al (1999), and the instrument developed by Moreno (2001, cit. Botelho et al., 2005) “Análisis y optimización de la conducta verbal del entrenador de Voleibol durante la dirección de equipo en competición”, which were subject to a content validation. The intra-observer reliability (97%) and inter-observer (94%) legitimized the use of data collected.

This study led to the following assumptions: 1) the technical skill of "pass", the individual tactics of "support" and the “device of protection to the attack” (collective tactics) are the most mentioned aspects. 2) Beginners level coaches’ give out more intervention of pedagogical content than juniors level coaches. 3) Beginners level coaches intervene more on the individual tactics of "transition", “ return “, “ support “ and collective tactics of “ device of protection to the attack”.

Introdução

As características e exigências do Desporto actual reclamam um conhecimento mais profundo acerca dos processos de intervenção do treinador, principalmente ao nível da emissão da informação e respectivo conteúdo. Deste modo, para Castelo e Barreto (2000) e Amaral (2001) o treinador tem de ser um técnico especializado na sua modalidade, conhecendo as suas principais dimensões, e sendo capaz de analisar os aspectos essenciais do treino/competição e, daí potenciar a aprendizagem, aperfeiçoamento e consolidação dos aspectos técnico-tácticos dos seus atletas e da sua equipa. Contudo, Gilbert et al. (1999) referem que não basta aos treinadores saberem acerca das técnicas e tácticas do jogo para estarem aptos a instruírem os seus atletas, é fundamental que saibam como, quando e sobre quê intervir.

Saber o que dizer, como e quando o fazer constitui um factor concorrente para o êxito da intervenção pedagógica do treinador, sendo a sua análise de capital importância para a evolução e melhoria do processo de treino. Analisar o teor da informação substantiva emitida pelo treinador permite identificar a importância atribuída por este aos diversos conteúdos (Mesquita et al., 2003).

Uma das estratégias para tornar a matéria acessível e compreensível aos atletas prende-se com o conceito introduzido por Shulman (1986): Pedagogical Content Knowledge (Conhecimento Pedagógico do Conteúdo – CPC), que enfatiza uma categoria particular do conhecimento resultante de todas as modificações operadas ao nível do conteúdo da modalidade. Este conhecimento permite perceber quais os factores de rendimento mais influenciadores do desempenho dos atletas, sendo por isso, indispensável na organização do processo de treino (Pacheco, 2002). No contexto do Treino Desportivo corresponde, segundo Ball e McDiarmid (1990, cit. Pacheco, 2002), ao conhecimento substantivo que é essencial para o treinador ser capaz de identificar, compreender e discutir os conceitos da modalidade, relacionando-os entre si e/ou com conceitos externos a esta. Segundo Grossman (1990) o CPC assume o maior impacto nas acções do treinador.

Este impacto é explicado pelo facto de ser através dele que a aprendizagem se vai verificar. Por isso, a escolha dos conteúdos deve ser cuidada e considerando a especificidade de todas as situações em que poderão surgir (Graça & Mesquita, 2002; Rink, 2001), e não apenas como uma escolha aleatória cujo único fim seria a ocupação dos atletas, porque para Graça (1997), Mesquita (1998) e Rink (2001) os conteúdos que integram o treino devem proporcionar aos atletas experiências significativas e consistentes, visando a obtenção de elevadas taxas de sucesso. Gilbert et al. (1999) afirmam, então, que é conveniente o estudo das intervenções de conteúdo pedagógico, devido ao facto de ser o treinador o responsável pela condução dos praticantes, bem como pela ajuda na aprendizagem das técnicas e tácticas específicas das respectivas modalidades (Hastie & Saunders, 1992; Spallanzani, 1988, citados por Botelho, 2004).

A realização do presente estudo teve como principal razão o facto de nestas etapas de formação considerarmos de crucial importância a análise da intervenção do treinador, em virtude deste ser, privilegiadamente, um educador, e por isso formador pessoal, social e desportivo dos jovens atletas, um pouco à semelhança do que referem Gilbert et al. (1999).

O objectivo do presente estudo foi caracterizar a intervenção pedagógica sobre o conteúdo, de treinadores de Voleibol, em função do nível de prática, isto é iniciados e juniores.

MATERIAL E MÉTODOS

Amostra

Neste estudo participaram 28 treinadores de Voleibol, de equipas de ambos os géneros, dos quais 14 eram treinadores do escalão de Iniciados e os outros 14 treinadores do escalão de Juniores. Foi observado um treino por semana para cada treinador, totalizando 28 sessões de treino.

Nas 28 sessões de treino, observamos 7527 unidades de informação, sendo que a média de unidades de informação por sessão de treino foi de 265.14.

Variáveis

Este estudo teve como variável independente o escalão de prática dos atletas – escalão de Iniciados e escalão de Juniores.

Como variáveis dependentes, analisamos o conteúdo pedagógico das intervenções dos treinadores. Para este fim, aplicamos os instrumentos de observação The Systematic Analysis of Pedagogical Content Interventions, de Gilbert et al. (1999), e o desenvolvido por Moreno (2001, cit. Botelho et al., 2005), devidamente adaptados por experts, três Professores universitários especializados em Pedagogia do Desporto, sendo um deles especialista em Voleibol e com larga experiência no treino de jovens.

Dimensões e categorias dos instrumentos:

  • Habilidades Técnicas: conjunto de habilidades fundamentais da modalidade e necessárias ao jogo. Dividiram-se em duas subcategorias:

  • Acções com Bola – habilidades realizadas com o objecto de jogo, incluindo Passe, Manchete, Serviço, Remate, Amorti e Bloco;

  • Acções sem Bola – habilidades realizadas sem o objecto de jogo, englobando a Posição Fundamental (alta, média e baixa), Deslocamentos, Enrolamentos/Quedas, Gesto de Bloco e Gesto de Remate.

A dimensão Táctica foi dividida em Táctica Individual e Táctica Colectiva, onde a primeira engloba as acções realizadas pelo atleta em determinados momentos de jogo, na tentativa de se posicionar de forma vantajosa evitando que o adversário marque ponto, ou levando a sua equipa a marcar ponto. De seguida apresentam-se as definições utilizadas, adaptadas de Griffin et al. (1997):

  • Transição: após o contacto dá-se uma estabilização de nova posição para agir, por parte do atleta;

  • Retorno: após a acção de defesa o atleta retoma o ponto de partida para nova intervenção defensiva;

  • Suporte: apoio das acções dos colegas, nomeadamente no ataque;

A Táctica Colectiva é definida como todas as acções colectivas dos atletas de uma equipa, coordenadas de acordo com princípios e regras. Foi subdividida em táctica colectiva ofensiva e táctica colectiva defensiva:

Definimos Táctica Colectiva Ofensiva como as acções colectivas realizadas pelos jogadores da equipa, desenvolvidas de forma organizada, com o objectivo de ganhar vantagem sobre o adversário, processando-se quando a equipa se encontra numa situação de ataque. É composta pela seguinte sub-categoria (adaptado de Griffin et al., 1997):

    • Princípios Ofensivos: intervenções não confinadas a nenhuma zona do campo, quando a equipa se encontra numa situação de ataque.

A Táctica Colectiva Defensiva é constituída pelas acções colectivas realizadas pelos jogadores da equipa, desenvolvidas de forma organizada, que se processam quando a equipa está numa situação de defesa ou recepção. Dos quais destacamos a sub-categoria:

  • Dispositivo de protecção ao próprio ataque: sistema defensivo utilizado pelos jogadores da equipa quando um seu atacante realiza a acção de remate.

Procedimentos

Para a análise do conteúdo da informação transmitido pelos treinadores recorremos à gravação em vídeo assim como ao registo áudio através de um microfone portátil. As sessões de treino tiveram a duração de 90 a 120 minutos, à qual foi retirada a duração do aquecimento e da reunião final do treino.

Após filmarmos todas as sessões de treino, e para a subsequente observação e análise de dados, criamos uma folha de registo, e nesta análise, o método de registo utilizado foi o da frequência de ocorrência, contabilizando-se o número de vezes que determinada categoria ocorria.

Fiabilidade

Para testar a fiabilidade dos resultados, foi necessário realizar uma análise inter-observador e intra-observador, para todas as variáveis. Para este propósito, baseamo-nos no cálculo da percentagem de acordos e de desacordos registados (Mars, 1989).

Foi observada 10% da amostra (3 sessões de treino) como é necessário para testar a fiabilidade de observação (Tabachnick e Fidell, 1989, citado por Farias, 2007). Como componente e de modo a eliminar a possibilidade de acordos ao acaso, aplicamos o Cohen’s Kappa e o resultado foi uma perfeita concordância inter e intra-observadores, com valores acima de 0.90.

Procedimentos Estatísticos

Para a análise estatística consideramos na descritiva a obtenção de média, desvio-padrão e percentagens. Estudou-se a normalidade e homogeneidade das variâncias com os testes Komolgorov-Smirnov e de Levene, respectivamente, decorrendo daí o recurso à estatística não paramétrica quando estes pressupostos não foram garantidos. O independent T-test e o teste de Mann-Whithney, foram utilizados em função dos resultados da normalidade e da homogeneidade das variâncias. Para a análise e interpretação dos resultados, o nível de significância assumido foi de 0.05 (p?0.05).

RESULTADOS

O quadro seguinte (Quadro 1) apresenta os dados descritivos gerais (média, desvio padrão, e percentagem de ocorrência) que caracterizam o conteúdo substantivo da intervenção do treinador na sessão de treino.

Quadro 1: Dados descritivos gerais relativos ao Conteúdo Substantivo da intervenção dos treinadores.

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

Como se pode inferir pela leitura do quadro acima, as habilidades técnicas contempladas assumem maior importância (21.27%) nas intervenções dos treinadores comparativamente aos aspectos tácticos (3.21%). Nas primeiras, o “passe” assumiu maior destaque, com 9.35% das intervenções, e por último a “posição fundamental” com 5.29% das ocorrências.

Relativamente à Táctica, os valores da “táctica individual” situam-se abaixo de 1% de ocorrências, sendo que a sub-categoria de “suporte” foi aquela que registou maior percentagem (0.93%). Já na “táctica colectiva” os valores encontrados quase não tiveram expressão no panorama global, sendo os aspectos defensivos mais considerados (com 0.78 % das intervenções no “dispositivo de protecção ao próprio ataque”).

Habilidades Técnicas

No Quadro 2 apresentam-se os valores referentes às Habilidades Técnicas, em função do Escalão de prática.

Quadro 2: Análise da categoria Habilidades Técnicas, em função do Escalão da equipa. Valores de t e p. (p?0.05)

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No Escalão de Iniciados os treinadores privilegiam o “passe” (23.49%). Nos Iniciados, a “manchete” é a segunda habilidade técnica em que os treinadores são mais interventivos (20.56%), seguindo-se a “posição fundamental” (14.14%). Verifica-se, então, a existência de diferenças estatisticamente significativas ao nível de três subcategorias: “passe” (p=0.026), “manchete” (p<0.001) e na “posição fundamental” (p=0.010), onde os treinadores do Escalão de Iniciados são mais interventivos, emitindo, substancialmente, mais informação a seu respeito (32.14±19.99, 28.14±18.20 e 19.36±12.74, para 17.43±11.14, 7.00±7.95 e 8.71±5.14, respectivamente).

Sublinha-se, ainda, o facto de os treinadores do Escalão de Iniciados apresentarem médias de intervenção sobre as diversas Habilidades Técnicas superiores às dos treinadores de Juniores, como se pode comprovar pela leitura do Quadro 2.

Táctica Individual

No Quadro 3 expõem-se os valores relativos à Táctica Individual, em função do Escalão de prática.

Quadro 3: Análise da categoria Táctica Individual, em função do Escalão da equipa. Valores de t e p. (p?0.05)

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

No Escalão de Iniciados, os treinadores fazem, referência ao “retorno” (10.71%), ao contrário dos treinadores de Juniores que quase não a mencionaram (1.56%), havendo, deste modo, diferenças estatisticamente significativas (p=0.002). Comprova-se, também, a existência de diferenças com significado estatístico ao nível da intervenção relativa à “transição” (p=0.017), onde os treinadores de Iniciados intervêm mais (2.57±5.14) do que os de Juniores (0.14±0.54). O mesmo sucede quando os treinadores intervêm sobre o “suporte” (p=0.019), verificando-se uma superioridade dos treinadores de Iniciados sobre os treinadores de Juniores (3.21±3.81 para 1.71±4.36).

Táctica Colectiva

Nesta categoria não fazemos qualquer referência a outros estudos devido ao facto de não termos encontrado ensaios que fizessem menção ao Escalão, na categoria em causa.

Esta categoria apresentou valores quase sem expressão no panorama geral das intervenções sobre o conteúdo pedagógico dos treinadores, como mostra o Quadro 4.

Quadro 4: Análise da categoria Táctica Colectiva, em função do Escalão da equipa. Valores de t e p. (p?0.05)

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 9

No Escalão de Iniciados, os treinadores consideraram o “dispositivo de protecção ao próprio ataque”, com 21.89% das intervenções em contraposição aos treinadores de Juniores, que praticamente não o referiram nas suas intervenções. Neste último escalão, os treinadores não deram qualquer importância aos “princípios ofensivos”.

As principais diferenças surgem nas subcategorias “princípios ofensivos” (p=0.034), onde os treinadores de Iniciados intervêm mais a esse respeito (0.50±1.09) do que os treinadores do escalão de Juniores, mas sobretudo na subcategoria “dispositivo de protecção do próprio ataque” (p<0.001), onde se nota uma predominância da intervenção a este respeito por parte dos treinadores do escalão de Iniciados (21.89%).

Discussão

 

No que concerne às Habilidades técnicas, Cavalheiro (1998) explica as diferenças aí encontradas em virtude de no escalão de Iniciados o objectivo ser a aquisição oportuna e consciente das habilidades técnicas das habilidades técnicas fundamentais, como é o caso do passe, da manchete e da posição fundamental, tornando-se essencial, para a formação dos jovens atletas, a sua correcta aprendizagem.

No entanto, constatamos que a média de intervenção dos treinadores do escalão de Iniciados é superior à dos treinadores do escalão de Juniores, o que pode ser explicado pelo facto de nas idades que o escalão de Iniciados comporta, se verificar a aquisição oportuna e consciente das habilidades técnicas das habilidades técnicas fundamentais (Cavalheiro, 1998), privilegiando os treinadores estes aspectos.

A formação técnica dos jovens praticantes constitui um aspecto crucial em todo o desenvolvimento do jogador de Voleibol, porque só com a técnica assimilada e consolidada se poderá partir para outras questões da modalidade e perspectivar elevados índices de prestação desportiva (Cavalheiro, 1998; Lima, Jorge, & Diaz, 1999). Também para Zhelezniak (1993, cit. Cruz, 2202) a correcta aprendizagem dos elementos técnicos é um factor preponderante para a formação dos jovens atletas.

Por outro lado, as diferenças encontradas ao nível da Táctica Individual de “transição”, “retorno” e “suporte” podem ser justificadas através dos aspectos que cada subcategoria comporta. Isto é, na “transição” o objectivo prende-se com a estabilização de uma nova posição para a acção subsequente, no “retorno” pretende-se que o atleta retome a posição inicial e no “suporte” objectiva-se o apoio às acções dos colegas. Cada um destes objectivos encontra especial relevância no escalão de Iniciados, visto os atletas ainda se encontrarem numa fase inicial da sua aprendizagem, e, como advogam Zhelezniak (1993, cit. Cruz, 2002) e Mesquita (2000), os aspectos tácticos assumirem grande relevo para o entendimento global do jogo, devendo o treino ter como objectivo o desenvolvimento e aperfeiçoamento técnico, com vista a alcançar uma execução eficaz das acções tácticas.

Na Táctica Colectiva, a diferença encontrada nas intervenções dos treinadores relativamente ao “dispositivo de protecção ao próprio ataque”, pode justificar-se pela importância que este dispositivo tem no incremento da defesa baixa/sustentação de bola quando o bloco surge. Como no escalão de Iniciados se começa a dar maior relevância à acção de bloco, a informação sobre o dispositivo de protecção ao próprio ataque aumenta consideravelmente.

CONCLUSIONES

Sendo o Voleibol uma modalidade onde a execução técnica assume especial relevância determinadora do incremento do fluxo do jogo, pudemos constatar que desde cedo os treinadores dão grande importância às habilidades técnicas mais básicas, como sejam o passe, a manchete e a posição fundamental. Sublinhamos, por isso, a atenção evidenciada nas intervenções relativas a estas habilidades técnicas nos escalões de formação por nós estudados. Concluímos ademais que os treinadores do escalão de iniciados, em média, privilegiaram mais a intervenção sobre as habilidades técnicas de “passe”, “manchete” e “posição fundamental” do que os treinadores do escalão de juniores, o que é facilmente justificável se considerarmos que é na etapa inicial da formação que tem início a aprendizagem técnica do atleta.

Não só nas habilidades técnicas as intervenções de conteúdo pedagógico dos treinadores do escalão de iniciados foram mais frequentes, também nos conteúdos tácticos (individual e colectivo) estes se distinguiram, mesmo que não haja comparação possível entre as intervenções de conteúdo técnico e as de conteúdo táctico.

Perante estes dados, parece-nos ser possível afirmar que as diferenças relativas ao escalão encontradas em determinadas subcategorias, reflectem uma maior preocupação dos treinadores do escalão de iniciados nos aspectos técnico-tácticos, porque é nesta fase da formação dos jovens atletas que se verifica o desenvolvimento da capacidade de coordenação que potencia a aquisição dos aspectos críticos que compõem os movimentos fundamentais desta modalidade. Por outro lado, os atletas no escalão de juniores já deverão encontrar-se numa fase de consolidação das técnicas, podendo os treinadores descentrar-se dos aspectos mais básicos da modalidade e concentrar-se nos seus aspectos mais complexos.

Bibliografía

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