800 007 970 (Gratuito para españa)
658 598 996
·WhatsApp·

26 sep 2011

Niveles de actividad física habitual, aptitud física y exceso de peso en una población escolar de adolescentes

/
Enviado por
/
Comentarios0
/
Etiquetas

Completa la información

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº15.

¡Consíguelo aquí!

El objetivo de este estudio consistió en evaluar los niveles de actividad física (AF), aptitud física y exceso de peso de una población escolar y comprobar si existen diferencias dependiendo del género.
El  estudio fue realizado con alumnos del Instituto João Gonçalves Zarco de Matosinhos, Oporto, cuyas edades están comprendidas entre los 14 y los 18 años. A través de un cuestionario, se recogieron informaciones sobre el índice de AF.

Autor(es): Luís Mortágua
ISBN: 978-84-614-9945-8
Congreso: VII Congreso Nacional De Ciencias Del Deporte y la Educación Física
Pontevedra: 5 - 7 de Mayo del 2011

RESUMEN COMUNICACIÓN/PÓSTER

El objetivo de este estudio consistió en evaluar los niveles de actividad física (AF), aptitud física y exceso de peso de una población escolar y comprobar si existen diferencias dependiendo del género.
El  estudio fue realizado con alumnos del Instituto João Gonçalves Zarco de Matosinhos, Oporto, cuyas edades están comprendidas entre los 14 y los 18 años. A través de un cuestionario, se recogieron informaciones sobre el índice de AF. Los componentes relativos a la aptitud física y la salud fueron evaluadas a través del Fitnessegram. En lo que respecta al índice de masa muscular (IMC) fue clasificado de acuerdo con los puntos de corte específicos para los géneros en peso normal, exceso de peso y obesidad.
Los principales resultados obtenidos revelan que: los chicos presentan valores medios, claramente superiores en todos los índices de actividad física; los chicos y las chicas alcanzan buenos niveles de aptitud física, situándose, en su mayoría, por encima de lo estipulado por Fitnessgram y, por último, tanto los chicos como las chicas revelan valores de obesidad y sobrepeso por debajo de los valores referidos en la mayoría de los estudios realizados.
En definitiva, estos resultados nos permiten establecer, con alguna seguridad, la relación entre actividad física, aptitud física y exceso de peso  y la obesidad en adolescentes, resaltando la diferencia entre géneros.


Palabras clave (3-5 palabras): ACTIVIDAD FÍSICA HABITUAL; APTITUDÍ FÌSICA; ADOLESCENTES; IMC
TEXTO DEL TRABAJO

 

I - INTRODUÇÃO

A adolescência é uma fase complexa pelas profundas transformações inerentes ao crescimento e maturação. Ao longo destas transformações, os padrões de comportamento que os jovens adquirem podem ser decisivos para o futuro mais saudável e com maior qualidade de vida (Aires, 2009)
Na Sociedade Contemporânea os processos tecnológicos e científicos assumem um papel preponderante na vida de cada um. A evolução de tais processos conduziu à alteração do estilo de vida das pessoas, que se tornou mais sedentário e se afastou da actividade física.
É de facto alarmante, verificarmos que os factores que contribuem para a sedentarização entre os jovens estão a aumentar. Cada vez mais, ficam presos à televisão e aos jogos electrónicos e de computador, trocando actividades físicas espontâneas e intensas por passatempos passivos.
Esta atitude entre outros factores conduz ao aparecimento de um número cada vez maior de doenças hipocinéticas, como as doenças cardiovasculares, a obesidade, a osteoporose, a diabetes e alguns cancros. Segundo a OMS, o sedentarismo causa mais de 2 milhões de óbitos por ano, constituindo a 2ª causa de morte.
No entanto, cada vez mais podemos constatar que as pessoas encaram a actividade física como um meio de melhoria dos níveis de saúde, bem-estar físico, mental e social e de obtenção de hábitos de vida saudáveis. Apesar de hoje em dia estarmos mais alertados para a importância da prática de actividade física, os níveis de prática estão muito longe de serem os ideais. Cabe-nos a nós, professores de Educação Física, ajudar as pessoas a viver melhor, a viver uma vida saudável.
Torna-se importante actuar nos estratos mais jovens da população no sentido de prevenir o aparecimento de doenças obesogénicas e comportamentos relacionados com a hipoactividade, na tentativa de inverter a tendência actual.
Segundo Ross e Pate (1987), citado por Freitas (1994), determinado tipo de doenças degenerativas têm as suas raízes na infância, e que padrões de vida com uma forte componente física em idades mais jovens podem transferir-se para idades adultas, reduzindo esta tendência.
Ainda que a literatura não seja unânime, há autores que defendem que a níveis elevados de actividade física durante a infância e juventude, corresponde, normalmente, uma participação similar quando adultos, da mesma forma que uma vida sedentária durante o mesmo período poderá conduzir a baixos níveis de aptidão física, com todos os problemas associados e acima referidos, quando adulto (Blair, et al., 2000; Ross e Pate, 1987; citados por Freitas, 1994).
Nunca a saúde e os hábitos de vidas foram tão referenciados e interligados à actividade física, assim como é crescente a preocupação das pessoas, quanto à sua aptidão física e à sua vida diária.
A saúde deixou de ser apenas um problema médico para passar a ser, sobretudo, um problema cultural, e que, mais do que um objecto da Medicina, é seguramente um assunto de Educação (Constantino, 1998; Mota, 1997; citados por Cardoso, 2000).
O aumento da actividade fisico-desportiva como promotora da aptidão física tornou-se um dos objectivos da saúde pública nacional, tendo sido atribuído à Educação Física um importante papel na realização de tal objectivo, nomeadamente nas crianças (U.S. Department of Health na Human Services, 1986; Sallis, 1987; Corbin, 1991; citados por Freitas, 1994). Segundo Bento (1991), uma Educação Física atenta não poderá deixar de eleger como uma das suas orientações centrais a da educação da saúde.
A educação funda-se na preocupação de enraizar uma cultura do apreço, valorização e fruição da vida, e a escola deve intervir precisamente nestes domínios, contribuindo para que a prática desportiva se torne uma necessidade vital, integrando um estilo de vida para a saúde.
A realização deste estudo decorreu em diferentes fases em função das grandes categorias de variáveis. As variáveis foram: actividade física efectuado com o questionário de Baecke; aptidão física criterial baseada na bateria de testes Fitnessgram; valores de altura, peso e índice de massa corporal. Para esta última contámos com o apoio de um grupo de investigadores da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto que se encontram a desenvolver um projecto de âmbito mais lato na Escola onde recolhemos a amostra, intitulado “Cresce e aparece saudável”.

OBJECTIVOS E HIPÓTESES

Os objectivos, deste estudo são os seguintes:

  • Aumentar e fortalecer evidências sobre as associações entre actividade física, aptidão física e excesso de peso/obesidade.
  • Avaliar os níveis de aptidão física de grande parte da população escolar que envolve os alunos com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos da Escola Secundária com 3º Ciclo EB João Gonçalves Zarco, Matosinhos;
  • Avaliar os níveis de actividade física da população escolar referida;
  • Fornecer elementos que, sob a forma de recomendações, estimulem a adopção de estratégias adequadas no sentido dos alunos melhorarem os seus níveis de actividade física.

A partir destes objectivos formulamos as seguintes hipóteses:

  • Os rapazes são mais activos que as raparigas;
  • A maior diferença entre sexos ocorre na Actividade física no desporto;
  • Os rapazes apresentam níveis de aptidão física mais elevados do que as raparigas;
  • Os valores de IMC encontram-se no registo de média nacional e as raparigas têm mais excesso de peso.

 

2 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Actividade Física Habitual
A actividade física é definida como qualquer tipo de movimento gerado pelos músculos esqueléticos, que resulta num aumento do consumo calórico (Bouchard e Shephard, 1992) e engloba todas as actividades que diariamente contribuam para esse fim e que têm reflexos no consumo energético total diário. A actividade física pode ser voluntária (estruturada, planeada, delimitada no tempo, com objectivos). Pode ainda ser espontânea, tipicamente involuntária, constituída pelos pequenos movimentos do corpo, como seja as contracções musculares associadas às diferentes posturas do corpo.
Esta definição, como qualquer outra apresentada para este conceito, traduz a actividade física em gasto energético, não importando o tipo de actividade nem o contexto da sua realização – no lazer, no desporto, no trabalho, etc.
A actividade física habitual é um conceito muitas vezes referenciado à saúde. Segundo Malina e Little, 2008, ao longo dos últimos quarenta anos, muitos foram os estudos que apontaram a inactividade física e os níveis baixos de aptidão física como fortes factores que contribuem para a generalidade das doenças crónicas prevalecentes nas sociedades industrializadas. A necessidade de determinar se uma população se encontra dentro dos critérios apropriados e indispensáveis a um óptimo estado de saúde, faz com que o estabelecimento do estado corrente da sua actividade física assuma especial interesse e importância (Maia et al., 2001). No entanto, são os efeitos maléficos que o sedentarismo das sociedades industrializadas tem trazido para a saúde das suas populações que estão na origem do crescente interesse no estudo sobre os hábitos de actividade (Bouchard et al., 1988).
Os resultados dos estudos sobre a actividade física são importantes na medida em que fornecem às autoridades governamentais de cada país dados que lhes possibilitem tomar determinadas medidas. Como exemplo, temos o caso do Ministério Finlandês para a Saúde e Assuntos Sociais que, em 2001, dado as evidências científicas, estabeleceu um comité que tinha como missão criar uma estratégia nacional para promover a actividade física da sua população.

 

Tipos de avaliação da actividade física habitual

Montoye et al. (1996) referem haver duas formas de avaliação da actividade física: utilizando métodos laboratoriais complexos, dificilmente aplicáveis a estudos epidemiológicos mas que são relevantes dado propiciarem medidas critério de validação de métodos de campo mais simples; ou utilizando métodos de terreno, frequentemente aplicáveis a estudos de grande dimensão de natureza fortemente epidemiológica.
No que diz respeito aos métodos laboratoriais, Montoye et al. (1996) subdividiram estes em métodos fisiológicos, que englobam diferentes abordagens desde a avaliação directa a procedimentos indirectos, e métodos biomecânicos, que medem a actividade muscular através da deslocação e aceleração da totalidade do corpo ou de segmentos corporais.
A tarefa de avaliar a actividade física em toda a sua magnitude é, de facto, um grande desafio. A inconsistência de resultados pode ser explicada pelos inúmeros métodos de avaliação existentes (Sirard & Pate, 2001; WelK, Blair, Wood, Jones, & Thomson, 2000; Welk, Cobin & Dale, 2000).

2.1.2. Características da actividade física na adolescência
Faz parte da natureza das crianças serem fisicamente activas. No entanto, estudos provam que os níveis de actividade física vão diminuindo ao longo da vida dos sujeitos, principalmente durante a adolescência (Maia et al., 2001). Por outro lado, Telama (1998), citado por Sá (2000), salienta que a actividade física é fundamental para o crescimento e desenvolvimento motor saudável dos mesmos.
Como já foi referido, o facto de serem utilizados diferentes procedimentos na avaliação da actividade física (inquéritos, observação, monitores da frequência cardíaca) faz com que a comparação de resultados provenientes de diversos estudos que têm sido levados a cabo tanto no estrangeiro (Simons-Morton et al., 1990; Freedson, 1992; Sleap e Warbuston, 1992; Welsman e Armstrong, 1997; Ekulund et al., 1997) como em Portugal (Ferreira, 1999; Pereira, 1999; Santos, 2000; Lopes et al., 2000; Rodrigues, 2001) seja difícil de ser estabelecida (Maia et al., 2001). Os mesmos autores alertam ainda para a falta de valores de referência que condicionam a interpretação dos resultados.
Porém, depois de uma breve análise realizada aos estudos mencionados, verificámos que, na maioria dos estudos, os jovens do sexo masculino apresentam valores de actividade física superiores aos das jovens do sexo feminino, não sendo esta discrepância de valores significativa na adolescência. Importante e interessante salientar é o estudo de Lopes et al. (2000), citado por Maia et al. (2001)., que conclui que, ao contrário do que se passa no estrangeiro, as crianças portuguesas são mais activas durante os períodos escolares do que nos fins de semana, especialmente aos Domingos, verificando-se um decréscimo acentuado dos níveis de actividade física.

2.2. Aptidão Física
A definição do conceito de aptidão física tem variado ao longo dos anos, de acordo com os interesses e as necessidades operativas. A sua expressão tem servido propósitos distintos desde a simples avaliação no contexto escolar à forte dimensão epidemológica (Sá, 1995). Duarte (1997), acrescenta que a proliferação de expressões utilizadas, a diversidade dos problemas identificados na inventariação das componentes da aptidão física, bem como a selecção dos testes a avaliar, revelam um estado de alguma confusão conceptual e operativa.
A aptidão física é referida na literatura como um constructo multidimensional (no sentido que contém múltiplas dimensões, componentes, facetas ou traços), não sendo directamente observável, pelo que se usam indicadores para a avaliação das diversas dimensões.
Para Corbin (1987), a aptidão física relaciona-se não só com a capacidade de resistência, como tanto se preconizou nos anos 70 e 80, mas também com outras expressões motoras como a força, a flexibilidade, a composição corporal, as quais se julga estarem associadas à diminuição de problemas músculo-esqueléticos, em particular das suas incidências em relação à coluna vertebral.
Já para Mendes (1998) o estado de aptidão física de um sujeito representa em larga medida uma resposta adaptativa a factores ambientais onde se inclui a actividade física. Almeida (1998) corrobora esta ideia, e acrescenta que o estado dinâmico da aptidão física pela existência de uma enorme variabilidade de expressão da aptidão física intra e entre sujeitos e pela sua dependência de factores biológicos e sócio culturais tais como: a hereditariedade, o estatuto socio-económico, o estilo de vida, etc. fazem com que facilmente se conclua que a aptidão física é um processo dinâmico. Assim a aptidão física passa a ser percebida como um constructo que representa um estado multifacetado de bem-estar resultante da participação na actividade física (Corbin, 1987).
A aptidão física pode significar sistemas orgânicos saudáveis e funcionalmente eficientes, permitindo a realização de tarefas vigorosas e actividades de lazer e influenciando positivamente factores de risco, tais como, doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, osteoporose e stress emocional (Miller, 1998), englobando a resistência cardio-respiratória, a força e resistência musculares, a flexibilidade e a composição corporal (Caspersen et al., 1985).
Na posição actual, no contexto de avaliação da aptidão física em crianças e jovens, perspectiva-se uma dupla face deste contructo multidimensional, a face orientada para aptidão desportivo-motora, a que se referem as capacidades que contribuem para o alcance de uma boa performance desportiva e para a optimização de uma tarefa motora (Bouchard e Shephard, 1994) e a face associada à saúde, que está relacionada com a capacidade individual de evitar e prevenir um estado de doença e reduzir a ocorrência de doenças hipocinéticas e possibilitar a procura do bem-estar e da qualidade de vida (Bouchard, 1994).
Maia e Lopes (2002) complementam que a aptidão física é normalmente pensada de acordo com dois posicionamentos. O primeiro diz respeito a uma matéria de cariz essencialmente pedagógico segmentando as posições sobre a avaliação em torno da saúde e da performance. O segundo orienta-nos para o âmbito da psicomotricidade, no sentido de estabelecer relações lógicas e coerentes entre a definição operacional de aptidão física e a sua avaliação concreta a partir de um conjunto de testes de validade reconhecida.
Tendo em conta o dito anteriormente e relativamente ao primeiro posicionamento, apresentamos os conceitos que se parecem relacionar mais com esta problemática:

— aptidão física associada À saúde: estado caracterizado por uma aptidão em realizar actividades físicas com vigor, bem como pela demonstração de traços e características que estão intimamente associadas a um risco reduzido de desenvolvimento de doenças de natureza hipocinética (Bouchard e Shephard, 1992).

— aptidao fisica associada À performance: capacidade funcional de um indivíduo para realizar actividades que exijam empenhamento muscular, ou a aptidão individual demonstrada em competições desportivas, ou na capacidade em realizar trabalho (Bouchard e Shephard, 1992; Fleishman, 1964; citados por Maia e Lopes, 2002).

Esta última constatação pretende reforçar a importância critica que a diversidade genética do Homem tem, seja pelo seu contributo potencial para o fenótipo, seja pela influência que desencadeia na capacidade adaptativa (Mota, 1997).

2.2.1. Avaliação da aptidão física
How fit is fit enough? Na avaliação da aptidão física relacionada com a saúde o que importa é identificar os níveis adequados à manutenção de saúde e não os níveis elevados de aptidão (Maia et al., 2001).
A avaliação pode ser referenciada à norma ou ao critério. A avaliação referenciada à norma é usada para classificar os indivíduos relativamente aos seus pares. Isto é, pretende estabelecer uma série de valores de referência que caracterizam um determinado estrato populacional, estabelecendo normas percentílicas de modo a que se possa traçar o perfil multidimensional da aptidão física de um determinado indivíduo, posicioná-lo no seio de um grupo de referência, bem como identificar as diferenças entre indivíduos (Henriques, 2000; Maia et al. 2001; Ferreira, 1999). Segundo Ferreira (1999), a variação dos níveis de Aptidão Física, as actuais preocupações com a saúde e a insuficiência da avaliação referenciada à norma levaram os investigadores a utilizarem preferencialmente a avaliação referenciada ao critério quando se pretende avaliar a aptidão física relacionada com a saúde.

Segundo Maia et al. (2001), a avaliação referenciada ao critério descreve a performance dos indivíduos numa base estritamente individual, não a comparando com o seu grupo de referência, mas sim relativamente a um critério que determina qual o nível de aptidão adequado a atingir, sendo designado por intervalo óptimo de aptidão. Sob o ponto de vista da manutenção da saúde, a avaliação referenciada ao critério é a mais indicada. O que é manifestamente importante, é que os indivíduos sejam informados do nível desejável dos diferentes aspectos da aptidão relacionada com a saúde, assim como a quantidade e o tipo de exercícios indispensáveis para alcançar tais níveis. A avaliação referenciada ao critério pretende dar uma resposta individual à questão com que iniciámos este ponto: How fit is fit enough?.
Neste sentido, vários investigadores reuniram esforços para construir uma bateria de testes que estabelecesse critérios mínimos de aptidão. Foi o caso do Cooper Institute for Aerobics Research que, liderado pelo epidemiologista Steven Blair, elaborou a bateria de testes Fitnessgram. Esta bateria tem como objectivo avaliar a aptidão física relacionada com a saúde de crianças e jovens, estando estabelecidos critérios para cada grupo etário e sexo em cada item da mesma (Maia et al., 2001; Maia e Lopes, 2002).
Pelo facto dos critérios desta bateria terem sido estabelecidos para a população americana, Maia et al. (2001) advertem que “a transposição para outras populações deve ser feita com os cuidados relativos a critérios de validade transcultural”.
A Fitnessgram avalia três componentes essenciais da aptidão física associada à saúde: (1) capacidade aeróbia, (2) composição corporal e (3) aptidão muscular (força muscular, resistência e flexibilidade).
Ferreira (1999) refere que Maia (1997) apresenta uma estrutura operativa da bateria de testes Fitnessgram mais reduzida quando comparada com a sua forma original. A estrutura da bateria é composta por quatro testes cada um dos quais possui várias alternativas. No Quadro 1 está descrita a estrutura da bateria em questão.

Quadro  1 – Estrutura da bateria de testes Fitnessgram.

Tabla 1. Niveles de actividad física habitual, aptitud física y exceso de peso en una población escolar de adolescentes

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 15

    

A Fitnessgram utiliza valores de referência como critério para avaliar o desempenho da aptidão física. Os referidos valores de referência pretendem representar o nível de aptidão física que oferece alguma protecção contra doenças resultantes do sedentarismo.
Importa referir que o valor de 1 será atribuído a quem realiza qualquer uma das provas no intervalo de aptidão considerado óptimo; o valor de 0 será atribuído a quem não conseguir realizar a prova no intervalo apresentado (aptidão insuficiente); e o valor 2 a quem ultrapassar os valores do intervalo (consultar Anexos para detalhes).

 

2.3. Obesidade
Em Portugal atinge-se uma das prevalências da obesidade mais elevadas da Europa com valores de IMC na ordem de 31,6% entre os 7 e 9 anos (Padez, Fernandes, Mourão, Moreira & Rosado, 2004) e de 18% entre os 10 e 16 anos (Janssen et al., 2005). A investigação mostra que a obesidade resulta do desequilíbrio, no tempo, entre a energia gasta e a energia ingerida. Existem vários métodos válidos e fiáveis para avaliar a adiposidade, como a hidrodensitometria, Dual Energy x-Raz Absoorptiometry (DEXA), Tomografia Axial Computarizada (TAC), Ressonância Magnética, Bioimpedância, pregas de adiposidade ou ainda o IMC. Apesar das limitações para distinguir a massa muscular da massa gorda, o IMC é perfeitamente adequado para avaliações na prática clínica e em estudos com grandes amostras e de acordo com Aires, 2009 parece ser um excelente indicador da saúde quer a curto quer a longo prazo.

 

3 - MATERIAL E MÉTODOS

3.1. Amostra
A nossa amostra é constituída por 149 alunos (76 do género masculino e 73 do género feminino) do ensino secundário com idades compreendidas entre os 14 e os 18 anos, da Escola Secundária com 3º Ciclo João Gonçalves Zarco, Matosinhos, Portugal.

3.2. Instrumentos
Para a avaliação da actividade física, foi aplicado o questionário de Baecke (Baecke et al.,1982). Este questionário é composto por 16 questões repartidas por três partes distintas, cada uma delas estimando um índice de actividade física. As respostas são indicadas numa escala de Lickert de 5 pontos. Os itens procuram representar/estimar três índices de actividade física: actividade física no tempo escolar (AFE); actividade física no tempo dedicado ao desporto (AFD) e actividade física nos tempos de recreação e lazer (AFRL).

Os índices de actividade física de cada uma das partes são calculados de acordo com as seguintes fórmulas:

  1. Índice de actividade física no tempo escolar (IAFE)

IAFE= [I1+ (6-I2)+ I3+ I4+ I5+ I6+ I7+ I8]/8

  1. Índice de actividade física dedicado ao desporto (IAFD)

IAFD =(I9+ I10+ I11+ I12)/4, em que I9= ?2 I=1 (intensidade x duração x frequência)

  1. Índice de actividade física nos tempos de recreação e lazer (IAFRL)

IAFRL= [(6-I13)+ I14+ I15+ I16]/4

O questionário tem por objectivo estimar a actividade física total. Esta pode ser determinada através do somatório dos valores encontrados em cada uma das dimensões, isto é:

Índice de actividade física total IAF/ Total = IAF/ Escola + IAF/ Desporto + IAF/ recreação e lazer.

Para a avaliação da aptidão física, foi aplicada a bateria de testes Fitnessgram associado á saúde (cooper institute for Aerobics Research, 1992), tendo sido aplicados os teste da milha, push up, curl up e trunk lift.
O índice de massa corporal foi calculado a partir da fórmula peso/altura² (Kg/m²) e organizada de acordo com o sexo. Posteriormente os participantes foram categorizados relativamente à norma, sobrepeso ou obesidade.

3.3. Procedimentos de aplicação
Nas turmas seleccionadas o questionário, bem como os testes de aptidão física foram aplicados pelo professor da disciplina, nas aulas de Educação Física. Foram fornecidas as informações relativas ao objectivo deste trabalho, ao preenchimento do questionário e à aplicação dos testes, assim como foram esclarecidas as dúvidas que foram surgidas. Nos testes de aptidão física, do total da amostra foram seleccionados ao acaso 10 alunos, que realizaram o re-teste no sentido de verificar a fiabilidade dos registos. Os valores do IMC foram cedidos pelo grupo de investigação da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto que se encontra na Escola a realizar um estudo mais alargado a todas a todos os alunos da escola, intitulado “cresce e aparece saudável”.

3.4. Procedimentos estatísticos
Para as análises estatísticas dos resultados, recorreu-se ao programa MicrosoftÒ Excel 2007. Para a descrição dos resultados obtidos, utilizámos a média e o desvio padrão. Foram estudadas as diferenças de médias através do t de Student para amostras independentes na comparação das médias dos resultados relativos à actividade física. O nível de significância utilizado foi de p £ 0,05.

 

4 - RESULTADOS

4.1. Actividade Física
O Quadro 2 e a Figura 1 referem-se ao comportamento da média e desvio padrão da actividade física no escalão etário dos 14 aos 18 anos nos rapazes e nas raparigas.

Quadro 2 – índices de actividade física por sexo.

Tabla 2. Niveles de actividad física habitual, aptitud física y exceso de peso en una población escolar de adolescentes

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 15

    

p £ 0,0 5

                                                                                                           

Tal como se pode constatar no Quadro 2, verifica-se que os rapazes apresentam um índice ligeiramente superior de actividade física na escola (IAFE), não sendo esta diferença estatisticamente significativa. Podemos verificar no mesmo Quadro, que os rapazes apresentam um índice bastante superior ao das raparigas no que diz respeito à actividade física no desporto (IAFD). Estas diferenças são estatisticamente significativas. Constatamos a partir dos dados, ainda do mesmo Quadro, que os rapazes apresentam índices de actividade física no tempo de recreação e lazer (IAFRL) superiores aos das raparigas, com diferenças estatisticamente significativas.
Constatamos também a partir dos dados do Quadro 2 que os rapazes apresentam índices de actividade física total (IAFT) superiores aos das raparigas com diferenças estatisticamente significativas.
Constatamos a partir dos dados do Quadro 2 que os rapazes apresentam valores mais elevados em todos os índices de actividade física, sendo que essa diferença é menos evidente no IAFE. Como consequência o IAFT é também superior nos rapazes.

Figura 1. Niveles de actividad física habitual, aptitud física y exceso de peso en una población escolar de adolescentes

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 15

    
Figura 1 – Comparação dos índices de actividade física por sexo.

4.2. Aptidão Física
4.2.1. Avaliação normativa
O quadro que se segue apresenta os resultados relativos aos quatro testes aplicados para avaliar a Aptidão Física, tendo em consideração cada um dos grupos constituídos por género sexual.

Quadro 3 – Caracterização das variáveis relativas à avaliação da Aptidão Física, média (M) e desvio padrão (dp), em ambos os géneros sexuais.

Tabla 3. Niveles de actividad física habitual, aptitud física y exceso de peso en una población escolar de adolescentes

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 15

    

Tal como se pode constatar no Quadro 3, verifica-se que os rapazes apresentam melhores resultados do que as raparigas em todos os testes, com excepção do teste Trunk lift, em que as raparigas se superiorizam aos rapazes.

4.2.2. Avaliação criterial
Os resultados são apresentados pela frequência de participação nos vários testes realizados, de acordo com o género, com valores inferiores, iguais e/ou superiores aos apresentados nas tabelas de referência da bateria de testes Fitnessgram. Cada sujeito foi classificado, em cada teste, de acordo com a seguinte categoria:

  • abaixo do intervalo (0) - foi atribuído a todos os jovens que apresentaram resultados inferiores ao intervalo óptimo de aptidão, isto é, quando o resultado é menor que o limite inferior do Fitnessgram;
  • no intervalo (1) - foi atribuído aos que se situassem no intervalo adequado;
  • acima do intervalo (2) quando o resultado no teste é maior que o limite superior.

Quadro 4 – Percentagem de sujeitos de ambos os sexos, com valores inferiores, iguais e superiores aos critérios da bateria Fitnessgram.

Tabla 4. Niveles de actividad física habitual, aptitud física y exceso de peso en una población escolar de adolescentes

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 15

    

No que diz respeito ao sexo feminino:

  • O teste Curl up é a prova onde se verificam as maiores taxas de insucesso, seguido do teste da Milha.
  • As maiores taxas de sucesso foram obtidas no Trunk lift, salientando-se que os valores percentuais acima do intervalo ultrapassam ligeiramente os 90%.
  • O Push up é o teste onde a taxa de insucesso não chega aos 20% e, portanto, é o segundo teste onde se verificam os melhores resultados.

Relativamente ao sexo masculino:

  • As taxas de insucesso para qualquer um dos testes não chegam aos 20%.
  • O Push up foi o teste que obteve as taxas de sucesso mais elevadas, seguido do Trunk lift.
  • As maiores taxas de insucesso foram obtidas no teste da Milha e no Curl up, com os mesmos valores percentuais.

O Quadro 5 mostra as taxas de sucesso obtidas em cada teste. Ou seja, foi considerada a percentagem de alunos cujos resultados nos testes se situassem dentro do intervalo para a zona óptima de aptidão, assim como aqueles cujos resultados ultrapassavam o limite superior considerado para o intervalo.

Quadro 5 – Percentagens das taxas de sucesso de ambos os sexos obtidas em cada teste.

Tabla 5. Niveles de actividad física habitual, aptitud física y exceso de peso en una población escolar de adolescentes

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 15

    

Pela análise do Quadro 5, verifica-se as taxas de sucesso para todos os testes e para ambos os sexos é bastante grande (acima dos 80%), com excepção do teste Curl up, em que as raparigas não obtiveram uma taxa de sucesso superior a 56,1%. No entanto, há a salientar que a percentagem de sucesso para todos os testes e para ambos os sexos está acima dos 50%, aproximando-se dos 100% no caso do Trunk lift. Tais constatações traduzem um bom desempenho por parte dos sujeitos em estudo.
No Trunk lift, as raparigas obtiveram uma taxa superior à dos rapazes (98,6% para as raparigas e 92,1% para os rapazes), tendo sido este teste aquele onde obtiveram melhores resultados. Já os rapazes obtiveram a melhor taxa de sucesso no Push up.
Embora com taxas bastante altas (80,3%), o teste da Milha e o Curl up foram aqueles onde se verificaram as menores taxas de sucesso no que respeita ao sexo masculino.
Salienta-se ainda que as raparigas obtiveram taxas de sucesso superiores aos rapazes em dois dos testes: Milha e Trunk lift; assim como a maior discrepância entre os dois sexos é registada no Curl up, no qual as raparigas não foram além dos 56,1% e os rapazes chegaram aos 80,3%.
A Figura 2, mostra a representação gráfica da comparação entre ambos os géneros das taxas de sucesso para cada um dos testes da bateria.

Figura 2. Niveles de actividad física habitual, aptitud física y exceso de peso en una población escolar de adolescentes

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 15

    
Figura 2 – Comparação das taxas de sucesso do sexo feminino e do sexo masculino, em todos os testes da bateria.

No entanto, a percentagem de alunos do sexo feminino que passaram os critérios de aptidão física é bastante inferior à dos rapazes, tal como se pode constatar pela figura seguinte.

Figura 3. Niveles de actividad física habitual, aptitud física y exceso de peso en una población escolar de adolescentes

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 15

    
Figura 3 – Percentagem de alunos que passaram em todos os critérios de aptidão física, por género.

4.3. Obesidade
O quadro 6 que se segue apresenta os resultados relativos as características dos jovens do presente estudo quanto à prevalência de sobrepeso e obesidade, tendo em consideração cada um dos grupos constituídos por género sexual.
Quadro 6 – Valores de IMC de ambos os sexos.

Tabla 6. Niveles de actividad física habitual, aptitud física y exceso de peso en una población escolar de adolescentes

Contenido disponible en el CD Colección Congresos nº 15

    

p £ 0,05

A prevalência de sobrepeso é praticamente igual nos dois sexos; os valores situam-se entre os 12,2% e 15,5%, respectivamente no sexo feminino e masculino. Os valores médios situam-se igualmente próximos com 26,11 para o sexo feminino e 25,32 no sexo masculino. .No caso dos rapazes pensamos que estes valores se devem à relação com a actividade física, visto ser este o género que mais valores apresenta de AF
A prevalência de obesidade é relativamente baixa, está compreendida entre os 2,9% e os 4,2%. No que respeita ao sexo masculino o valor de 2,9% é satisfatório, já em relação ao sexo feminino o valor obtido de 4,2% revela um índice mais elevado de alunas obesas.
Apesar de não ser um objectivo do presente estudo encontrámos valores de IMC a baixo do peso normal no sexo masculino de 2,5% dos alunos e no sexo feminino 5,1%.

 

5 – DISCUSSÃO

5.1. Actividade física
Apesar da maior parte dos estudos efectuados nesta área se debruçarem pelas diferenças obtidas nos índices de actividade física ao longo da idade e o nosso estudo estar relacionado com as diferenças entre géneros, num intervalo etário mais reduzido (14-18 anos), os resultados obtidos parecem ir de encontro aos existentes na literatura.
Assim, tendo em conta os resultados do presente estudo, verifica-se que os valores médios obtidos nos índices de actividade física na recreação e lazer e no desporto e no índice de actividade física total, mostram uma nítida vantagem dos rapazes. No entanto, esta diferença não é tão evidente no que diz respeito aos índices de actividade física na escola.
Estes resultados sugerem que os rapazes têm maior apetência para o desporto (estão mais em contacto com actividades de carácter desportivo e habitualmente envolvidos em actividades desportivas de maior intensidade). Uma outra justificação parece advir do contacto diário dos rapazes com a prática desportiva tanto no período escolar, onde recebem um maior número de reforços positivos por forma a incentivar a sua prática regular (Mckenzie et al., 1997 citado por Cardoso, 2000), como fora dele, nomeadamente nas actividades de associações recreativas e clubes.
Por outro lado, o contexto social e geográfico e as diferenças biológicas e sócio-culturais (Rowland, 1990; Sallis et al., 1992, citados por Cardoso, 2000) parecem justificar os menores índices de actividade física obtidos pelas raparigas. Estes mesmos autores, apontam como outra possível razão para esta discrepância a selecção de actividades de acordo com as competências inerentes a cada género, resultante de diferentes expressões de capacidades.
Assim, valores culturais poderão determinar o afastamento, das actividades físicas de cariz formal e competitivo, uma grande parte da juventude, sobretudo nas raparigas (Eaton e Enns, 1986, citado por Cardoso, 2000).

5.1.1. Actividade Física na Escola
Relativamente a este índice os resultados obtidos no nosso estudo parecem ir de encontro aos encontrados na literatura já que não se observam diferenças significativas ao nível da comparação entre géneros, sendo no nosso estudo de 2,50 e 2,49 para os rapazes e raparigas respectivamente. Também Rodrigues (2001), obteve dados semelhantes, não encontrando diferenças estatisticamente significativas entre géneros, sendo, no entanto, o valor do IAFE nas raparigas inferior ao obtido ao nosso estudo. Ferreira (1999), bem como Cardoso (2000) verificaram também resultados nos índices de actividade física na escola superiores nos rapazes.
Apenas os estudos de Santos (1996) e Barcelos (1997), citado por Rodrigues (2001) referem índices de actividade física na escola superiores nas raparigas.

5.1.2 Actividade Física no Desporto
No que diz respeito a este índice, os resultados obtidos no nosso estudo parecem ir de encontro aos encontrados na literatura já que se observam diferenças estatisticamente significativas ao nível da comparação entre géneros, apresentando os rapazes no nosso estudo um índice de 3,14 e as raparigas 2,48. Noutras pesquisas semelhantes (Rodrigues, 2001; Ferreira, 1999 e Cardoso, 2000), encontraram dados semelhantes, verificando diferenças estatisticamente significativas entre géneros bem como valores superiores no sexo masculino, assim como no nosso estudo. Victor (1999) encontrou também índices superiores nos rapazes, sendo no entanto o estudo realizado em turmas do 11º e 12º ano de escolaridade da Formação Técnica de Desporto.

5.1.3 Actividade Física no Lazer
Os resultados obtidos no nosso estudo relativamente a este índice, parecem contrariar os encontrados na literatura. Na nossa pesquisa foram encontradas diferenças estatisticamente significativas e os rapazes apresentaram um índice de actividade física no lazer de 3,10 e as raparigas de 2,93. Já na pesquisa de Rodrigues (2001), não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre géneros, encontrando o autor inclusivamente no 12º ano valores superiores nas raparigas. Outros autores, observaram também, um índice de actividade física no lazer superior nas raparigas (Prista 1994; Baecke et al. 1982; Pereira, 1994; Victor 1999).

5.1.4 Actividade Física Total
Apesar de na nossa pesquisa os resultados obtidos no índice de actividade física na escola serem semelhantes nos dois sexos, os rapazes registaram valores mais elevados nos restantes índices, o que se traduz num IAFT superior com diferenças estatisticamente significativas.
Estes resultados vão de encontro aos encontrados na literatura, pois na quase totalidade dos estudos previamente referidos o sexo masculino apresenta índices de actividade física total mais elevados.

5.2.Aptidão física
Temos vindo a assistir nos últimos anos a uma crescente preocupação com a aptidão física e essencialmente com a sua associação à saúde. Têm surgido assim inúmeros estudos acerca desta temática.
Em Portugal a maioria dos estudos deste género efectuados reportam-se aos níveis de aptidão física por idades, enquanto que o nosso procura avaliar os valores de aptidão física para um escalão etário. No entanto, os resultados que obtivemos vão de encontro aos apresentados pela literatura.

5.2.1. Milha
Na prova da milha, os resultados obtidos mostram-nos que uma percentagem elevada dos indivíduos da nossa amostra está dentro do intervalo dado pela Fitnessgram.
Foram as raparigas que, com uma percentagem de sucesso de 90,4%, se superiorizaram aos rapazes, que obtiveram apenas 80,3% de sucesso.
Pela análise dos estudos de Cardoso (2000) e de Rodrigues (2001), podemos constatar que os resultados obtidos no nosso estudo, no que se refere às taxas de sucesso neste teste, são superiores aos resultados obtidos por aqueles autores. Para além disso, concluímos que os sujeitos do sexo feminino obtiveram melhores resultados que os sujeitos do sexo masculino no que diz respeito à avaliação criterial. Contudo, foram os rapazes que registaram resultados médios mais baixos, isto é, tempos inferiores para percorrer a mesma distância.
No entanto deparamo-nos com uma grande limitação quando tentamos comparar os nossos resultados com os de outros estudos. Isto porque o nosso estudo não procurou avaliar os alunos ao longo das diferentes idades, mas sim em função do sexo e num intervalo etário mais curto.
Plowman e Looney (1990), citado por Rodrigues (2001), referem taxas de sucesso de 77% para os rapazes e de 62% para as raparigas contrariando os resultados obtidos neste estudo.
Pelo contrário Weiller et al. (1994), citado por Rodrigues (2001), obtiveram taxas de sucesso entre 67 e 94 % para as raparigas  e entre 58 e 85% para os rapazes, justificando estes resultados  por valores mais baixos de Índice de Massa Corporal (IMC) apresentados pelas raparigas. O IMC pode, então, ser uma das possíveis justificações para os resultados que obtivemos. Porém, uma vez que o nosso não tratou tal questão, não podemos chegar a tal conclusão.

5.2.2. Push-up
Relativamente à prova do push-up os resultados foram algo surpreendentes, revelando taxas de sucesso superiores às da literatura tanto nos rapazes como nas raparigas (82,2% para as raparigas e de 93,4% para os rapazes).
Estes dados apontam para uma percentagem muito alta de indivíduos de ambos os sexos que tiveram um desempenho na força/resistência superior dentro do intervalo dado pela Fitnessgram.
Tal como na prova anterior, os rapazes obtiveram percentagens de sucesso superiores às raparigas. Cardoso (2000) explica esta vantagem dos rapazes como sendo resultado de uma maior familiarização com os movimentos que impliquem força superior.
Por seu lado, Carvalho (1993) e Prista (1994), citados por Cardoso (2000), colocam no maior peso corporal, na maior quantidade de massa muscular e na maior participação desportiva, a explicação para a supremacia dos rapazes.O tipo de actividades específicas dos rapazes e das raparigas, que em determinadas sociedades é característico e os diferencia, reflectem-se nas diferenças entre sexos (Malina e Bouchard, 1991; citados por Cardoso, 2000).

5.2.3. Curl-up
Nesta prova, os resultados do nosso estudo vão de encontro aos da literatura, tendo os rapazes obtido percentagens de sucesso superiores às das raparigas (80,3% e 56,1%, respectivamente). No entanto, a taxa de sucesso das raparigas, quando comparada com a literatura, é relativamente inferior.
Deste modo, os valores obtidos nesta prova mostram que a maioria dos indivíduos de ambos os sexos apresentam um desempenho na força/resistência abdominal dentro do intervalo dado pela Fitnessgram.
Astrand e Rondahl (1980), citados por Cardoso (2000), referem a maturação sexual como um dos principais factores para explicar o melhor desempenho dos rapazes nas provas de força, uma vez que a maturação sexual feminina não é acompanhada pelo aumento da massa muscular que ocorre nos rapazes.
Os fracos desempenhos das raparigas relativamente aos rapazes podem, segundo Guedes e Barbani (1995), citados por Cardoso (2000), ser explicados pelo facto de nestas, o aumento da massa muscular durante a puberdade ser apenas moderado, ao passo que o acúmulo de gordura se torna bastante acentuado nesse período, dificultando a realização deste movimento.

5.2.4. Trunk lift
Tal como Cardoso (2000) e Rodrigues (2001), foi nesta prova que verificamos melhores resultados, quer nos rapazes (92,1%), quer nas raparigas (98,6%).
Foram as raparigas que registaram as melhores percentagens de sucesso, indo estes dados ao encontro do que diz a literatura que aponta o sexo feminino como tendo uma maior apetência para obter melhores desempenhos em provas de flexibilidade.
As raparigas são mais flexíveis que os rapazes em todas as idades, e as diferenças sexuais são maiores durante a adolescência e de acordo com a maturação sexual (Malina e Bouchard, 1991; citados por Cardoso, 2000).

 

6 – CONCLUSÕES

Da análise e discussão dos resultados deste estudo bem como das hipóteses formuladas emergem as seguintes conclusões.

Hipótese 1 e 2 - Os rapazes são mais activos que as raparigas.
Existe uma expressão diferenciada dos índices de actividade física habitual em função do género sexual. Os rapazes apresentam valores médios nitidamente superiores em todos os índices de actividade física, sendo que no índice de actividade física na escola essa discrepância é menos evidente. A maior diferença verifica-se ao nível do índice de actividade física no desporto em que os rapazes apresentam um índice bastante superior. A primeira e segunda hipóteses foram assim confirmadas.

Hipótese 3 - Os rapazes apresentam níveis de aptidão física mais elevados do que as raparigas.
Existe uma expressão diferenciada dos resultados relativos aos índices de Aptidão Física, tendo em conta o género sexual. Perante os resultados obtidos parece-nos que tanto os rapazes como as raparigas alcançaram bons níveis de aptidão física, situando-se, na sua maioria, dentro e acima do intervalo dado pela Fitnessgram.
Os rapazes obtiveram taxas de sucesso superiores nas provas de Push up e Curl up, situando-se os resultados entre os 93,4% (na prova de Push up) e 80,3% (na prova de Curl up). As raparigas por sua vez obtiveram melhores resultados na milha e Trunk lift situando-se os resultados entre os 90,4% e 98,6% respectivamente.
Tendo em conta apenas os alunos que passaram em todos os critérios da aptidão física (sucesso em todas as provas), constatamos que os rapazes com uma percentagem de 59,2% superiorizam-se nitidamente às raparigas com uma percentagem de 38,4%.
Considerando os dados referidos anteriormente, verificámos que a segunda hipótese foi confirmada.

Hipótese 4 - Os valores de IMC encontram-se no registo de média nacional, e as raparigas têm mais excesso de peso.
Não existe uma expressão diferenciada dos valores de IMC em função do género sexual. De acordo com os cálculos do valor de IMC, parece-nos que tanto os rapazes como as raparigas revelam valores de obesidade e sobrepeso abaixo dos valores referidos na maioria dos estudos que há registo. (Aires, 2009 e Maia, Seabra e Garganta, 2009).

 

7 – BIBLIOGRAFIA

Almeida, C. (1998): Aptidão Física, Estatuto sócio-económico e medidas antropométricas da população escolar do concelho de Lamego – estudo em crianças e jovens de ambos os sexos dos 10 aos 16 anos de idade. Dissertação apresentada às provas de Doutoramento. FCDEF-UP.
Aires, L. (2009): Níveis de actividade física, aptidão física e excesso de peso/obesidade em crianças e adolescentes. Dissertação apresentada às provas de doutoramento. FADEUP.
Baecke, J.A.; Burema, J; Fritjiers, E.R. (1982): A short questionnaire for the measurement of habitual physical activity in epidemiological studies. The American Journal of clinical nutrition. 36, pp. 936-942.
Bento, J. (1991): As funções da Educação Física. Horizonte. 7 (45), pp. 101-107.
Blair, S. (1993): 1993 C.H. McCloy Research Lecture: Physical Activity, Physical Fitness and Health. Research Quarterly for Exercise and Sport. 64(4), pp. 365-376.
Blair, S.; Wei, M. (2000): Sedentary habits, health and function in older women and men. American Journal of Health. 15 (1), pp.1-8.
Blair, S.; Jackson, A. (2001): Physical fitness and activity as separate heart disease risk factors: a meta-analysis. Medicine and Science in Sport and Exercise.  33( 5), pp.762-764.
Botelho, P.B. (1996): Cordenação Motora, Aptidão Física e Variáveis de Envolvimento. Estudo em crianças do 1º ciclo de ensino de duas freguesias do conselho de Matosinhos. Dissertação apresentada às provas de Doutoramento. FCDEF – UP.
Bouchard, C.; Shephard, R. (1992): Physical activity, fitness and health: the model and key concepts. In C. Bouchard, R.J. Shephard, T. Stevens (eds), Physical Activity, Fitness and Health: International Proceedings and Consensus Statement. Human Kinetics Publishers. Champaign.
Bouchard, C.; Shephard, R.; Stevens, T. (1994): Physical activity, fitness and health: the model and key concepts. In Physical Activity, Fitness and Health: International Proceedings and Consensus Statement. Human Kinetics Publishers. Champaign.
Cardoso, M. V. (2000): Aptidão física e actividade física da população escolar do Distrito de Vila Real. Um estudo em crianças e jovens de ambos os sexos dos 10 aos 18 anos de idade. Dissertação apresentada às provas de Doutoramento. FCDEF – UP.
Corbin, C.B. (1987): Youth Fitness, Exercise and Health: There is much to be done. Research Quaterly for Exercise and Sport,.  58 (4): 308-314.
Corbin, C.B.; Pangrazzi, R.P. (1992): Are American children and youth fit? Research Quarterly for Exercise and Sport. 63, pp 96-106.
Duarte, D. (1997). Aptidão Física e Indicadores Atropométricos da população escolar do distrito de Castelo Branco. Estudo em crianças e jovens dos dez aos catorze anos de idade praticantes de desporto escolar. Dissertação apresentada às provas de Mestrado. FCDEF – UP.
Ferreira, J.C.V. (1999): Aptidão física, actividade física e saúde da população escolar do centro da área educativa de Viseu. Estudo em crianças e jovens de ambos os sexos dos 10 aos 18 anos de idade. Dissertação apresentada às provas de Mestrado. FCDEF-UP.
Freitas, D.L. (1994): A Aptidão Física da População Escolar da Região da Madeira: Estudo em Crianças e Jovens dos onze aos quinze anos de idade. Dissertação apresentada às provas de Mestrado. FCDEF-UP.
Henriques, C.O. (2000): Relação multivariada entre actividade física habitual e aptidão física. Uma pesquisa em crianças e jovens do sexo feminino do 6º ao 9º ano de escolaridade. Dissertação apresentada às provas de Doutoramento. FCDEF – UP.
Looney, M.A.; Plowman, S.A. (1990): Passing rates of american children and youth on the Fitnessgram criterion-referenced physical fitness standards. Research Quarterly for Exercise and Sport. 61, pp 215-223.
Lopes, V. (1997): Análise dos efeitos de dois programas distintos de Educação Física na expressão da aptidão física, coordenação e habilidades motoras em crianças do Ensino Primário. Dissertação apresentada às provas de Doutoramento. FCDEF-UP.
Magalhães, L.R. (2001): Padrão de actividade física. Estudo em crianças de ambos os sexos do 4º ano de escolaridade. Dissertação apresentada às provas de Mestrado. FCDEF-UP.
Maia, J.; Lopes, V.P.; Morais, F.P.M. (2001): Actividade física e aptidão física associada à saúde. Um estudo de epidemiologia genética  em gémeos e suas famílias realizado no arquipélago dos Açores.  FCDEF – UP e DREFD.
Maia, J.; Lopes, V.P. (2002): Estudo do crescimento somático, aptidão física e capacidade de coordenação corporal de crianças do 1º ciclo do Ensino Básico da Região Autónoma dos Açores. FCDEF – UP, DRCT e DREFD.
Maia, J. Seabra, A. Garganta, R. (2009): Vouzela Activa. Um olhar sobre o crescimento, desenvolvimento e saúde de crianças, jovens e famílias do concelho de Vouzela. FADEUP.
Malina, R. M., e Little, B. B. (2008). Physical activity: The present in the contexto f the past. Am J Hum Biol, 20(4), 373-391.
Matos, Z. e Graça, A. (1993): A criação de hábitos de Actividade Física regular: um objectivo central da Educação Física. In: J. Bento e A. Marques (eds), Actas das Jornadas científicas Desporto, Saúde e Bem Estar, pp.311-318. FCDEF-UP.
Mariovet S. (1993): Hábitos Desportivos. Valores Socio-Culturais em Mudança. Revista Horizonte. Vol. X, nº 53, pp. 193-200.
Mendes, V. (1998): Aptidão Física e Actividade Física Habitual. Estudo em crianças e jovens Caboverdianas dos doze aos catorze anos de idade. Dissertação apresentada às provas de Mestrado. FCDEF-UP.
Montoye, H.I., Kemper, H.C.G.; Saris, W.H.M.; Washburn, R.A. (1996): Measuring physical activity and energy expenditure. Human Kinetics. Champaign.
Mota, J. (1993): A Educação Física e a Saúde. Que afinidades?. In: J. Bento e A. Marques (eds), Actas das Jornadas científicas Desporto, Saúde e Bem Estar, pp.305-310. FCDEF-UP.
Mota J. (1997): A actividade Física no Lazer -  Reflexões Sobre  a sua Prática. Livros Horizonte. Lisboa.
Paffenbarger, R.S.; Hyde, R.; Wing, A.; Jung, D.; Kampert, J. (1991): Influences of changes in physical activity and other characteristics on all-cause mortality. Medicine and Science in Sport and Exercise. 4
Paffenbarger, R. S.; Blair, S.; Lee, I.; Hyde, R. (1993): Measurement of Physical Activity to assess health effects in free-living populations. Medicine and Science in Sport and Exercise. 25, pp 60-70.
Pate, R. (1988): The evolving definition of physical fitness. Quest . 40:3 174-179.
Rodrigues, M. S. (2001): Aptidão Física e Actividade Física Habitual – Estudo em Crianças e Jovens de Ambos os Sexos do 6º ao 12º ano de Escolaridade da Ilha Terceira Região Autónoma dos Açores – Dissertação às provas de Mestrado. FCDEF – UP.
Romão, P. ; Pais, S. (2002): Educação Física 10º /11º/12º anos. Porto Editora.
Sá, J. (1995): Aptidão Física e desporto escolar. Estudo em jovens de ambos dos dois sexos dos treze aos quinze anos de idade da Região Autónoma dos Açores. Dissertação apresentada às provas de Mestrado. FCDEF – UP.
Sá, M. (2000): Transmissibilidade nos hábitos de actividade física. Um estudo em alunos do sexo masculino do 10º ao 12º ano de escolaridade. Dissertação apresentada às provas de Mestrado. FCDEF – UP.
Santos, M. (1996): Aptidão Física e Actividade Física Habitual – Estudo transversal em adultos jovens do dois sexos da Região Autónoma dos Açores. Dissertação apresentada às provas de Mestrado. FCDEF - UP.
Santos, M.P.M. (2000): Avaliação da actividade física habitual em crianças e jovens do Grande Porto. Dissertação apresentada às provas de Mestrado. FCDEF-UP.
Simons-Morton, B.G.; Baranowski, T.; O´Hara, N.; Parcel, G.S.; Huang, I.W.; Wilson, B. (1990): Children´s frequency of participation in moderate to vigorous physical activities. Research Quarterly for Exercise and Sport. 61 (4), pp 307-314.
Victor, H. M. (1999): Percepção do Estado Geral de Saúde e Actividade Física. Dissertação apresentada às provas de Mestrado. FCDEF-UP.

Responder

Otras colaboraciones